
A série da Netflix — baseada no livro de Anthony Doerr, vencedor do Prêmio Pulitzer de 2015, na categoria de ficção histórica — Retrata a vida de uma garota francesa cega, chamada Marie-Laure LeBlanc e um alemão à serviço do Reich, chamado Werner Pfennig.
Marie-Laure LeBlanc é filha de um funcionário do Museu natural de Paris, chamado Daniel LeBlanc, que cuida de algumas pedras precisosas no local, que inclusive, também inclui uma chamada, Mar de Chamas, que alguns acreditam, ter o secreto elixir da vida eterna, para aquele que à detém.
Mediante à isso, também acompanhamos a vida de Werner Pfennig, um órfão alemão, que por sua genialidade em mexer e desvendar todas as engrenagens do rádio, e logo chamado pelo Reich, para integrar a escola politécnica de Berlim, onde os jovens mais bem dotados do país se encontram.
Porém, ao chegar na escola, ele logo percebe que o ódio impera em todos os ambientes daquele lugar inóspito, onde a crença institucional, é baseada na ideologia nazista, onde a raça ariana deve superar suas próprias adversidades, para se tornarem verdadeiros Super Humanos, porque o que não te mata te fortalece.
E assim, logo nos primeiros dias de treinamento, Werner consegue mostrar o seu valor, conseguindo montar um rádio do zero em apenas 53 segundos. Chamando a atenção de seu professor, que começa a orientá-lo para que pudesse trabalhar exclusivamente para o partido nazista desde então.
Werner com isso, se encarrega de localizar todas as frequências de rádio clandestinas da Alemanha e depois da Europa inteira também; e assim, apontar onde aquelas pessoas — da chamada: Resistência — moravam.
Enquanto isso, Marie, ficava em seu sotão em Saint-Malo, em Bretanha, na França, lendo para quem quisesse sintonizar em sua estação de rádio, algumas obras do escritor francês Júlio Verner (1828-1905), enquanto seu pai, conhecia algumas pessoas da Resistência francesa, que se opunham as ideologias nazistas, e se arricavam à todo instante, para tentar trazer qualquer informação que fosse, dos ingleses ou americanos, para a França ocupada pelos Nazistas de outrora.
Enquanto isso, Werner tentava esconder aquela estação das garras de seus superiores da Gestapo — espécie de polícia alemã da época — que queriam a qualquer custo, qualquer informação que pudesse lhes fazer ganhar a guerra contra os americanos.
Mas o importante fato que ligava Marie e Werner, era que eles desde pequenos, tinham o hábito de escutar a mesma estação de rádio, na frequência 13.10, onde um famoso Professor, falava coisas ligadas à ciência e à humanidade, que os fazia refletirem sobre a vida em questão. Ato totalmente reprovável para os alemães — no caso de Werner — porque o Reich de Adolf Hitler (1889-1945), não deixava as suas crianças se corromperem com coisas vindas de outras nacionalidades, que não fosse à alemã de Beethoven, Mozart, Bach e Wagner. Pois tudo aquilo que vinha de fora, para os alemãs historicamente, não tinham o mesmo valor na história, do que a música e os mitos nórdicos de Thor e Odin, por exemplo.
Assim, quando os americanos enfim, conseguiram chegar na França, para libertá-los do mal Nazista; os dois, tanto Marie, como Werner, conseguem finalmente conhecer o famoso Professor do Rádio. Aquele homem barbudo chamado Etienne LeBlanc. Que fazia transmissões para quem quer que estivesse ouvindo. Sobre os maiores saberes filosóficos que alguém poderia passar adiante, mediante aos tantos livros que lia em sua vida; porém, que ainda estava repleto de muito dor e angústia, em decorrência das suas próprias experiências pessoais, que tinha presenciado na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), junto de seus amigos, que não retornaram do conflito para contar a história como ele, por exemplo.
No fim da série, sentimos a devida alegria, e ao mesmo tempo, à tristeza de ser quem escolhemos ser. Pois de um lado, estava Werner Pfennig, um ex-soldado do nazismo, que tinha cometido coisas horrendas, mas que tinha sido capaz de salvar Marie-Laure LeBlanc, de um oficial nazista — seu superior — dando-lhe um tiro na cabeça, na frente do Professor do Rádio, que o protegeu até onde lhe coube.
Porém, quando os americanos finalmente passam pela cidade de Saint-Malo, em Bretanha, na França, Werner sabe muito bem que não poderá, se dar o privilégio, muito menos o devido luxo, de amar uma garota de outra nacionalidade, que é a francesa Marie. Pois seu destino, estará marcado para sempre em sua veias, por ter sido um soldado do Reich alemão.
Porém, antes que ele pudesse ser preso pelas tropas americanas, Marie deixa-o passar sua última mensagem através de seu rádio, à sua irmã, que ainda estava vivendo naquele orfanato — onde ele tinha vivido também — esperando qualquer tipo de notícias sobre o seu irmão genial, à partir da mesma estação, que ele gostava de sintonizar, para aprender com aquela amado professor desconhecido. E assim, ele o faz com maestria, ao som de Clair de Lune, de Claude Debussy (1862-1918), dizendo-lha que ele estava à salvo e que tinha sobrevivido ao horror do Holocausto, e que não tinha mudado quem realmente era — como ela lhe aconselhou, desde o início, antes dos nazistas levarem a sua única família para a guerra — mantendo-se firme na mesma frequência que sintonizada, para apreender os conhecimentos daquele professor que escutava na França, de maneira clandestina e inapropriada.
Sua irmã, assim, ao ouvir à sua voz, tratou logo de se ajoelhar perto do rádio, para escutá-la melhor. Pois ela agora tinha a absoluta certeza, que não importava o mal que lhe acometesse à partir daquele momento, por ser uma eterna alemã junto com o seu irmão. Ela sabia que a luz por mais fraca que fosse, poderia iluminar a escuridão de toda uma nação.