A nova casa do Fusca amarelo

Optei em ajudar a construir as duas casas de meus dois filhos, naquele condomínio, que ficava bem atrás de minha casa. Arquei com a casa de minha filha, pois ela ainda não tinha condições de construir uma. Ao mesmo tempo em que também ajudei o meu filho a construir à dele, com ele me ajudando, é claro; tendo em vista que a aeronáutica pagava um pouco melhor.

Meu erro foi não ter consultado minha filha e meu genro para nada dentro da nova casa. Pois eu e minha mulher, sempre dizíamos para eles que não poderiam optar em nada já que quem estava dando a casa à eles era eu. E assim o fizemos. Escolhemos os pisos e os assoalhos, indo até a cor da casa também. Numa autoridade portuguesa jamais vista entre os colonizadores.

Já se tratando da casa de meu filho, que sempre foi o nosso preferido. O deixamos escolher tudo. Pois ele estava contribuindo para a construção da casa junto com a gente também. E assim, era digno de escutarmos as opiniões dele e de sua esposa, que jamais gostamos.

A casa de minha filha, tinha dois quartos, uma sala, um banheiro e uma cozinha com uma pequena área de serviço. Enquanto à de meu filho, tinha três quartos, dois banheiros, uma espaçosa sala de estar e uma garagem, ao qual, depois, optamos em incluí-la também no projeto da casa da minha filha. Por mais que eles não tivessem condições de ter um carro, como o nosso adorado filho tinha.

Ao término da construção, nossos filhos então, passaram a morar em suas novas casas, e enfim, deixaram eu e minha esposa a sós, como tanto queríamos. E assim, logo decidimos viajar para Portugal para descansar um pouco, depois de todo aquele esgotamento físico e mental que tivemos na construção.

Minha filha teve que se virar com o meu neto, e muita das vezes não tinha com quem deixá-lo e assim, ia com ele para o trabalho. Sua nova chefe, não facilitava em nada a sua vida, mas com muito custo e esforço, conseguiu formá-lo na escola. Já minha nora teve sua vida bem mais facilitada, pois eu mesmo ia buscar o meu segundo neto na escola de carro, enquanto minha mulher preparava a comida para ela todo o santo dia, e ainda por cima, ia entregá-la na porta de sua nova casa, escutando sempre reclamações sobre o tempero de sua comida.

Hoje vemos que erramos feio. Pois demos preferência para uma intrusa na família, enquanto nossa própria filha, tinha que se manter com o pouco que ganhava. Mas aos trancos e barrancos ela conseguiu. Pois os meus amigos insistiam para que eu desse um carro à ela, para facilitar sua vida, e assim, eu o fiz, dando-lhe um fusca amarelo, ao qual ela levava meu neto, o Guilherme, para a escola diariamente. Enquanto minha nora, a Luiza, simplesmente tinha optado por parar de trabalhar quando se casou com o meu filho, alegando que o seu novo emprego era cuidar apenas da nova casa, de seu filho e do marido. E aos poucos, foi se transformando numa típica madame da alta sociedade, tendo vindo de baixo como qualquer outra, que acreditava que o luxo era o caminho mais rápido para alcançar a iluminação espiritual cristã.

Mas isso agora tudo tinha ficado no passado. Pois os meus dois netos cresceram e acabaram se distanciando, assim como meus dois filhos também fizeram questão de fazer. Tudo por causa de um novo membro de quatro patas que iniciaria sua trajetória naquela farsa de união familiar, ao qual, tentávamos manter em comunhão, mas que jamais se mantinha em conexão, ainda mais em festas natalinas.


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