O Fim da Democracia Americana

Juliana depois de alguns anos, finalmente tinha conseguido passar para uma universidade americana. Era difícil ver suas amigas completando o segundo ano em seus respectivos cursos superiores e ela ainda tendo que estudar para exames internacionais. Mas no final de seu quarto ano, ela finalmente estava dentro.

Seus pais imediatamente ficaram apreensivos com aquela escolha dos Estados Unidos, pois o país estava passando por uma governabilidade totalmente ditatorial. E bem recentemente, o então presidente, tinha decidido deportar quem estivesse irregular no país. Mas logo ficou bem claro, que a polícia que fazia esse serviço prendia qualquer um que tivesse o famoso sotaque estrangeiro dos odiados imigrantes.

Juliana estava em dia com a sua documentação, mas no dia da viagem ficou com medo de sofrer as mesmas consequências daqueles que eram deportados ou até mesmo mortos em confrontos injustos.

Chegando no aeroporto, se despediu de seus familares e despachou logo a bagagem tentando treinar o seu cérebro, para que conseguisse falar um inglês limpo de sotaque estrangeiro para que não desse pistas de sua real nacionalidade.

Dentro do avião, as aeromoças começaram a lhe oferecer refeições bem apetitosas e ela logo começou a falar na segunda língua, para não deixar dúvidas de quem realmente era.

No desembarque, Juliana pegou logo as suas malas e foi logo para o campus da universidade, querendo logo conhecer suas colegas de quarto. Dentro do táxi, o motorista nem percebeu que estava com uma estrangeira no banco de trás, por sua dicção ser absolutamente perfeita para os padrões altos de uma nativa.

Chegando ao campus, Juliana logo se enturmou com as americanas que também não perceberam nada de anormal com aquela nova caloura da universidade. E assim, logo a convidaram para diversas festas ao longo da semana.

Enquanto isso, seus professores sempre faziam questão de lhe elogiar pelo seu desempenho acadêmico, mostrando para todos no período posterior do que “uma americana era capaz de fazer” se quisesse realmente ser a melhor do mundo no quesito da pesquisa acadêmica e científica.

Juliana logo arrumou uma namorada de origem norte americana e começou a traçar planos para o seu casamento pois queria muito obter o green card, que possibilitava viver naquele país por um prazo indeterminado.

Porém, o boato se espalhou pela campus da universidade e logo seus colegas de estudo começaram a desprezá-la como estrangeira. E o que antes era sinal de exemplo para os outros passou à ser apenas mais uma simples imigrante que ambicionava viver nos Estados Unidos só para obter o tão sonhado Green Card.

Em seu último dia na terra, Juliana estava muito infeliz por até a sua própria companheira começar a desrespeita-lá na frente de seus círculos sociais, por ser de outra cultura que não a sua. E assim, após uma denúncia anônima, alguns policiais invadiram o seu quarto e decidiram matá-la ali mesmo diante daqueles livros que expressavam um mundo melhor, onde todos poderiam circular livremente por qualquer país que bem entendessem, sem que tivessem que passar por entrevistas e vistos sem sentido.

Porém, de acordo com o governo local, eram livros que deveriam ser queimados para que esse espírito não contaminasse o restante do povo americano com ideias sobrenaturais de inclusão e acolhimento que somente um estrangeiro mereceria, caso optasse em assumir sua nacionalidade diante de outros países que realmente acreditavam serem superiores em cultura e educação.

Mas afinal, de que adiantava estar em um país dito de primeiro mundo, se as próprias pessoas é que foram responsáveis por escolher um regime totalmente ditatorial que ia completamente contra aos princípios democráticos impostos por aqueles antigos estrangeiros que ajudaram a construir a bandeira americana com muito suor, labuta e sonhos de que um dia poderiam deixar como legado a independência da livre circulação entre as nações?


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