A primeira à se casar foi minha filha Mariza. Com um rapaz muito humilde, mas que se vestia super bem, chamado: Marco. Ainda me lembro que nossa primeira impressão dele é que ele poderia vir de uma família de posses, por trajar aquelas roupas ditas da moda. Mas isso logo caiu por terra. Pois sua mãe, Geni era apenas uma artista de teatro, que detinha até que algumas amizades da alta sociedade; enquanto seu pai, Lauro, era apenas um simples policial rodoviário federal.
Do outro lado, tínhamos o Pedro, que conheceu Luiza no mesmo dia em que sua irmã casou na Capela Nossa Senhora do Sion, em Petrópolis. Ela trabalhava como empregada doméstica de dona Geni, mãe de Marco. Que fez questão de apresentá-la ao Pedro, e assim, começar quase que imediatamente um novo namoro, mesmo que nós não à aprovássemos de maneira nenhuma, aquela nova relação. Pois talvez em nosso inconsciente, soubéssemos que ele poderia conseguir algo bem melhor do que aquilo. Até hoje não sabemos nada de sua história. Só o que sabemos é que ela veio de Muriaé, tentar uma vida melhor no Rio de Janeiro. E acho que ela conseguiu no final das contas, ao casar com o meu herdeiro, não é mesmo?.
Minha filha logo conseguiu engravidar de um lindo menino, chamado: Guilherme. Meu primeiro neto. Enquanto meu filho, teimava em dizer à Luiza que não queria ter filhos. O que à fez entristecer bastante, pois ela queria lhe dar um herdeiro também. E assim, após muita conversa eles enfim se tornaram pais também. De um menino, chamado: Pedro Henrique. Meu segundo neto.
Nossa família tinha crescido, mas os problemas só aumentavam. Pois tanto Mariza, como Pedro, não se davam muito bem. Pois Marco não gostava de Luiza, pois ela tinha chegado a jogar uma toalha molhada nos olhos recém-operados de sua mãe Geni; enquanto Luiza, simplesmente optava em não gostar da família de seu marido, querendo que ele desse atenção apenas à sua, que ficava em Muriaé. Além é claro, de ela pensar que o primeiro neto, o Guilherme, sempre ter tido muito mais afeto e carinho do que o filho dela. O que talvez agora repensando melhor, talvez ela estivesse realmente com a razão. Mas o que poderíamos fazer, se Guilherme sempre tinha sido muito mais carinhoso e atencioso conosco do que o outro?
A tensão costumava aumentar bastante quando era época de Natal, por exemplo. Onde tínhamos que reunir todas aquelas pessoas que nunca se deram muito bem, para conviver diante de uma impossível harmonia cristã. Que jamais houve. Era algumas patadas daqui e outras de lá. Mas eu e minha mulher conseguíamos contornar a tensão muito bem. Pois depois da ceia íamos logo abrir os presentes, querendo logo despachá-los o quanto antes. Pois eu tinha o hábito de acordar cedo para caminhar até o hotel Quitandinha, e logo na sequência, trabalhar em alguma parte da casa que precisa-se de algum retoque. E em hipótese nenhuma, eu gostava de acordar tarde, pois isso para mim, significava que eu poderia ser considerado um completo vagabundo. Coisa que eu jamais tinha sido.
Os netos por sua vez, também nunca se deram muito bem. Guilherme nunca gostou de Pedro Henrique. Ele o achava muito falso e sem sentimento nenhum. Mas nós sabíamos que Pedro Henrique apanhava muito de seu pai, sem qualquer motivo aparente. E isso talvez tenha feito com que ele reprimisse todos os seus sentimentos para que com isso, pudesse suportar melhor o peso da vida.
Já Guilherme tinha o hábito de ter muitos amigos na adolescência. Mas acredito que o mais próximo era o Adam. Um garoto loiro da nossa rua, que por coincidência ou não, era meu parente também, pois o seu avô era um primo bem distante meu de Portugal. Enquanto Pedro Henrique, meu segundo neto, por mais que ele fosse mais hiperativo que o primeiro, por outro lado, ele gostava de estudar mais em bibliotecas dos diversos colégios, por onde passava — quando seu pai decidia se mudar de cidade em cidade, tentando preencher seu ego e as luxurias de sua esposa, que dificilmente estava satisfeita com algo que obtinha — logo o fizeram ser alvo de alguns bullyings. Pois quem era considerado nerd, sempre tinha aqueles garotos na escola que gostavam mais de menosprezá-lo. Alegando que ele dificilmente era visto com um grupo de amigos, por exemplo.
Talvez Pedro Henrique visse no Guilherme algo que ele não fosse. E assim, estava criando à admiração a longa distância. Pois quando Pedro Henrique vinha de Varginha ou de Muriaé, local onde morava, ele sempre tentava estar perto de seu primo favorito. Mas Guilherme sempre o menosprezava e testava seu primo com jogos psicológicos muito duros. Sem contar as vezes que ele também batia nele sem motivo aparente. Repetindo sem saber, o que ele já sofria com o seu pai, às escondidas.
O gosto amargo da vida, Pedro Henrique já conhecia. E assim, ele aos poucos, foi criando uma personalidade bem apática, onde não dizia quase nada diante de seus familiares. O que para Guilherme foi ótimo, pois quem opinava sobre todos os assuntos era sempre ele e não o segundo neto. Que preferia sempre obervar aquelas opiniões cheias de personalidade e atrevimento de estar diante daqueles homens machistas e cheios de si, como eu.
