O espírito de uma rebeldia

Filme — O Pássaro Branco: Uma história de Extraordinário, dirigido por Marc Forster em 2024. Imagem feita em parceira com o ChatGPT.

Sarah Blum era uma garotinha bem mimada. Estava acostumada à ter tudo em suas mãos na hora que bem entendesse. Sua mãe era professora de matemática enquanto o seu pai, era um renomado médico de um hospital próximo. Eles não eram considerados pobres, mas também não lhes faltavam dinheiro algum.

Suas amigas do colégio, esnobavam aqueles da turma que eram considerados os mais esquisitos. E entre eles, estava o Julien, conhecido como: o manco, apenas. E dificilmente alguém sabia o nome dele, muito menos o seu sobrenome… Ele costumava usar uma muleta para se locomover e alguns diziam até que cheirava muito mal, porque o seu pai trabalhava no dutos da cidade.

Sarah gostava muito de desenhar e nas horas em que estava entediada da escola ou da sua vida estável e confortável, fazia esboços de animais e retratos de seus colegas de escola. Seu pai, junto de sua professora também, à incentivava muito.

Porém, tudo virou de ponta à cabeça quando o Nazismo começou a ocupar toda a França, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). E assim, seus pais imediatamente começaram à planejar a tão sonhada fulga para uma suposta vida melhor. Mas quando Sarah, no outro dia, foi até a sua escola rotineiramente estudar, seus professores tentaram esconder as crianças judias na floresta que ficava atrás do colégio. Antes que os soldados da Gestapo de Hitler, fossem ao encontro de todas elas.

Para desgosto da sua professora — que à incentivava a continuar desenhando — os Nazistas foram até aquela escola, com uma lista de nomes em que se dizia que aquelas 14 crianças judias, estavam estudando ali no período escolar. E assim, acabaram capturando 13 das 14 crianças. Mas Sarah conseguiu escapar pela torre central da escola. Vendo lá de cima, a cena horripilante, de um guarda nazista matando com um tiro na cabeça, um dos professores que estava tentando acobertar a fulga de quem quer que fosse, gritando à plenos pulmões: Viva à Humanidade!.

Nesse momento, entra em cena seu colega de turma, o Julien, conhecido apenas por ser o único manco da escola inteira. Dizendo-lhe que iria levá-la para um celeiro que tinha em sua residência, para que ela fosse salva das mãos daqueles nazistas. E assim, o faz com maestria.

Chegando no local, os pais de Julien à acomodam. E Sarah passa a viver naquele celeiro até o final da guerra. Mas aos poucos, ela vai se apaixonando por aquele jovem com espírito de revolucionário, por não aceitar a ideologia nazista, de espécie alguma, mas que já tinha impregnado toda a França, infelizmente. Pois alguns colegas de classe deles, inclusive, acabaram entrando para a polícia nazista, para serem informantes do partido do Reich de Adolf Hitler (1899-1954).

Julien preferiu fazer o caminho inverso. E assim, todos os dias, levava para o celeiro, o que tinha aprendido na escola para a Sarah. Lhe ensinando todas as matérias possíveis. Enquanto isso, Sarah lhe apresentava o mundo das artes, ao entrar num carro velho no celeiro, e fazendo com que Julien imaginasse Paris e Nova Iorque.

O tempo passou, e no dia do aniversário da Sarah, os pais de Julien fizeram uma festa para ela com um bolo de chocolate super recheado, pois todos ali sabiam, que devia estar sendo super difícil para ela administrar o tempo longe de sua verdadeira família. Que naquele tempo, era aquela e nada mais além do que isso.

De madrugada Julien à chamou para ir dar uma volta ao redor do celeiro, e ele acabou lhe levando, em um lindo jardim, onde floresciam flores azuis em pleno inverno outonal. E assim, Julien lhe disse que quando aquela guerra acabasse, ele queria muito construir uma vida ao lado dela. O que à levou, automaticamente, à lhe dar um beijo nos lábios, como sinal de aprovação daquele futuro vespertino.

Porém, o que ninguém poderia imaginar era que no outro dia, Julien fosse fazer o caminho central, que o levava diretamente até ao policiamento nazista na estrada principal. Talvez ele quisesse provar para o mundo que fosse invencível e corajoso, como se aquele ato de amor na noite passada, fosse à prova de que ele no fim, fosse apenas mais um imortal e revolucionário.

Mas para a sua infelicidade, os nazistas acabaram lhe pegando, e colocando-o imediatamente em um caminhão com destino incerto pelas rodovias da França ocupada. E assim, Julien foi solto no meio de uma floresta qualquer, enquanto um dos nazistas, tentava acertá-lo à longa distância.

Tragicamente, Julien foi enfim, morto pela SS. E enquanto isso, sua mãe tentava a todo o custo, subornar os guardas nazistas para que a vida de seu único filho fosse poupada. Sem saber que ele ja estava morto. Sua família até tentou retornar àquela floresta, alguma vezes, tentando achá-lo vivo. Mas Julien agora estava no coração daqueles que tinham sobrevivido ao Holocausto.

À Sarah Blum foi dada a notícia. E ela enfim, desabou em lágrimas, junto à sua família postiça. Na esperança que um dia podesse encontrá-lo novamente em algum lugar do planeta. Mas o tempo fez com que ela voltasse à sua rotina normal na escola, na esperança de encontrar a sua família biológica em algum lugar da França.

Mas os dias passavam, e ela já não tinha mas muito esperança naquilo. Pois nada mais era como antes. Pois parecia que o mundo tinha ficado mais triste e solitário depois da guerra. Onde pessoas foram perdidas, e almas capturadas pelo terrível passado que rotineiramente lhes atormentava no espelho de suas memórias.

Na volta as aulas, nada mais era como antes. Aquele mundo cor de rosa não existia mais. A Europa estava em frangalhos. E junto dela, diversos corações que preferiam ter morrido com os seus entes queridos; à ficarem vivas para terem que contar a horripilante história do Holocausto, à seus descendentes. Que provavelmente, duvidariam que aquela crueldade pudesse ter acontecido no berço da Europa de então.

Sarah Blum reencontrou o seu pai em sua escola. Eles se abraçaram e ele quis logo conhecer aquela família que tinha salvado a sua única filha. No encontro, ele não parava de agradecer-lhes por aquele ato de coragem e bravura que tiveram. Mesmo sabendo que estavam correndo sérios riscos de vida.

Seu pai lhe contou que sua mãe tinha morrido no campo de concentração de Auschwitz, no sul da Polônia. E Sarah já sentia em seu coração que sua mãe tinha partido desde os tempos em que estava no celeiro. E assim, o tempo passou, e a senhorita Blum, se tornou uma grande artista plástica, de reconhecimento internacional. Tendo que educar seu neto, chamado: Julien. Que tinha sido expulso de um colégio por ter agredido seu colega de turma, recentemente.

Julien, o neto de Sarah Blum, que estava carregando o mesmo nome do grande amor de infância de sua avó, se emocionou logo com aquela história, e imediatamente, resolveu mudar o seu comportamento na escola para que tinha sido transferido, provando para si próprio, que histórias de esperança e bravura diante do mal iminente, poderia mudar a alma de qualquer um que lembrasse diariamente que ser gentil e carinhoso com o seu semelhante, é o maior ato revolucionário que se pode ter, para combater sistemas ideológicos que semeiam a discórdia e o ódio, como meio de se alcançar a salvação plena.


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