• Sobre o Autor

Guilherme Müller

  • Os papéis de uma celebridade

    fevereiro 21st, 2025

    – Estás satisfeita?… – pergunta Priscila, sua chefe, de maneira totalmente irritada, enquanto Ágata lhe ajuda a retirar suas coisas do escritório – Nunca pensei que você fosse capaz de puxar o meu tapete. Logo eu que te tratei como se fosse uma filha.

    – Mas eu não puxei o seu tapete! – rebate Ágata, percebendo que era melhor ela ficar calada, pois tudo que disesse seria pior de se compreeender com raiva no coração – Foram os acionistas do jornal que me ofereceram a vaga. E eu como sou muito ingênua, nunca poderia imaginar que seria para ocupar o seu cargo. Pois senão, eu mesma teria negado na mesma hora. Não achas?

    – Não sei mais o que dizer… E levo-me a crer que agora irei desconfiar até da minha própria sombra também. E acho que daqui para a frente você deveria fazer o mesmo que eu.

    Priscila se despediu de seus funcionários com lágrimas em seus olhos. Foi um momento muito difícil de se assistir. Ágata ficou como vilã da história toda, mas ela não se importou. Descarregou tudo em seu trabalho e lá no fundo, ela sabia que seus colegas de trabalho também iriam fazer isso.

    Não precisa nem dizer que Ágata começou a sofrer retaliação quase que imediatamente, com crimes de xenofobia e racismo, pois alguns colegas de trabalho não aceitavam as ordens de uma brasileira naturalizada portuguesa. Mas mais uma vez, ela não se importou e resolveu seguir em frente. Seus colegas continuavam atrasando suas matérias de propósito para colocar nos jornais. E o que ela fez? Bem… Ágata resolveu escrever ela mesma as matérias sobre cada assunto e colocar nos jornais com os pseudônimos devidos. Não precisa nem dizer que isso causou um alvoroço tremendo na redação do jornal, levando-o como consequência ao maior número de demissões que um só jornal já viu em toda a sua criaçao e desenvolvimento pessoal.

    Quando a nova chefe da redação se deu conta, estava quase sem nenhum jornalista comprometido com o seu ofício. E o que ela fez?… Bem… resolveu começar a contratar estagiários que ainda estavam cursando a universidade, pois além de ser bem mais em conta do que contratar um jornalista já formado; também era muito mais eficaz porque os estagiários estavam ali para mostrar todo o seu desenvolvimento com a sua futura profissão. E no final, só ficavam os melhores mesmo.

    Quando Ágata percebeu, a grande maioria dos funcionários que ela resolveu contratar para o jornal, era de uma nacionalidade diferente. O que deixava o jornal com um aspecto bem diversificado e com vários pontos de vistas diferentes, de acordo com a cultura e a experiência individual que cada um trazia consigo.

    A reformulação do jornal foi sentida por todos os mais assíduos leitores. Pois a visão do jornal ia contra a extrema direita que queria punir os imigrantes de seus respectivos países, sem entender que eram eles que nutriam a economia de cada estado econômico. Ágata simplesmente não deixava que essas visões de mundo tivessem espaço em sua redacão, pois ela alegava que aquele novo jornal era feito por imigrantes. E por isso mesmo, não podiam ter distinção de classe, etnia ou religião. Pois ela acreditava no conceito de cidadão e cidadã do mundo.

    Uma coluna era de origem belga, outra francesa, italiana, espanhola, portuguesa, brasileira, inglesa, alemã, irlandesa e por aí ia. Os novos funcionários começaram até à pensar que Ágata contratava seus novos funcionários mais pela nacionalidade que detinham, do que pela competência propriamente dita. Mas ela tinha faro para caçar novos talentos jornalísticos. Bastava algumas entrevistas apenas e ela imediatamente já os colocava para fazer a próxima matéria de capa. Como se aquilo fosse um enorme desafio. E todos acabavam entregando excelentes trabalhos profissionais. E como consequência, o jornal deslanchou ainda mais. Atraindo mais acionistas, assinantes e leitores que começaram a abandonar seus livros de cabeceira para atender a demanda das matérias que muita das vezes saiam até de madrugada, em modo home office.

    Os acionistas depois de um certo tempo, decidiram aumentar o jornal. E ele logo passou a ser enorme para os padrões de leitura europeus. Mas mesmo assim, você sempre via um ou outro na rua com ele embaixo dos braços como se quisesse dizer que era muito bem informado e metido a intelectual de esquerda.

    O jornal era visto nos cafés da cidade e em restaurantes. E imediatamente toda a população de Portugal passou a aderi-lo em suas conversas mais abstratas e filosóficas. Ágata precisou contratar seguranças de elite, pois ela não podia mais sair nas ruas, que era vista como a mais nova CEO de uma empresa de informação em anscensão. Muitos a comparavam com os novos empresários do Vale do Silício. Porém, ela teimava em dizer que o que ela fazia era somente reger a sua própria orquestra rumo à um mundo mais informado e digno de ter cidadãos mais conscientes sobre questões políticas.

    Ágata passou a usar as mesmas roupas, alegando que não gostava de pensar todo o dia o que iria usar. E assim, foi taxada como gênio de sua propria geração. Pois ela tinha reformulado um jornal inteiro em busca de uma melhor consciência global. Melhorando seus lucros e abaixando seus riscos de falência, que sempre eram estampados em outros jornais rivais. Saiu na revista Time como a pessoa mais influente do mundo. Se tornou uma das pessoas mais ricas do mundo. Ficando atrás somente dos generais da tecnologia.

    Agora muitas garotas se espelhavam nela. E o jornalismo se tornou o curso mais procurado do mundo. Tirando o posto da tecnologia da informacão e de todos os outros setores que também eram totalmente dependentes da futura inteligência artificial.

    Muitos diziam que ela tinha devolvido a capacidade de pensar para as pessoas novamente. Pois muitos deixavam agora os seus celulares em casa e saiam apenas com o seu jornal predileto embaixo do braço tendo como destino final o trabalho, a academia ou algum sarau com os amigos que com toda a certeza, iriam discutir os temas que estavam mais em voga no momento.

    Ágata foi citada entre a cúpula sueca, para ganhar o próximo Prêmio Nobel de Literatura. Por seu trabalho em manter o bem estar social de toda a nação em conformidade com a diversidade social; e por lutar de maneira incansável contra as ideologias da extrema direita que regrediam toda a nação que dava voz à elas em suas pautas políticas, econômicas, sociais e culturais também.

    Todos os jornais e revistas especializadas queriam saber agora aonde ela tinha nascido, crescido e se desenvolvido como cidadã do mundo. Fazendo diversas perguntas à ela em diversas línguas que ela tinha que se virar para responder e provar que era políglota com distinção também. Aonde ela teve a ideia para uma nação mais inclusiva? O que ela achava da educacão mundial? Por que Paulo Freire tinha sido completamente esquecido no Brasil e não no mundo? Eram essas as perguntas que ela tinha que responder na ponta da língua sem gaguejar.

    Sua presença gerava desmaios e euforias que era muito difícies de serem contidos. Sem à sua autorização, algumas editoras acabaram reunindo todas as suas crônicas e contos em um enorme livro que acabou virando uma espécie de bíblia para o novo mundo artificial que estava se transformando de modo cada vez mais rápido.

    E é claro que ela não gostou nada disso, mas no final resolveu não processar as editoras, porque ela acreditava que a escrita era para ser divulgada, discutida e apreciada de maneira totalmente gratuita também. E assim, seu livro não autorizado se tornou rapidamente um best seller. Desbancando livros de Paulo Coelho e J.K Rowling das listas de jornais como o The New York Times, por exemplo. E figurando por décadas na lista dos mais vendidos de todo o mundo.

    Sua casa no Brasil tinha virado uma espécie de museu. Sem contar em sua escola, que a grande maioria sonhava em entrar como se fosse uma nova Universidade com ascendências medievais, como era o Caso de Oxford e Cambridge, na Inglaterra.

    A Universidade do Porto, onde ela estudou jornalismo, virou a maior da Europa, com investimentos vindos até da Arábia Saudita. E imediatamente Portugal se tornou o lar para turistas e estrangeiros que se acotovelavam para estudar e viver por ali, nem que fosse para visitar a livraria lello, onde Ágata também tinha trabalhado com afinco e amor, em seu período universitário.

    Fizeram estátuas dela no Brasil e em Portugal. E volte e meia os dois países brigavam para saber em qual país seus restos mortais ficariam caso ela sofresse algum atentado, juramento de morte ou fosse simplesmente assassinada em praça pública, por causa de seus pensamentos nada ortodóxos.

  • Os novos destinos da minha escrita criativa

    fevereiro 20th, 2025

    A Inteligência artificial era outro tema bem discutido na redação do jornal. Ágata tinha lido nos jornais que os chineses estavam utilizando essa tecnologia para substituir as consultas psicólogicas que estavam cada vez mais caras. O que na visão dela era super válido de se fazer.

    E claro que isso trazia muitas discussões divergentes para o centro da mesa. E sua opinião começou a ser muito discutida tanto dentro como fora da redação também. Porque muitos se perguntavam se era realmente válido substituir uma pessoa em seu ofício por uma máquina que tinha sido recem treinada para isso.

    Ágata discordava totalmente desse ponto de vista. Alegando que a inteligência artificial tinha vindo para trazer uma revolução no mercado tecnológico. E a substituição da mão de obra humana pela tecnológica era sim, muito bem vinda. Pois em sua visão, em alguns casos terapêuticos era muito difícil diagnosticar uma pessoa e tratá-la com a responsabilidade devida.

    Outros acreditavam que os piscólogos poderiam pedir ajuda para a inteligência artificial caso não conseguissem guiar seus pacientes pelas estradas da vida; que muitas das vezes poderia ser bem doloroso e angustiante.

    Mas Ágata se mantinha firme em suas convições e logo foi afastada da redação por pensar fora da caixa. O engraçado foi que ela pensou que o jornal tinha lhe contratado por ela pensar exatamente desse jeito pouco convencional. Mas isso não durou muito. Ela logo retornou pois a Europa fez um abaixo assinado pedindo ela de volta ao seu ofício da escrita reflexiva. E assim, ela voltou com a língua muito mais afiada.

    Denunciava as políticas de Donald Trump em relação à ele querer celar a paz duradoura entre a Rússia e a Ucrânia sem que este último, estivesse na sala de negociações. Além de ela também ter tido uma matéria na capa principal do jornal, denunciando a saudação nazista de Elon Musk no momento em que entrou para a cúpula de Trump em Washington, que acabou à deixando mais conhecida ainda em todo o mundo.

    Recebia convites das principais editoras do mundo para escrever um livro reunindo todas as suas crônicas e contos da contemporaneidade, que ela negava sempre, alegando que sua escrita era para ser debatida bem rapidamente entre amigos, colegas e inimigos mais ferrenhos. Pois poucos tinham dinheiro para comprar livros muito extensos que falavam sobre o mesmo assunto até o final dele.

    Pois Ágata sempre gostou mais de jornais. Aquelas notícias sobre o mundo sempre lhe fascinavam muito mais. Nunca foi muito ligada em livros. Sempre os achava chatos e desinteressantes. Mas o jornal era muito diferente. Cada sessão falava sobre um assunto em específico; o que lhe remetia ao seu avô, que lia todos os dias, um jornal por inteiro, fazendo-o uma pessoa muito interessante, cheia de sonhos e pensamentos para o futuro da sociedade.

    Os assuntos que Ágata mais gostava quando era pequena era sobre política e tecnologia. Mas seu avô lhe contava apenas as histórias de infância de Bill Gates, Mark Zuckerberg e Steve Jobs. E o duro que eles passaram para chegar no lugar que chegaram.

    Isso tudo lhe fascinava. E era até um pouco decepcionante para ela ter Elon Musk, o homem mais rico do mundo se envolvendo em políticas de extrema direita. Logo ele, que era dono da Tesla, Space X e X (antigo twitter).

    Ágata leu o seu primeiro livro só quando entrou para o curso de jornalismo na Universidade do Porto. Lia por obrigação pois sabia que poderia utilizar aquelas conhecimentos em seu futuro ofício como jornalista, mas logo voltou a ter o hábito antigo de ler um jornal por inteiro para se informar sobre o mundo. As vezes ficava até de madrugada lendo os tutoriais e colunas que mais gostava. Além de tentar copiar o estilo de alguns jornalistas que tinha admiração de longa data, para ver se sua escrita ficava um pouco mais parecida com aquele do que com este que vos fala.

    Suas colunas ficavam cada vez mais ácidas. E muitas das vezes, até parecia que fazia de propósito só para ver o que sua chefe iria fazer depois que aquilo saísse nos jornais de domingo.

    Todos na redação começaram a ficar com uma certa inveja dela. Pois tudo o que ela escrevia ia imediatamente para os jornais sem muita das vezes passar pelo crivo editorial. Até fizeram uma pesquisa para avaliar a qualidade do jornal e muitos disseram que só compravam o jornal por causa das crônicas de Ágata, pois o resto parecia não estar no mesmo nível que a escrita dela.

    Não precisa nem dizer que isso gerou um fuzuê danado na redação. Pois alguns sentiam muita raiva dela. Porém, Ágata sempre se mostrou muito prestativa com os colegas de trabalho, ajudando-os em seus textos e sempre que podia lhe trazia cafés e vinhos importados de presente.

    Isso pareceu amenizar um pouco as coisas mas ela sabia que seus dias estavam contados ali no jornal. Pelo menos era o que pensava. Pois já tinha feito de tudo: colunas, crônicas, contos, matérias de capas, cadernos de cultura e folhetins para políticos de forma anônima e agora já revelada.

    Para qualquer jornal que ela escrevia na semana, era sempre o mais vendido e isso à deixou exarcebada de trabalho. O que antes era digno de prazer se tornou algo extremamente extressante. Era hora de pedir um aumento mais que merecido para a sua chefe. Pensava ela. Porém, o que ela não tinha como imaginar era que o lugar de sua chefe estava sendo cogitado para ela assumir muito em breve.

  • Sendo uma cidadã do mundo

    fevereiro 19th, 2025

    O ambiente na redação do jornal era muito acolhedor e familiar. Pois todos os jornalistas na hora do café paravam para falar sobre as suas colunas. Diziam que a economia e a política do Brasil não ia bem; se preocupavam com as novas eleições para primeiro ministro na Alemanha; se intrigavam com as demissões em massa que também estava acontecendo na Wolkswagen, Mercedens-Benz e BMW, por causa da mudança dos combustíveis fósseis para a energia elétrica de suas baterias super potentes também.

    Entre uma conversa e outra, sempre tinha espaço para quem era affair de quem na redação. Ágata tinha todos os homens dali aos seus pés. Mas ela parecia não querer ter tempo para aquilo. Pois sua preocupação era tão grande em viver que ela se esquecia de outras necessidade básicas como o sexo, por exemplo.

    Um vinha à sua mesa lhe entregar buques de rosas, outro ia lhe entregar sua coluna em primeira mão, enquanto o mais safado lhe enviada mensagens em seu Macintosh marcando um horário num restaurante super chique de Portugal, ao qual ela nunca comparecia.

    Muitos se intrigavam com aquilo, porque a grande maioria que estava naquela redação tinha algum caso ou paquera dentro ou fora do jornal, que servia como uma grande fonte de distração diante daquele mundo cada vez mais anti democrático.

    Ágata chegava na redação sempre de forma muito pontual. Deixava sua bolsa em sua mesa e ia logo pegar o café que servia para ela espantar toda a preguiça que sentia ao pensar em temas abstratos para as suas futuras colunas.

    Discutia política, economia, cultura e arte com o máximo de afinco como se aquilo fosse sua vida em tempo integral. Muitos diziam pelas suas costas, que ela devia procurar um relacionamento para esquecer um pouco o que estava acontecendo no mundo, mas de nada adiantava. Seu mundo era aquele e ela era o mundo.

    Acredito que a maioria das mulheres tinham uma certa inveja dela, principalmente, porque elas lhe viam como a essência máxima da liberdade e empoderamento; sem filhos e muito menos amantes. Ágata vivia sem ter que explicar para onde ia ou com quem iria, à que horas poderia voltar para cuidar de seus filhos e essas coisas que uma família se preocupa quando alguém sonha em ter um ambiente familiar estável e neutro. Livre de ser surpreendido pelo acaso de viver em completa liberdade de ir e vir que poucos sentiam, mas que muitos sonhavam depois de ter filhos.

    Na redação era a única que falava em ser nomade. E dava para perceber a excitação que sentia ao pensar em não ter casa e um lugar fixo para voltar depois do trabalho. Apesar de sempre voltar para o mesmo apartamento que comprou desde que chegou em Portugal para morar.

    Acredito que a liberdade que ela mais queria era a do pensamento apenas. Ainda mais sendo uma imigrante em terras lusas. Ela gostava do fluxo de trocas entre um estrangeiro e um residente. Pensava que isso por sí só já valia todo o esforço de ter conseguido mudar de país, pois a cultura que os outros lhe transmitiam não tinha preço.

    Cada língua tinha seus dialetos de desejos e aspirações que muita das vezes uma única sociedade não compreenderia com uma certa facilidade. Por isso, a importância de viajar e experiênciar outras culturas servia-lhe para expandir a sua mente tentando nunca criar certos preconceitos entres povos e nações.

    É claro que ela se preocupou quando os Estados Unidos resolveu fechar as suas fronteiras em definitivo para receber os imigrantes. Pois ela sabia que aquele país poderia ganhar muito mais com as fronteiras abertas do que com as porteiras fechadas. Seu maior medo era que a Europa e o mundo fizessem o mesmo movimento norte americano, impedindo assim, que a economia ficasse mais miscigenada e plural.

    Ágata sentiu um certo preconceito quando veio morar em Portugal. Ela rapidamente teve que se adaptar com a pronúncia das palavras na Universidade para não ser hostilizada pelos professores mais conservadores, é claro; no ato da compra do seu imóvel, por exemplo, foi um outro caso. Onde a família só aceitou fazer a transferência de propriedade mediante ao pagamento à vista, por ela ser brasileira; sem contar na livraria lello também, onde seus colegas de trabalho não aceitavam de maneira nenhuma as ordens de uma simples brasileira; e na redação do jornal também não foi nada diferente no inicio pelo menos. Pois ela era a única estrangeira.

    Por ter passado por todos esses percalços, Portugal ainda era em sua opinião, um lugar muito acolhedor com os seus imigrantes. Era só você ser educada e saber respeitar as filas que enlançam a sua vida cotidiana. Seja para comprar roupas ou ir até um restaurante requisitado.

    Em sua visão, era exatamente isso que fazia o mundo valer a pena. Você saber respeitar outras culturas e sociedades e ter que se adaptar à elas levando consigo, suas próprias experiências e visões de mundo que poderiam sempre ser mudadas e transformadas em uma nova cidadã do mundo. Independente de onde você veio ou vai daqui para a frente.

  • Um pequeno espaço no jornal à fez ser uma celebridade

    fevereiro 18th, 2025

    Era mais um dia comum de inverno na Europa. Ágata estava muito feliz e aliviada ao mesmo tempo, pois finalmente não precisava mais se especializar em mais nada, pelo menos era o que pensava. Tinha passado por todas as etapas acadêmicas com maestria. E ao final de sua formatura, foi lhe dada o título de doutora Honoris Causa por seu exímio trabalho acadêmico.

    Ela preferia cumprir as cargas horárias de seu trabalho de 20 horas já no inicio de toda semana, para que assim, pudesse ficar livre de ter que ir na redação ao fim da semana. Pois as suas 10 horas finais ela gostava de cumpri-las em restaurantes ou embaixo da ponte do rio olhando os barquinhos que atracavam no Porto, fazendo anúncios de vinhos e outros utensílios.

    Ágata além do inglês, também estava aprendendo espanhol, frânces e alemão. E por incrível que pareça estava dando conta de todos os exercícios de fixação de vocabulários, além de estar sempre marcando um tempinho em sua agenda para praticar conversação com outros poliglotas que tinham pelo mundo através do aplicativo cambly.

    Aquele era definitivamente o seu lugar. Porto era uma cidade muito especial para ela. Porém, desde que Donald Trump e Elon Musk entraram na política parecia que a Europa estava se modificando aos poucos. Porque os assuntos mais comentados na internet era a imigração desenfreada além é claro, da guerra da Rússia com a Ucrânia que já durava três anos ininterruptos.

    Sua última crônica tinha saido no jornal no domingo e teve uma excelente repercussão na redação e fora dela também, pois ela falou que todos os países da Europa precisavam aceitar os imigrantes se quisessem que a sua economia se estabilizasse, para que assim, pudesse gerar cada vez mais empregos prósperos para a sua sociedade. E que o fluxo de pessoas indo e vindo sempre fizeram parte da civilização como um todo. E que um indivíduo não puderia viver sendo restrito em alfandegas mundo afora, sendo tratado muitas vezes, como um prisioneiro de guerra.

    Sua capacidade de prender a atenção do leitor e levá-lo a refletir sobre temas pouco expostos na mídia à fez ficar reconhecida em toda a Europa, que rapidamente providenciou de traduzir suas crônicas e contos para diversas línguas. E assim, seria um pouco chato se ela não se torna-se uma poliglota nata, pois Ágata já tinha começado a pensar na possibilidade de escrever livros sobre diversos temas em específico e quem sabe, poder fazer um tour pela própria Europa para divulgá-los em bienais mundo afora também. E nada melhor do que se sentir confiante diante de um novo idioma ainda pouco explorado em sua educação auto didata.

    Em todos os ambientes que ela aparecia muitos vinham cumprimentá-la por suas habilidades excepcionais de escrita e retórica, que a grande maioria via em noticiários locais com a sua presença sempre marcante e envolvente.

    Alguns partidos de Portugal até tentavam fazer com que ela se associasse como membro efetivo de suas siglas e marketing’s pouco envolventes, mas ela se sentia mais capacitada em ficar somente no jornalismo mesmo, sendo reconhecida como uma grande escritora que prendia a atenção de seus seguidores em apenas poucos caracteres em suas colunas semanais no jornal.

    Faça um livro senhorita Ágata!

    Era o que sua chefe Priscila começava a lhe insistir toda à vez que ela lia alguma crônica de sua funcionária predileta. Mas Ágata se mantinha fiel a seus leitores mais curtos no jornal, pesquisando com muito afinco o que estava acontecendo no mundo, para que a leitura fosse breve e ao mesmo tempo muito informativa e filosófica também.

    Pois Ágata gostava que os seus leitores refletissem por conta própria, sobre diversos assuntos, os levando-os a se sentirem parte de uma sociedade pensante e não apenas membros assíduos de redes sociais que pouco lhes informavam e só entretiam em momentos solitários e tristes.

    Escrever era libertar-se e libertar-se era escrever, pensava Ágata. Porém, ela amava ser lida e discutida em pubs e restaurantes ao redor do mundo como se fosse uma política que fazia movimentações sindicais em torno da Europa, com aspirações mais elevadas sobre o que cada ser humano era capaz de fazer em sua vida, para que conseguisse mudar sua realidade através de sonhos literários.

  • A escrita na redacão de um jornal

    fevereiro 17th, 2025

    Ágata estava toda feliz por ter conseguido dar conta, ao longo desses anos todos, das demandas acadêmicas de sua Universidade. E agora ela estava indo para a redação em seu primeiro dia de trabalho, como jornalista. Mas ela ainda sentia muita falta de seu antigo trabalho na livraria lello. Atender as pessoas e dizê-las aonde estava um determinado livro era um prazer inestimável para ela. Mas por outro lado, ela sabia que para alçar voos mais altos era preciso abandonar seu presente e seguir rumo à um futuro ainda inexplorado e muitas das vezes, em um primeiro momento, até um pouquinho hostil.

    – Bom dia!

    – Você deve ser a senhorita Ágata, estou certa disto?

    – Sou eu mesma!

    – Bem vindo ao jornal!… Vou lhe mostrar a sua mesa. Venha comigo, por favor.

    Ao caminhar até a sua mesa, Ágata contemplou toda aquela redação do jornal e é claro que se deslumbrou com tudo aquilo. Cada jornalista tinha um Macintosh de última geração em sua mesa, para fazer matérias exclusivas sobre o que estava acontecendo em todo o mundo com o máximo de profissionalismo, é claro.

    – Aqui está a sua mesa!… Espero que goste de sua acomodação para fazer as suas matérias com o máximo de atenção e ética. Uma dica: se preocupe em esmiuçar ao máximo suas fontes pois a chefe da edição adora isso. Tudo bem?

    – Desculpe… mas como você se chama mesmo?… – pergunta Ágata, ainda tentando se concentrar em sua mesa apenas.

    – Me chamo Joaquina!… Fique bem aqui pois daqui a pouco a nossa chefe irá te chamar para lhe dizer sobre que parte do mundo você ficará encarregada de cobrir. Tudo bem?

    – Ótimo!

    Ágata resolve ir tirando as suas coisas da bolsa para ir enfeitando um pouco aquele escritório branco que mais parecia saído de uma fábrica de produção. Mas no momento seguinte, ela olha para o seu Macintosh ligado e uma chamada entra na tela vindo da alta cúpula do jornal. Devia ser a sua nova chefe.

    – Alô!… Quem fala?

    – Me chamo Priscila e sou a chefe deste jornal… – informa a imagem com áudio do outro lado da redação – Seja muito bem vinda ao nosso jornal!

    – O prazer é todo meu!

    – Para nós é uma honra muito grande termos escolhida você para escrever em nome da opinião editorial deste jornal que vos fala. E assim, gostaria de ir direto ao ponto por aqui.

    – Faça o favor!

    – Bem… Lhe demos essa oportunidade de emprego pois lemos algumas matérias que você escreveu ao longo de sua formação acadêmica sobre o mundo e nos interessamos muito em ter você em nossa estimada equipa. Feito isso, chegou a hora de te informamos sobre o que você irá escrever no jornal de domingo por enquanto.

    – Mas quer dizer que só vou ter uma coluna semanal aos domingos? – pergunta Ágata se sentindo um pouco prejudicada com isso tudo.

    – Exato! Mas você precisa entender que só os melhores de Portugal escrevem aos Domingos e deixamos uma coluna livre em nosso jornal para você escrever sobre o que quiser. O que acha desta proposta?… Pois vamos entender perfeitamente se não quiser fazer parte de nossa equipa.

    – Mas é claro que eu aceito a proposta! – Ágata se endireita na cadeira, como se estivesse reformulando os seus pensamentos em relação ao novo emprego.

    – A carga horária é de 20 horas semanais obrigatórios na redação e mais 10 horas livres ao estilo do home office. E o salário é de 15 mil euros mensais. O que achas disto?…

    Ágata ficou sem palavras. Quer dizer então que tudo que ela tinha feito tinha valido muito à pena. Afinal, no final de seu pós doutorado ela já estava muito cansada e esgotada mentalmente. E agora ela poderia descansar escrevendo sobre o que ela quisesse e somente aos domingos. Parecia um sonho, mas felizmente não era.

    – Mas é claro que eu aceito, senhorita Priscila. E já quero começar a pesquisar sobre o que vou escrever no próximo domingo. Mas acho que vou ficar encarregada de escrever sobre as políticas internacionais mesmo. O que achas?… Pois sempre foi um assunto que me fascinou muito. Informar meus novos leitores sobre o que está acontecendo no mundo em forma de crônica ou conto é um verdadeiro sonho. Além de tentar captar a atenção deles em poucas palavras num mundo repleto de informações em seus telemóveis.

    – Então mãos à obra senhorita Ágata! Mal posso esperar para ler as suas crônicas de domingo antes de todo mundo. Só não esqueça de me enviá-las para poder aprová-las antes. Tudo bem?

    – Perfeito! – Ágata imediatamente encerra a ligação e já começa a ler as matérias de jornais europeus em seu Macintosh, ao mesmo tempo em que fazia anotações em seu caderninho de bolso rosa imaginando futuros textos de qualidade que o leitor iria querer em quantidades cada vez maiores até que ela conseguisse uma matéria de capa naquele jornal do Porto.

  • Sendo uma jornalista muito eficiente

    fevereiro 16th, 2025

    – Quero me candidatar a vaga de livreiro, por favor… – informa Ágata ao adentrar pela Livraria Lello já com o seu currículo em mãos.

    – Você tem disponibilidade de horário?… – pergunta a gerente da livraria.

    – Tenho sim!… Estou livre na parte da manhã e da tarde também. Pois à noite eu estudo jornalismo na Universidade do Porto – informa Ágata, ao perceber que as suas mãos estavam completamente suadas por causa de sua ansiedade.

    – Perfeito!… A vaga é sua… – informa a gerente, indo pegar o avental de sua nova funcionária.

    Ágata mal conseguia acreditar naquilo que estava acontecendo bem em sua frente. Ela tinha conseguido um novo emprego e um curso para cursar na Universidade. Tudo em apenas dois dias que estava ali na cidade do Porto, em Portugal.

    – O trabalho por aqui é bem fácil e dinâmico… – informa a gerente – pela manhã organizamos nas estantes os novos livros que entram no sistema e atendemos os clientes no hall de entrada também. Pois enquanto um grupo faz o primeiro serviço, o segundo grupo, fica encarregado de atender os clientes que entram na livraria em fila. Entendeu?

    – Sim!

    – Você vai começar pela organização dos novos livros que entram pelo sistema até decorar onde cada sessão fica; tudo bem?…

    – Está ótimo! – Ágata reage de forma totalmente confiante, ao amarrar os fitilhos do avental vinho e verde atrás das costas.

    Conforme Ágata ia organizando os livros no sistema e nas estantes, ela não pôde deixar de reparar nos clientes que entravam na Livraria Lello pedindo uma difusão enorme de assuntos, que estavam em sua cabeça. Arte, Sociedade, Cultura, Econômia, Inteligência Artificial, Esportes, Biografias e por aí ia. Mas logo Ágata entrou em choque, pois os funcionários sabiam falar diversas línguas de maneira fluente enquanto ela só sabia falar português e um pouco de inglês apenas.

    Talvez aquela livraria era a única no mundo que cobrava pela entrada, por ser a livraria mais bonita do mundo, eleita pela Europa, é claro. Então já daria para imaginar como seria o novo mundo profissional de Ágata no meio de todos aqueles gringos, que já sabiam o que queriam mesmo antes de se deparar com aquelas escadas que serviram de inspiração para o mundo mágico de Harry Potter.

    Ágata saia todos os dias às cinco da tarde e pegava na Universidade do Porto às sete horas da noite em ponto. Passou-se dias, semanas e meses e de repente ela já estava conseguindo falar com a maiora dos gringos em inglês sem gaguejar uma só palavra, o que deixava os outros funcionários muito enciumados, porque ela dizia que nunca conseguiu terminar um curso de inglês sequer, mas de tanto estudar por conta própria a língua ela acabou pegando o jeito da coisa e deslanchou no novo emprego chegando ao cargo de supervisora de seus colegas de trabalho.

    No curso de jornalismo não foi diferente. Ela se empenhou com unhas e dentes e já começava a sonhar em ser uma correspondente internacional já que o inglês para ela já não era um problema assim tão grande. Ela conseguiu fazer amizades sólidas que sonhavam junto com ela sobre o que iam ser dali para frente. E assim, os períodos foram passando até que ela chegou em seu dia de formatura; mas já pensando em que ia fazer de Mestrado e Doutorado.

    Por fim, ela optou em fazer jornalismo internacional em seu Mestrado e Doutorado até que ela chegou no cargo de gerente da Livraria Lello no mesmo ano em que estava terminando o seu Pós Doutorado pela Universidade do Porto, mas já com um outro emprego em mente na redação do jornal local.

  • Rumo a um novo apartamento, universidade e livraria

    fevereiro 15th, 2025

    O desembarque no aeroporto do Porto foi bem tranquilo. Fui seguindo o fluxo das pessoas pelo terminal. Passei pelas lojas de perfumes, roupas e comidas. Preferi não comprar nada, pois estava mudando o meu jeito consumista de ser.

    Ágata enfim, depois de doze horas de viagem, finalmente desembarcou em Portugal. Esatava ansiosa para encontrar a sua advogada que também era corretora de imóveis por lá.

    – Chegou bem de viagem? – pergunta sua advogada no instante em que ela liga os dados móveis de seu celular.

    – Cheguei sim! – responde Ágata ao ficar totalmente perplexa ao vê-la – Não vai me dizer que você també estava no mesmo voo que eu?

    – Estava sim! Bem atrás de você.

    – Já quero ver os apartamentos disponíveis o quanto antes. Tudo bem para você?

    – Sem Problemas!

    Sua advogada lhe levou logo pelas vielas do Porto, onde sua infância era repleta de memórias e lembranças de suas férias de natal. Ágata já ia se deslumbrando com os turistas fora de estação, que sempre andavam em grupos, para que assim, pudessem expressar suas impressões daqueles locais bastante acolhedores.

    O dia tinha sido muito produtivo para ambas. Sua advogada lhe levou a dezenas de apartamentos naquele dia, que suas pernas estavam começando a ter fortes cãimbras que era até difícil escondê-las ao andar por aquelas vielas.

    – Já me decidi Elizabeth!

    – Mas como assim?… Nós ainda estamos no primeiro dia apenas… – reage a sua advogada, tendo medo que sua cliente faça uma escolha sem pensar, como sempre tinha feito em sua vida.

    – Gostei daquele que fica no centro, perto da Universidade do Porto, onde fica perto de restaurantes, mercados e bancos. E isso é tudo de que eu preciso já que eu não gosto de ter carro para me levar aos locais desejados. O que achas?

    – Bem… se você está feliz… por mim tudo bem. Podemos fazer uma proposta.

    – Quanto eles estão pedindo? – pergunta Ágata, como se aquilo fosse desnecessário de se fazer.

    – Oitocentos mil euros! Mas sempre é bom lembrar que esse tem três quartos além de um escritório extra para que você possa produzir os seus textos.

    – Perfeito Elizabeth! É esse que eu quero então.

    – Amanhã irei fazer uma proposta para eles. Tudo bem?

    – Só não esqueça de dizer à eles que sou cidadã portuguesa e gostaria de comprar o imóvel porque fica perto de tudo, inclusive da Universidade do Porto, local onde pretendo estudar o quanto antes.

    – Pode deixar!

    – Então tá! Até amanhã.

    Ágata aproveita aquele tempinho extra em sua agenda e decidi se matricular logo no curso de jornalismo da Universidade do Porto. Plano esse, que já estava vindo à pensar enquanto ainda estava dentro daquele avião da TAP Air Portugal.

    Porém, inesperadamente no momento em que estava passando em frente à Livraria Lello. Ágata pôde reparar que um dos funcionários de lá estava colando uma placa fora do estabelecimento onde se dizia:

    Precisa-se de funcionários que ainda estão à estudar na Universidade. Favor entrar em contato com a gerente o quanto antes. Não deixes está oportunidade lhe fugir pelas mãos.

  • Portugal em seu plano de voo

    fevereiro 14th, 2025

    Sempre gostei de aeroportos. Gosto de me sentar no chek in e ver todas aquelas pessoas indo e vindo com os seus sonhos e projetos de vida. Além de todas aquelas línguas que se misturam com as chamadas dos voos mais imediatos também.

    Ágata pega a sua mala das mãos da motorista do Uber e já à coloca em um carrinho para poder transportá-la melhor. Ela decidi entrar no aeroporto com o pé direito para dar sorte, mesmo sabendo que isso de nada adiantava dali para frente. Pois ela estava ao destino do acaso. Não sabia se ia conseguir um apartamento apropriado para o seu gosto pessoal; muito menos se ia se adaptar àquela nova vida que estava prestes a lhe bater a porta diante de uma cultura que era totalmente diferente da que estava acostumuda no Brasil.

    Por mais que eu tenha dificuldade em aprender línguas, sempre achei outras culturas fascinantes. Escutar outras línguas, dialetos e expressões me fazem ter pensamentos muito altruistas e filantrópicos. Além de me fazer pensar que eu não sou o centro do universo. E isso por um lado é muito bom. Me faz crescer e amadurecer, mesmo que eu não entenda nada do que dizem ou expressam nesses dialetos nórdicos.

    – Passagem e passaporte senhorita?… – pede a atendente do aeroporto.

    – Aqui está!… – Ágata lhe entrega os documentos.

    – Passagem só de ida mesmo?

    – Sim!

    Agora já não tinha mais volta – pensava Ágata enquanto a atendente do voo checava tudo – O Brasil só seria agora uma lembrança muito remota em sua memória e nada mais. Por aqui tinha estudado, feito amizades e romances que ela iria levar como experiência para a nova terra prometida.

    – Tudo certo senhorita Ágata! – A atendente lhe devolvia os seus documentos, já percebendo que ela também tinha a tão sonhada cidadania portuguesa, que muitos anseiavam e poucos conseguiam em tempos de anti-imigração como aqueles – Boa viagem!

    – Obrigada!

    A fila para o embarque no Air Tap Portugal era muito longa. Mas enfim, às oito horas da noite, Ágata finalmente entrou naquele avião se ajeitando perto da janela para contemplar o tão sonhado mar que seus pais sempre insistiam em cada viagem que era lindo e majestoso.

    Enquanto todos se ajeitavam em seus respectivos lugares, o piloto ia dando instruções de seu plano de voo para os passageiros que não estavam interessados naquilo. Pois as aeromoças iam dando à todos sem excessão, aqueles fones de ouvido onde todos acabavam se dispersando em seus sonhos e planos que ainda estavam por ser construidos antes que o avião pudesse decolar.

  • A despedida de um país sem futuro

    fevereiro 13th, 2025

    Ágata pela manhã tinha ido aos bancos encerrar as suas contas. Falou com a gerente e disse que ia para Portugal, morar no Porto, por algum tempo.

    – Estou tão feliz Cristiane!… – se empolga de excitação Ágata, imediatamente percebendo que aquilo não tinha pegado bem naquela conversa sobre os seus pais – Eu sei!… Eu devia estar triste e toda chorosa pelos cantos, mas isso não é a minha essência… compreeende?

    Ágata sai do banco com aquele montante de dinheiro em sua bolsa, se sentindo muito mais aliviada, por ter escolhido uma bolsa de sua mãe que era bem maior do que à que ela habitualmente usava.

    Com esse dinheiro e com a venda de minhas moradias acho que conseguirei comprar um espaçoso apartamento no Porto, com dois quartos e um escritório para que eu possa escrever bem à vontade.

    No dia da viagem, Ágata tinha se deparado com um pensamento bem inusitado:

    Como as Pessoas acumulam coisas em sua vida sem qualquer tipo de necessidade imediata aparente. Tenho que escolher só o necessário, então vou escolher:

    dois pijamas, um chinelo, dois tênis, algumas calcinhas, duas calças jeans e muitas camisetas sem que eu me esqueça é claro, dos meus dois casacos de pelos favoritos, além de meu iPhone e MacBook também.

    Com as malas prontas e lacradas com os respectivos cadeados, Ágata pede um Uber já no elevador do prédio e fica totalmente perplexa com a velocidade que a motorista do aplicativo lhe responde dizendo que só irá demorar um minuto à espera.

    – Adeus Romualdo! – Diz Ágata toda atrapalhada com a sua mala ao sair pela recepção de seu antigo prédio.

    – Você está esquecendo das chaves senhorita Ágata! – avisa Romualdo, pegando-as no ar, ao mesmo tempo em que tenta ajudá-la da maneira que dava enquanto o telefone da recepção não parava de tocar um instante sequer.

    E Assim, Ágata sabia que era o fim de sua história no Brasil ao olhar por uma última vez para o seu antigo prédio onde tinha vivido tudo com os seus pais. Mas por outro lado, um novo caminho se abria na ida até o aeroporto Antônio Carlos Jobim.

  • Uma notícia para a liberdade

    fevereiro 12th, 2025

    A temida ligação finalmente tinha chegado em seu celular pela manhã. Ágata se levantou já com ele em punho e começou a ler a mensagem enviada diretamente do hospital local:

    Informamos o falecimento da senhora Wilma e do senhor Felipe em decorrência de causas naturais, devido ao estado avançado de suas respectivas idades. Venha o quanto antes reconhecer o corpo de seus entes queridos para que possamos dar andamento ao valor final das respectivas estadias.

    Ágata por um instante ficou perplexa com aquela nota do hospital, pois um dia antes, ela tinha ido ao encontro de seus pais para jogarem conversa fora – porque ela acreditava que eles iriam ter alta o quanto antes – mas pelo visto isso não era a mais pura verdade vinda das enfermeiras do hospital.

    E agora?… O que vou fazer sem eles por perto?… – pensava Ágata enquanto escovava os seus dentes de uma maneira muito desleixada – Vou ter que enterrá-los e depois terei que ser forte para seguir com a minha própria vida. Sempre sonhei com esse dia, mas nunca pensei que esse dia chegaria tão cedo. Mas pelo visto chegou.

    Ágata se sentou em sua cama calmamente – como se quisesse tranquilizar a dor que estava sentindo em seu peito – para calçar os seus tênis e logo veio em sua mente a possibilidade de finalmente morar em um outro lugar.

    Meus pais sempre me incentivaram a desbravar o mundo, mas por outro lado, sempre me quiseram ao lado deles o tempo todo, então… eu sempre fiquei numa situação muito dificil. Mas agora vejo que não é hora de chorar e sim, tentar abrir a minha alma com novas possibilidades e aventuras que só o destino irá me libertar.

    E assim, Ágata decidi tomar coragem para ir ao hospital fazer o reconhecimento dos corpos de seus pais, ao mesmo tempo em que tenta se imaginar em um outro lugar para se amar e ser feliz novamente.

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