Um vício incrontrolável

Essa é a minha história. Vou contar a vocês como tudo aconteceu. Agora que já não faço mais parte dos esquemas de tráfico de drogas, muito menos, das diversas casas de apostas que simplesmente invadiram esse país. Vi diversas pessoas perdendo tudo para os dois tipos de vício. Mas como a corrupção corrompeu todos os polos de nossa sociedade, era quase impossível encontrarmos algum político que fosse contra às casas de apostas, pelo menos. Pois o governo alegava que tinha que estar regularizado dentro do sistema de nosso país. Tendo como único alerta em suas propagandas de Bets, sejam elas na televisão ou nos celulares: “Jogar com moderação.” Como se essa palavra servisse de único alerta para o vício, que aos poucos, ia corrompendo todas as esferas do nosso ser.

Eu comecei a trabalhar nesse ramo por acaso. Pois me formei em arquitetura em uma faculdade pública do Rio de Janeiro. Meus primeiros projetos foram para os traficantes de drogas e logo na sequência, também comecei a fazer o mesmo, para os donos de Bets. E foi assim, que eu aos poucos, fui sendo apresentada ao submundo dessas casas de apostas esportivas. Onde o ganhador é aquele que é esperto o suficiente para não apostar, enquanto o restante da população, fica completamente refém de seus apps de celular, perdendo somas cada vez mais alarmantes de dinheiro.

No início, confesso, que me deu uma certa crise de consciência. Pois eu sabia de onde estava saindo todo aquele dinheiro para aqueles projetos arquitetônicos. Mas depois de alguns projetos, me acostumei com a ideia, pois eu estava ganhando dinheiro honestamente, ao contrário de meus clientes, é claro, que enriqueciam às custas daqueles que não conseguiam controlar as suas impulsividades em jogos de azar.

Até que chegou um momento em minha vida, onde fui convidada à fazer parte como sócia majoritária, em um aplicativo de casa de apostas, onde eu iria ganhar muito mais do que em minha profissão como arquiteta. E assim, eu aceitei a oferta e abandonei para sempre o meu ofício.

Minha família nunca soube disso. Pois eles ainda acreditam que ganhei o meu dinheiro, trabalhando como uma funcionária normal. Mas dificilmente dá para levar uma vida tão boa quanto à que tenho, sem que os outros sofram com as dívidas de jogos.

Nunca pensei que o tráfico de drogas ficaria em segundo plano, em um país de terceiro mundo, como o Brasil. Mas pelo visto, as Bets já podem ser consideradas uma crise global. Só que agora, é regulamentada pelos órgãos governamentais. Deixando bem claro à todos, que perder dinheiro é algo extremamente normal em um novo mundo capitalista, onde poucos enriquecem, e muitos empobrecem ou se endividam com a devida moderação.


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