A máscara social

A primeira coisa que fiz quando me formei em psicologia, foi deletar todas as minhas redes sociais e repensar um pouco mais em meu passado. Aquela famosa década de 90 onde tudo era mais íntimo e real. Alugávamos filmes em locadoras que tinham poucas cópias e normalmente ficávamos extremamente felizes, quando conseguíamos aquele tal filme que todos estavam falando mal à respeito. Ser analógico estava na moda. As pessoas marcavam encontros para namorar, se divertir ou quem sabe até falar mal de algum colega da escola, sem ter nenhum impedimento dos temíveis celulares que roubavam toda a nossa atenção, na virada do milênio.

Ninguém se importava com qual profissão você fosse escolher. Só nos preocupávamos com a educação física, o recreio e com as nossas notas para passar para o próximo ano e nada mais. Enquanto isso, nossos pais se encarregavam de pagar as contas, sempre inserindo-as no meio de suas profissões, onde o sexo era a única fonte de escape que tinham. Pois suas conversas normalmente eram sobre alguma pendência no trabalho, que geralmente desembocava para denegrir alguém que não trabalhava corretamente.

Os nossos boletins eram entregues por semestres à nossos pais, que sempre ficavam zangados com alguma nota em que tirávamos. Porém, sempre dizíamos à eles que nós iríamos melhorar no próximo semestre; até que íamos parar em recuperação em alguma matéria, que à longo prazo, seria totalmente inútil para as nossas vidas. Aí vinham os castigos e a proibição de não sair mais com os seus amigos até que aquilo melhorasse de vez. Hoje penso que isso não seria mais possível. Tendo em vista que as redes sociais assumiram o papel da socialização. Onde ter seguidores é mais importante do que ter amigos.

E até os nossos amigos acabaram não sendo mais os mesmos. Pois normalmente, a primeira coisa em que perguntam para você atualmente é: O que você está fazendo na vida?… Onde normalmente, a grande maioria acaba mentindo à primeira vista, para deixar boas impressões na concorrência. Dizendo que trabalham com tal coisa e que os negócios vão bem. Mas jamais dizem sobre o que sentem quando respiram. Pois a fraqueza jamais pode servir de pano de fundo principal, para a sua máscara social.

Isso ocorre porque viramos adultos. E crescer significa que teremos que engolir muito sapo no trabalho, se quisermos sobreviver e pagar as nossas contas no final do mês, que evitam que não cortem a nossa luz, água ou que sejamos despejados no próximo. O que é ainda pior.

Hoje, já não consigo mais separar o profissional do indivíduo. Pois ser bem sucedido no trabalho, já é o suficiente para termos inveja daquela pessoa. Como se a felicidade estivesse em sua conta bancária e nada mais importasse. Na escola não era assim. Tínhamos acesso aquele ser em formação quase que de maneira integral. Para os professores era um grande privilégio não acessado. Porém, a grande maioria dos educadores só se preocupavam com suas notas no semestre. Punindo aqueles que não estudavam corretamente e enaltecendo os seus pupilos. Como se aquelas notas dissessem quem você era dentro e fora de classe. O que não era verdade.

Só fui me dar conta disso quando sai da universidade. Onde mais uma vez, só nos preocupávamos com as notas e nada mais. Mas por outro lado, pelo menos ainda tínhamos as festas movidas à drogas. Que causavam um relaxamento da pressão de ter que se tornar um adulto bem responsável. Mas e quanto ao ser humano?… Será que a escola e a universidade o preparavam para as intempéries e doenças premonitórias da vida?… Acho que não.   

As vezes, penso que o ensino deveria mudar drasticamente em todo o globo. Porque estamos cada vez mais longe de nossa essência. Pois é tanta ciência que engloba o nosso planeta que acabamos perdendo a capacidade de sobreviver nele. E talvez seja por isso, que ele agora, esteja esquentando à beça. Porque muitos preferem murar suas fronteiras, para impedir que um novo sangue chegue as suas cidades e inspirem outros a mudar as coisas que não são mais ditas, ensinadas ou compreendidas. Porque é muito mais fácil ignorar aqueles que presenciaram guerras, terremotos, fome e desigualdade social. Do que propriamente, acolhê-los em suas novas nações.


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