Me interessei por Petrópolis por acaso. Vinha para essa região de tempos em tempos para aproveitar o clima. Que era bem mais fresco que no Rio de Janeiro, diga-se de passagem. Nós gostávamos de passar os finais de semana na serra, dentro de alguma churrascaria, é claro. E foi assim, que me interessei por um terreno que era de um pastor bem rígido para fazer novos negócios aos domingos, pelo menos. Tentava convencê-lo à me vender aquele belo pedaço de terra, mais ele insistia em dizer que aos feriados não fazia negócios.
Iniciava assim, alguns meses de negociações sem qualquer tipo de acordo pré-estabelecido. Pois esse teimoso pastor, na hora de fecharmos o negócio sempre queria um pouco à mais. O que me irritou profundamente que até pensei em desistir completamente de construir uma nova morada na dita tal Cidade Imperial. Mas depois que o pastor percebeu que eu não ia mais comprar aquele lote de terra, decidiu assim, fechar logo o negócio comigo.
Começou assim, meus novos planos de construção. Tendo em vista que vi no Rio de Janeiro, uma linda casa na ilha do governador, onde logo em seguida, pedi para uma pessoa especializada, se ela poderia copiar aquele projeto e assim, refazê-la em uma outra localidade. O que ela prontamente fez.
Contratei um arquiteto e um engenheiro que a projetaram. Mas por outro lado, também tive que contratar 20 pedreiros que trabalharam para mim por carteira assinada. Gastei tanto dinheiro na casa dos meus sonhos, que alguns amigos meus até me disseram, se eu não estava gastando aquela quantia para levantar um prédio de 10 andares, pelo menos.
Ainda consigo me lembrar claramente que eu subia todos os finais de semana para ver o andamento da obra; que um certo dia, me irritei tanto para concluir logo aquela nova moradia, que acabei jogando algumas tabuas pela ladeira abaixo da rampa, tentando aliviar o meu estresse diante daquela demora. O que acabou não adiantando muito, é claro.
A casa foi feita por um espanhol. Ele morava em frente a minha casa. E sua mulher também era uma espanhola. Sendo que a grande parte da vizinhança era feita por portugueses também. E dificilmente tinham alguém que era brasileiro de origem, pelo menos. Não que eu me lembre.
Ao término da construção, era a casa mais suntuosa que tinha na rua. Pois todos os outros moradores queriam saber quem iria morar ali nos próximos meses. E foi assim, que nos mudamos para Petrópolis. Tivemos que procurar boas escolas para os nossos dois filhos, ao mesmo tempo em que compramos novas mobílias também. Pois reaproveitamos bem pouca coisa do pequeno apartamento onde morávamos no Rio. A tarefa foi bem árdua para preencher a nova casa, mas aos poucos fomos conseguindo.
Minha filha, Mariza, foi matriculada no colégio Werneck, que ficava no centro de Petrópolis; enquanto meu filho, Pedro, foi matriculado no colégio São Vicente, uma espécie de internato para aqueles que não moravam na cidade. E assim, com a rotina do dia-a-dia, fomos fazendo novos amigos ao mesmo tempo em que recebíamos nossas famílias aos finais de semana, para que pudessem curtir a área da piscina. O que à longo prazo, se tornou um grande problema. Pois eu só queria receber os meus familiares, enquanto minha esposa só queria receber os dela. Gerando com isso, vários conflitos de ambos os lados que decidimos que não íamos receber mais ninguém. Somente a família de meu sócio, é claro. Ao qual eu ainda nutria muita estima. Pois sua esposa, sempre estava disposta a ajudar a minha mulher com o que quer que fosse, não à sobrecarregando na cozinha ou nos afazeres de casa. O que infelizmente não acontecia quando trazíamos os nossos familiares.
