Sem Permissão à Arte!

Elisa roubando dinheiro do cofre de sua família, tendo como destino à Sorbonne Université. Imagem feita em parceria com o ChatGPT.

Elisa estava terminando o ensino médio. Todas as suas amigas já tinham planos claros e bem definidos sobre as carreiras que iriam optar ao final de todos aqueles exames, menos Elisa. Seus pais tinham deixado de falar com ela. E assim, ao final do ano letivo, Elisa montou um plano bastante ousado.

Seu irmão imediatamente passou à ser o queridinho da família. Pois tinha passado em medicina com louvor, saindo até nas notícias locais. Enquanto Elisa, ainda não tinha se definido na carreira profissional, alegando que queria curtir mais um pouco a vida, antes de enfim, ceder a sua força de trabalho para algum patrão exigente. E assim, o fez.

Seu pai deu a mesma porcentagem de dinheiro para os seus dois filhos. Edgar optou logo em comprar os livros necessários para o início do ano letivo em medicina, temendo um pouco o famoso trote que iria ter que enfrentar. Enquanto Elisa, se matriculou em Artes na França, sem avisar ninguém.

Passou-se logo o natal e o ano novo, e assim, o novo ano trouxe-lhes novas perspectivas para que pudessem sonhar. Edgar revia constantemente sua semana de estudos na nova grade curricular, que era posta no site da Universidade; enquanto Elisa, arrumava às escondidas, à sua mala rumo à cidade do amor e das artes.

Os rumores em torno daquela família tinha tomado proporções inimagináveis, pois tanto Lisa como Fabrício, tinham um certo receio de tocar nesse assunto privado com os seus colegas de trabalho, pois todos tinham estruturado toda a carreira de seus filhos sem maiores problemas. Enquanto aquele casal, mal sabia o que seria do futuro de sua filha.

No dia da viagem, Elisa aproveitou que ninguém estava em casa, e resolveu abrir o cofre de sua família e assim, decidiu roubá-los o quanto antes, porque iria precisar de todo o dinheiro que pudesse obter para sobreviver em um país estrangeiro onde a moeda era muito mais forte do que o real.

Mas Edgar acabou vendo toda à cena, e optou em voltar para o seu quarto o quanto antes, como se não soubesse de nada. Pois ele sabia muito bem, que cada um deveria ser responsável por suas próprias escolhas, e não cabia à ele decidir se aquilo estava certo ou errado. Porque afinal de contas, Elisa era a sua irmã mais velha e se ela tinha decidiu fazer aquilo, ela tinha suas razões.

Elisa assim, entra no quarto de seu irmão às lágrimas e lhe beija-o pela última vez. Edgar sabia que aquela despedida era para sempre. Estava convicto disso. Os dois se olham, e seu irmão lhe diz para se apressar logo com aquilo. E assim Elisa o faz.

O Uber de Elisa estava lhe esperando na portaria do prédio e o porteiro nem percebe nada de anormal na cena que se desenrola bem na sua frente. Ela entra no carro e por uma última vez, olha para aquele edifício que tinha sido sua morada nos últimos dezoito anos.

Chegando no aeroporto, pega seus documentos de cidadã européia, por causa de sua mãe que era francesa de nascença. E assim, resolve logo fazer o check in, para que pudesse despachar sua única mala.

Ninguém no aeroporto desconfiou de nada, pois com aqueles cabelos ruivos, dificilmente alguem poderia lhe dizer que não era européia de nascença. E assim, Elisa tratou logo de jogar fora o seu sotaque carioca. Pois não queria dar o gostinho de ser identificada como uma mulher de terceiro mundo.

Na alfândega, algumas policiais lhe fizeram diversas perguntas, mas Elisa logo lhes mostrou seus cartões de banco franceses, onde detinha seu nome em diversos deles. E assim, as policiais vendo que aquela garota possívelmente devia ser herdeira de alguma importante família, deixou-a passar sem maiores problemas.

Elisa enfim embarcou. O avião decolou e ela logo começou a falar em sua língua materna, como se jamais tivesse aprendido o português em sua vida. Ao longo do voo, foi pensando em como vivia em uma sociedade hipócrita. Tendo em vista o sucesso imimente de seu irmão, em escolher logo o que iria fazer de sua vida. Enquanto ela, teria que começar do zero em um outro país, que possivelmente iria lhe tratar como apenas mais uma estrangeira.

Elisa pegou no sono, e quando acordou já estava na terra de Luis XIV. Ela tratou logo de Pegar à sua única mala, e foi direto até aos dormitórios da Sorbonne Université, encontrar outras meninas que fariam com ela o curso de artes da universidade.

Tarde da noite, chegaram as outras colegas de turma. Muitas francesas e somente duas italianas. Elisa logo se enturmou e ninguém desconfiou que ela fosse apenas mias uma estrangeira.

Começando o período letivo em Paris, na França; uma de suas tias lhe avistou pela avenida da Champs-Élysées, e tratou logo de comunicar o ocorrido à sua irmã por telefone, que teve que comunicar a polícia local que não era mais necessário encontrá-la.

Elsa, sua tia, foi ao seu encontro no outro dia, dizendo-lhe que seus pais estavam muito chateados com ela, pois ela tinha lhes roubado antes de se matricular na Sorbonne. Porém, Elisa não mostrou arrependimento nenhum. E disse-a que se pudesse voltar no tempo faria tudo novamente. Elsa logo percebeu que sua sobrinha estava fora de si, e assim, ficou encarregada de cuidar dela até o curso acabar.

Mas Elisa optou em continuar morando nos alojamentos da universidade, e assim, quando o curso acabou, ela logo começou à trabalhar em sua área. Dando aulas em uma escola de Paris, sobre a História da Arte. Alugou um apê bem pequeno e tratou logo de se candidatar ao Mestrado, depois ao Doutorado até enfim, chegar no Pós-Doutorado.

Seus pais à queriam o quanto antes de volta no Brasil. Mas jamais recebiam qualquer tipo de informação de onde ela pudesse estar na França. Pois a irmã de Lisa, Elsa, tinha se cansado dela. Dizendo-lhes que Elisa era muito desobiente e que so respondia aos seus próprios atos agora.

Elisa enfim, se formou com louvor na Cátedra de Artes na Universidade francesa, e assim, foi chamada para dar aulas lá. Sua tia Elsa ficou sabendo da notícia pois saiu em todos em jornais franceses da época.

Sua família no Brasil, quando soube da notícia, comemorou aquela vitória e imediatamente esqueceu dos feitos de Edgar no Hospital em que trabalhava à vida inteira. E assim, tanto o pai como a mãe de Elisa, estamparam aquela notícia dos jornais locais, em diversas molduras em seu apartamento, mostrando à quem quer que fosse os novos feitos da filha predileta.

Mas Elisa nunca mais voltou ao seu país de origem. E conforme os anos foram se passando, resolveu logo em adotar duas crianças do orfanato local de Paris. Pois queria que elas também não tivessem pátria, língua ou qualquer tipo de pressão psicológica que às fizessem ser o que outros queriam ser em seu lugar. Porque bajular alguém quando se conesgue feitos dignos de honra é facil, mas compreender alguém quando esse mesmo alguém, faz coisas tolas e sem sentido, talvez possa levar anos para se entender e mesmo assim, chegar a inconclusões precipitadas no final.


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