
Dentro da História da Arte existe subdivisões onde vemos mais claramente onde um período começa e outro termina. Porém, na fase moderna da pintura, presenciamos a independência artística, onde o artista começa a se sentir muito mais livre, para poder criar o que quer que fosse. Sem depender de nenhum tipo de auxílio em seu ofício, vindo de famílias abastadas, reis, ou até mesmo Papas.
Ou seja, depois do advento da Revolução Francesa (1789-1799) e todo o seu Iluminismo imperante (1685-1815), os artistas se viram livres para poder criar e tentar com isso, mexer nas estruturas mais profundas da sociedade. Pois a atual civilização que estava emergindo, susbtituía a mão de obra artesanal, pela industrial, abalando a Arte de maneiras inestimáveis.
A partir de agora, os homens do iluminismo tentavam modificar a natureza, com os seus avanços científicos e tecnológicos também. Deixando completamente de lado, a fé e a religião que era o grande guia do povo, de uma maneira geral. Logo, o conhecimento estava nas mãos de toda a sociedade, desde a invenção da imprensa, realizada por Johannes Gutenberg (c. 1398-1468), que popularizou os livros por toda à Europa; o que antes, era praticamente impossível com o controle da Igreja, do Papa e do reis, que controlavam àqueles que detinham ou não o conhecimento.
No período do Renascimento, onde Michelangelo, Leonardo da Vinci ou Rafael Sanzio trabalhavam mediante à diversas encomendas que recebiam de seus empregadores; agora, no período moderno, vemos a transição e a nova mudança de papel para os artistas, que agora eram pessoas que se consideravam fora das estruturas sociais de uma cidade ou país, porém, críticas ferrenhas à ela também.
Em outras palavras, a cidade passou a ser de seus cidadãos, e não mais de famílias ricas, que normalmente controlavam-na. Levando-os a um novo ideal de progresso. Onde o povo passava a ter o poder, e não mais, apenas uma minoria dele.
Com o advento do Iluminismo, agora os artistas estudavam em Academias de Arte, fazendo cópias de obras antigas, que iriam lhes trazer a devida independência artística que tanto almejavam. Pois todos sem exceção, desejavam mudar o meio em que viviam, querendo que os apreciadores da nova arte, refletissem também, sobre os seus papéis na nova estrutura que estava se criando para cada país.
Sendo assim, o artista agora era aquele visionário, que não se encaixava mais na ética e na moralidade criada pela sociedade vigente. Pois o conceito de arte agora, se enquadrava em tentar interpretar a história. E essa mesma história, estava encharcada de ideologia socialista. Onde a classe operária lutava contra os detentores do capital, que nesse caso eram os novos patrões da sociedade moderna, que tinham o tão sonhado acumulo de riqueza, onde a moeda de troca era o seu tempo de trabalho.
A partir desse período, os artistas terão suas vidas ameaçadas por fazerem à sociedade pensar em novas formas de existir. Diante daqueles que controlavam o capital. Pois os românticos irão totalmente na contramão do que estava sendo produzido no mundo da arte, desde então.
Porque o que antes, os renascentistas exaltavam como o belo grego e românico, tendo em sua razão o centro de tudo; agora os Românticos irão exaltar o sentimento, a paixão e a liberdade como peça fundamental para a obtenção do tão sonhado conhecimento. E assim, vemos diversas obras de arte exaltando a “classe esquecida”, que erão os trabalhadores industriais que tinham sido alcançados pelo novo sistema capitalista, ao mesmo tempo em que os artistas, também abarcavam os camponeses que se mantiveram firmes em suas terras, não aderindo a carga horária extenuante das indústrias vigentes.
A arte moderna passou com isso, a exaltar a terceira classe em suas obras, onde muitos apreciadores davam tudo o que tinham para conseguir aqueles quadros, que realçavam a diferença das classes, mas que ainda detinham o privilégio, de somente uma seleta parte da sociedade, em obtê-las. E era exatamente por isso, que alguns artistas eram considerados anarquistas ou socialistas, porque suas ideais privilegiavam os menos favorecidos. Que continuavam não tendo direito algum nas novas sociedades reinantes, mas que em muitas casas abastadas, aquelas obras eram penduradas como sinal de poder monetário, contra aqueles que jamais seriam lembrados fora daquelas pinturas, é claro.