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  • Sobre o Autor

Guilherme Müller

  • No divã da maternidade

    maio 25th, 2026
    Elisa e sua companheira Charlize, cuidando de sua duas filhas: Claire e Emma. Imagem feita em parceria com o ChatGPT.

    Na república de estudantes conheci diversas meninas vindas da Europa. Mas inicialmente, eu não fui tratada com muito acolhimento. Demorei certo tempo até que elas confiassem em mim. Pois todas escutavam diversas notícias horríveis vindas do Brasil. E não às culpo por isso, pois em um país onde temos altos índices de violência e corrupção, acaba ficando no imaginário das pessoas de fora, que somos um povo sem nenhum tipo de moral ou ética precedentes.

    Mas com o tempo, eu provei a minha inocência. E ao longo do curso de artes, elas até vieram até à mim, me pedir desculpas pelo pré-conceito estabelecido de antemão. O que eu aceitei prontamente porque não queria passar minha estadia toda na França, sem ter sequer nenhuma amiga para que me confessar, não é mesmo?.

    Consegui ser aprovada na grade curricular sem maiores problemas. Mas a xenofobia dos professores continuava à todo o vapor. Pois ninguém da cátedra conseguia entender como uma brasileira estava conseguindo pagar o curso todo, tendo em vista que, eu tinha vindo de um simples mecânico do Brasil. E até chegaram ao absurdo, de chamarem a polícia parisiense para revistarem as minhas acomodações na Universidade, para ver se eu estava escondendo de onde eu conseguia o dinheiro para pagar as mensalidades altas de meu curso.

    É claro que não encontraram nada de suspeito em meu quarto compartilhado. E assim, a maioria dos professores tentou me ignorar ao final do curso, vendo se eu desistia por ser tão maltratada assim. O que felizmente não aconteceu.

    Confesso que teve dias em que eu chorei bastante na frente de minhas amigas francesas. Que agora entendiam melhor o que era ser de uma cultura tão diferente das delas assim. E inesperadamente, no dia de minha formatura, acabei sendo acolhida por todos os professores presentes, que agora diziam que eu era de confiança também. Como se minha nacionalidade tivesse sido testada de todas as maneiras possíveis, para que somente naquele período em minha vida, eu pudesse me dar o privilégio de viver entre europeus de renome e destaque acadêmico, que se consideravam superiores à todas as outras raças que viviam fora de suas demarcações territoriais.

    E para a minha surpresa, fui uma das selecionadas para continuar estudando, tendo em vista, toda à minha disciplina e determinação em alcançar os meus objetivos. E assim, quando me dei por mim, já estava concluindo o pós-doutorado, sendo chamada logo em seguida, para compor a cátedra junto com outros professores selecionados da universidade francesa também.

    A notícia chegou logo aos ouvidos de meus pais. Que logo entraram em contato comigo para me parabenizar. Disseram que sentiam muito orgulho de mim, e percebi logo todo o arrependimento de meu pai em sua voz. Mas já era tarde demais. Pois sua filha rejeitada agora tinha alcançado o sucesso, ao qual, ele nunca esperava que um dia uma mulher conseguisse ter. Pois eu agora, tinha uma sala de pesquisa, com uma enorme biblioteca à minha disposição; e ainda por cima, um belo apartamento onde outros professores também residiam com suas famílias, perto do campus universitário também.

    Consegui quitar o apartamento depois de longas prestações. Mas foi lá que conheci Charlize, minha companheira, ao qual, depois de algumas tentativas fazendo inseminação artificial, tivemos enfim, à sorte de ter duas meninas. Fugindo totalmente dos padrões habituais da época, é claro. Se é que me entendem né?.

    Claire e Emma nasceram no mesmo dia. E ainda acredito que foi o dia mais feliz de todas as nossas vidas. Pois naquele momento em diante, sabíamos que teríamos que educá-las para que fossem justas com os outros, independentemente de quem fossem ou de onde vinham. Porque o mundo em nossa concepção, não tinha fronteiras e muito menos apenas uma única bandeira à ser seguida; não é mesmo?.

    Podíamos até viver nessa época, em uma suposta utopia. Mas o que seria dos pais e das mães se não pudessem imaginar um futuro mais justo e coerente para que os seus filhos pudessem viver onde bem entendessem e com quem preferissem também?

    Talvez eu tivesse acreditando em algo impossível naqueles primeiros meses de amamentação, onde Charlize tinha que acordar em plena madrugada para amamentá-las. Ou talvez fosse o medo de que elas pudessem sofrer o que sofremos em vida. Começava aí todo o meu sentimentalismo materno, ao qual eu sempre critiquei em minha própria mãe. Ter medo e até mesmo pânico de que minhas filhas pudessem me abandonar por eu pensar de um modo arcaico, ou simplesmente querer protegê-las de tudo e de todos. Mas isso não seria vida ou seria?. Depois de algum tempo é que percebemos que isso era apenas um novo amor que estavamos conhecendo, chamado: amor de mãe. Aquele que cuida, acolhe, aconselha e jamais priva.

  • Nas margens do rio Sena

    maio 24th, 2026
    Elisa se despedindo de seus companheiros de albergue no Brasil, antes de se mudar para a França. Imagem feita em parceria com o ChatGPT.

    No vestibular ainda me lembro que senti uma pena danada de meu irmão, Edgar. Pois passar para medicina realmente era bem difícil. Ainda mais porque não tínhamos condições financeiras nenhuma de arcar com os custos do curso, muito menos daqueles materiais extracurriculares, como os livros de referências, por exemplo.

    E é exatamente nesse quesito que o nosso pai entra novamente em nossas vidas. Fabrício dizia à Edgar para não se preocupar com os livros, porque ele iria obtê-los para ele. E assim, só bastava Edgar passar para uma universidade pública, que o resto ele iria garantir de seu próprio bolso.

    Apenas no quarto ano consecutivo, Edgar finalmente conseguiu entrar como calouro, na principal universidade do país. E ainda me lembro que comemoramos como se fossemos campeões da copa do mundo. Mas Lisa, nossa mãe, ainda estava um pouco preocupada com a intrusão de seu ex-marido na vida de seus filhos novamente. Mas Edgar não deu ouvidos à todos aqueles ruídos desnecessários de ciúmes, preferindo se reaproximar de sua então, figura paterna.

    Mas o que Lisa insistia com ele era em relação à quantia que ele estava dando ao seu filho e não à sua filha. Mas ele alegava que eu não precisava mais estudar, pois já tinha virado uma artista sem emprego e sem perspectiva nenhuma, como ele tinha previsto há alguns anos atrás.

    Isso foi de um extremo desgosto para à minha mãe. Que prometeu que nunca mais iria tocar nesse assunto. Deixando assim, que eu me virasse dando aulas particulares de arte para tentar arranjar alguns trocados para sobreviver mais dignamente.

    Porém, aquilo permaneceu em minha memória por um longo tempo. Pois eu tinha sido injustiçada pela primeira vez na vida. E esse ato deixava um gosto muito amargo em minha boca. Quer dizer então que o Edgar poderia sonhar com o que quisesse, mas eu não? Só por causa de eu ser uma mulher?

    Aquilo estava completamente errado. E a partir daquele dia em diante, eu comecei a juntar o dinheiro necessário, para que eu pudesse voltar a sonhar novamente, com uma melhor perspectiva de vida, é claro.

    Mas ao final de alguns anos, eu acabei não conseguindo a quantia necessária para mudar de país. Pois eu tinha conseguido passar em todos os testes de admissões para a Sorbonne Université, em Paris, na Fraça, de maneira secreta. Mas o principal ainda faltava e foi assim, que eu decidi roubar o meu próprio pai.

    É claro que todos daquele albergue já sabiam sobre os meus planos, menos a minha mãe e meu irmão, é claro. E hoje, ainda acredito que aqueles imigrantes estavam torcendo para que eu o roubasse, por causa de seu péssimo preconceito em relação as mulheres. E assim o fiz com todo o prazer.

    No dia da viagem, todos pela manhã passaram em meu quarto para se despedirem. Muitos choraram. Mas preferi não contar aos meus familiares, pois sempre odiei despedidas. E ainda acredito que não contei para a minha mãe na época, porque todo aquele sentimentalismo de proteção materna, mais atrapalhava do que me tornava mais independente, diante daquele mundo que me aguardava, fora da proteção exemplar de dona Neide e companhia.

    E no final, eu estava realmente certa disso. Só aprendemos algo quando passamos pela experiência. Seja ela traumática ou não. Fui muito feliz naquele albergue. Mas hoje vejo que deixei alguns buracos no coração daqueles que me criaram e educaram. Porque eu não queria roubar ninguém, mas aquela era a única saída para uma vida mais digna. E hoje, não me arrependo disso, pois o meu pai não me deu e nem ia me dar a minha parte que me era de direito. Então, eu só adiantei as coisas, antes que ele morresse e toda a sua herança fosse parar em algum tipo de inventário, por exemplo.

    Já em relação ao meu irmão e a minha mãe, peço perdão. Mas fiz isso porque eu não queria ser mais uma engrenagem naquele albergue. E com o tempo acabei sendo. Pois como fui aprovada com louvor na escola de artes aqui no Brasil, ainda não existia uma educação continuada que me proporcionasse o que Paris me proporcionou. E além do mais, o universo se encarregou de avisar aos meus familiares de qualquer maneira. Entrando em minha vida a irmã francesa de minha mãe, a senhorita Elsa.

    Hoje reflito mais a respeito e acredito que todos só queriam o meu bem se eu não optasse em ter vontade própria, é claro. E acho que foi por isso que eu sempre neguei à ajuda de Elsa. Preferindo permanecer naquela república de estudantes daquela universidade francesa, à ter que morar com ela. Pois eu sabia que iriam me podar de todas as maneiras possíveis novamente. Controlando-me nas horas em que eu teria que comer e me lavar, por exemplo.

    E assim, segui o meu próprio caminho. Passando por dificuldades e preconceitos até enfim, esbarrar na pouca sorte que tinha. Mas por outro lado, posso encher os pulmões de ar e dizer aos quatro cantos do mundo, que essa foi a minha nova vida embaixo da avenida Champs-Élysées. Nada mal né?

  • A escrita de uma cultura

    maio 23rd, 2026
    Elisa e Edgar desfrutando a literatura clássica no albergue de dona Neide no Brasil. Imagem feita em parceria com o ChatGPT.

    Na minha adolescência, quando eu e Edgar já falávamos 6 idiomas, descobrimos à literatura. Pois cada um daqueles imigrantes do albergue, acabava trazendo consigo, algum escritor famoso de sua terra natal. E assim, quando chegávamos da escola, à dona Neide já ia nos dizendo o que poderíamos ler para passar o tempo depois do almoço.

    Em português líamos Luís de Camões, em inglês: William Shakespeare, em italiano: Dante Alighieri, em alemão: Goethe, em francês: Victor Hugo e em espanhol: Miguel de Cervantes com Dom Quixote. Foi uma época bem produtiva intelectualmente. Mas por outro lado, tanto eu como Edgar fomos perdendo os nossos amigos, porque quase não saíamos mais com eles. Porque a companhia de todos aqueles autores nos preenchia de todas as formas possíveis. Só que aos poucos, fomos sendo excluídos na escola. No início foi bem dificil de nos acostumarmos com aquilo, mas depois conseguimos tirar aquele problema de letra, passando cada vez mais tempo na biblioteca de lá.

    Nosso momento preferido era quando todos aqueles imigrantes voltavam para o albergue, pois sabíamos que iríamos ter diversas explicações sobre aqueles autores ainda muito desconhecidos de nosso universo. E assim, quando nos demos conta já sabíamos citá-los de cor e salteado também. Que era como se não pertencêssemos mais a uma única e exclusiva cultura apenas.

    Nosso pai é claro, ficou extremamente chateado com aquilo, pois ele acreditava que uma menina tinha que ser preparada para ser apenas uma dona de casa e nada mais além do que isso; enquanto que para o seu filho, ele previa que possivelmente fosse substituí-lo na loja de mecânica, que ainda mantinha com o seu sócio Damião, no centro da cidade. E ele teimava em nos dizer que todo aquele esforço em estudar de nada ia adiantar para os nossos futuros papéis sociais.

    Logo depois que papai disse aquela asneira na frente de todos no albergue, sua reputação foi simplesmente esmigalhada por completo. Levando-o à ser expulso de lá o quanto antes. Lisa, minha mãe, não fez rejeições diante daquilo, pois os franceses sempre foram conhecidos por lerem muito. E assim, papai novamente foi morar em seu pequeno apartamento e nunca mais voltou para nos ver.

    Nós dificilmente sentíamos falta dele. Pois não tínhamos diálogo algum. Eramos muito diferente em todos os aspectos mesmo. E assim, todos aqueles imigrantes passaram à ser nossa família em definitivo. Nos ensinavam muita literatura à noite. E até hoje não sei como o meu irmão Edgar não se tornou um escritor de renome internacional. Talvez ele tenha decidido em optar por medicina para ter o conforto financeiro adequado. De tanto que papai o aconselhava às escondidas. À contra gosto de todos do albergue, é claro. Que ansiavam que nós dois fôssemos grandes literatos.

    Hoje reflito sobre isso e dou até risada. Como íamos sobreviver apenas escrevendo? Talvez estivéssemos no meio de pessoas românticas, onde a literatura era o centro do universo e nada mais importava para eles. Mas as vezes insisto em pensar que eles pudessem estar com a razão, e nós é que optamos em trilhar caminhos errados. Mas agora já é um pouco tarde demais para recomeçar, não acham?

    Por mais que Edgar tenha criado o hábito de continuar lendo os clássicos; além de escrever seus próprios romances nas horas vagas também. Eu, Elisa, também acabei criando o mesmo hábito que meu irmão. Temos nossas profissões, e independentemente delas, ainda mantemos o mesmo hábito de criança. E hoje, ainda torno à pensar, se ainda é reflexo de sonhos ardentes que tínhamos na infância, em explorar a alma humana na pele de personagens que jamais tivemos à coragem de lhes dar a devida vida.

  • A bagagem dos novos idiomas

    maio 18th, 2026
    Elisa, Lisa e Edgar lendo um livro, enquanto os imigrantes estão conversando no albergue depois de um dia de trabalho exaustivo no Brasil. Imagem feita em parceria como o ChatGPT.

    Aqueles dias no albergue nos marcaram até à adolescência. E acredito que meu interesse por idiomas, tenha se dado nesse período, por causa da variedade de imigrantes que moravam lá junto com a gente. Tínhamos espanhóis, italianos, franceses, alemães e portugueses. Todos tinham fugido da Europa devastada do pós-guerra e acabaram encontrando no Brasil uma excelente receptividade.

    Assim, quando me dei conta, já estavámos sabendo falar espanhol, italiano, francês e alemão. Sem contar o português, é claro, que já vinha de nascença. E tanto eu e meu irmão, aprendemos bem rápido todos esses idiomas. Pois cada imigrante tinha resolvido trazer de última hora as suas respectivas gramáticas. Como se esses livros técnicos o fizessem lembrar de suas origens. E talvez estivessem certos disso. Pois o que seria de cada nação, sem a sua língua da norma culta, não é mesmo?

    Nessa época em específico, eu meio que me desinteressei em estudar à Arte. Talvez fosse pelo trauma que fomos acometidos. Em deixar nossas coisas nauquele apartamento de papai, e ter que recomeçar às nossas vidas, em um ambiente ainda pouco habitual para nós. Mas aos poucos fomos nos habituando naquele albergue.

    Os imigrantes gostavam de falar com a gente em suas línguas de origem. E conforme fomos ficando cada vez mais fluentes em seus idiomas, passávamos longas horas do dia escutando suas histórias de marinheiros. Não que tudo fosse mentira, lógico que não. Mas como nós só víviamos para estudar agora, tudo parecia meio absurdo de ter acontecido com aquelas pessoas estranhas.

    Mas depois de um tempo, entendi que todo aquele processo de imigração tinha se dado à partir da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), onde a Europa enfim, tinha conseguido derrotar os alemães. E assim, os que sobreviveram, optaram em escolher países que estavam fora do eixo europeu, para que pudessem passar o restante de seus dias em paz.

    Na volta da escola, no almoço, sempre tínhamos o hábito de falar diversos idiomas entrelaçados. E dona Neide, ficava muito impressionada com a habilidade que tínhamos de trocar de um idioma para outro, como se estivéssemos escolhendo o que íamos comer, na próxima colherada. Mamãe ficava cada vez mais orgulhosa da gente na escola e fora dela também. Pois sempre nos dizia que nós estavámos sendo preparados para o mundo. Ao aprender todos aqueles idiomas.

    Minhas notas melhoraram muito. Enquanto Edgar manteve seu padrão de qualidade também. Mas por outro lado, eu acabei perdendo todas as minhas amigas. Porque elas diziam que não poderiam mais andar comigo, pois os meus pais agora estavam separados. E isso na época, era o mesmo que dizer que uma determinada família estava em perdição. Mas não me lembro de ter sentido tristeza por isso. Para mim foi até que melhor. Pois eu agora poderia me concentrar apenas aos estudos e nada mais.

    Eu e meu irmão adorávamos voltar para a casa e esperar todos aqueles imigrantes voltar de seus respectivos trabalhos, para que assim, nós pudessémos praticar aqueles idiomas. E assim era feito! Eles chegavam cansados e nós já íamos em cada quarto perguntar como é que tinha sido o dia de trabalho em seus idiomas de origem. Era simplesmente espetacular! Todos adoravam à nossa presença, pois eles diziam que era como se estivessem em suas cidade natais, ao ter que praticar o idioma esquecido.

    Minha mãe se sentia muito incomodada com aquilo, pois ela não queria que seus filhos atrapalhassem os afazeres de seus colegas de albergue. Mas todos diziam para ela com muito afeto, que nossa companhia era a melhor coisa que existia depois de um dia exaustivo de trabalho. E assim, ela aos poucos, também foi se soltando para falar em françês junto com as outras moradoras.

    O engraçado era a forma com que as minhas professoras estavam tratando eu e meu irmão agora. Pois depois que o colégio inteiro soube da separação de nossos pais, era como se o vitimismo estivesse assombrando nós dois. Mas por um lado foi até bom, pois eu imediatamente parei de ficar em recuperação por meus erros nas provas. O que levou a minha mãe à ficar cada vez mais orgulhosa de meu desempenho escolar, é claro.

    A partir da separação, todos que passavam por nossas vidas, nos tratavam com o maior afeto possível, que eu até pensava que aquilo tinha sido a melhor coisa que pudesse ter acontecido comigo e com o meu irmão. E assim, quando eu me dei conta, já tinhamos passado à infância.

    Porém, no início da adolescência, meu pai comunicou à minha mãe que estava muito doente e que precisava urgentemente, que alguém cuidasse dele apropriadamente. Lisa então, pediu à dona Neide se ela não poderia hospedá-lo no albergue também. O que ela atendeu prontamente. E assim, ele alugou o seu pequeno apartamento na zona norte da cidade e se transferiu para o albergue.

    Nos primeiros meses quase ninguém falava com ele direito. Pois todos já sabiam que ele tinha batido na minha mãe, por ela ter tido a ideia de me trocar de colégio, tendo em vista que o atual, não explorava adequadamente minhas tendências artísticas. E assim, ela o fez, independente das preferências de seu agora ex-marido.

    No novo colégio, eu dificilmente tirava alguma nota vermelha. Mas sempre tinha à responsabilidade de buscar o meu irmão no colégio antigo. Papai, aos poucos, foi se aproximando da gente no albergue. Mas dona Neide sempre ficava por perto, para acompanhar todas as suas reações. Fabrício então, me perguntava como estava sendo no novo colégio. E eu respondia lhe dizendo que estava progredindo muito em artes só para irritá-lo. Mas a sua reação agora era de acolhimento também. E assim, eu e meu irmão não sabíamos ao certo se ele estava com a alguma doença terminal ou não.

    No outro dia, perguntamos para a mamãe o que o papai tinha. E lisa nos disse que ele estava com depressão. Que era uma doença onde a pessoa não tinha ânimo para fazer absolutamente nada na vida. Nossa reação também foi de acolhimento. E assim, aos poucos, todos no albergue começaram à tratar-lhe diferente também. E aos poucos ele foi melhorando. E em questão de meses, papai conseguiu retornar para a sua loja de mecânica de carros, junto ao seu sócio Damião.

    Eu e meu irmão, Edgar, começamos a pensar que a depressão de papai tinha se dado, porque ele estava longe de sua família. O que o médico logo lhe disse também. Mas lisa, nossa mãe, estava irredutível em voltar para ele. Pois sua irmã, Elsa, à tinha lhe convencido que Fabrício não era o homem adequado para ela. O que à fez concordar prontamente.

    Na nova configuração familiar, todos agora estavam morando juntos novamente. Mas o laço de ser uma família amorosa já tinha se quebrado há muito tempo. Pois agora, tanto eu como Edgar, preferíamos ter todos aqueles imigrantes como substitutos da figura paterna. Enquanto Fabrício, era apenas um desconhecido no meio de todos aqueles imigrantes que jamais se atreveram à ser raivosos e covardes como ele tinha sido no passado. Pelo menos, até onde sabíamos.

  • Vivendo em um albergue

    maio 16th, 2026
    Lisa depois de apanhar do seu marido Fabrício, resolve fugir ao longo da madrugada, levando os seus dois únicos filhos com ela: Elisa (à direita) e Edgar (à esquerda). Imagem feita em parceria com o ChatGPT.

    Com o tempo eu fui me acostumando com a rotina pesada. De ter que acordar cedo, arrumar meu irmão, estudar e cuidar de todas as responsabilidades de casa também.

    Na escola, as vezes eu cochilava durante as aulas e sempre apanhava por isso. Pois naquela época, às crianças não tinham direito algum à proteção, como temos hoje, por exemplo. Tínhamos que escrever sempre com a mão direita, mas como eu era canhota, apanhava cada vez mais por isso também. Me lembro que as professoras amarravam a minha mão esquerda, para que com isso, eu fosse forçada a escrever com a direita. E assim, eu acabei desde muito cedo, escrevendo com as duas mãos, por causa dessa disciplina rígida, que era imposta à todos sem exceção.

    Já meu irmão Edgar, era o aluno perfeito, que jamais tirava nota baixa em qualquer matéria que fosse. As professoras falavam umas com as outras, que ele era bem diferente de sua irmã mais velha. Que sempre ficava em recuperação em todas as matérias exceto em artes. Que não servia para nada em um país que nunca à valorizou como uma disciplina obrigatória em seus curículos escolares.

    E esta aí os primeiros problemas que tive com o meu pai, por exemplo. Pois enquanto Edgar entregava o seu boletim com notas excelentes, eu por outro lado, escondia-o, mas quando ele era informado na escola por essas açoes, ele sempre me batia muito por aquilo. O que fazia com que eu fosse ficando cada vez mais rebelde em casa.

    E ainda consigo me lembrar quando surgiu as primeiras propagandas de cigarros na televisão, por exemplo. Com aquelas pessoas super populares e descoladas conversando sobre os mais variados assuntos que iam contra o sistema ditatorial vigente no país. E logo, eu e minhas amigas começamos a fumar às escondidas; tanto na escola, como em casa também.

    Meu pai quando soube, me deu uma baita de uma surra que eu até pensei que fosse morrer naquele dia mesmo. Mas pela dádiva dos deuses, minha mãe interviu logo naquilo, e arrombou a porta do banheiro para impedir que ele me matasse ali mesmo com o sinto na mão.

    Edgar, meu irmão, naquela semana, aprendeu a cuidar da casa inteira e ainda por cima, preparou o jantar para a gente à noite. Mas ainda me lembro que meu pai ficou um pouco arrependido por ter feito aquilo comigo, mas logo se recompôs, com aquele seu jeito ríspido de falar com os outros, como era de seu costume.

    A escola para mim nunca serviu para muita coisa. Pois eu passava a maior parte do tempo estudando a história da arte em meu quarto, com livros que eu pegava emprestado na escola, pois naquele tempo, a internet ainda era algo bem distante em nossa realidade. Então… a única maneira que uma pessoa tinha de estudar algo que gostasse, era em livros antigos da biblioteca pública da cidade. Onde a gente tinha um determinado prazo para ir renovando o empréstimo, à medida em que íamos lendo os livros.

    E assim, meus pais foram logo chamados na escola, pois eu era considerada à mais atrasada da turma. Mas teve uma única professora, a senhorita Telma, que dava aulas de artes para a gente, que teve a coragem de durante a reunião de pais, de dizer que eu seria uma pessoa brilhante em qualquer coisa que eu escolhesse me profissionalizar no futuro. E claro, que meu pai não deu ouvidos para aquilo, dizendo que como sua filha só era boa em sua matéria, ela provavelmente estava denfendendo-me por causa de minhas notas altas em sua matéria e nada mais além do que isso.

    Enquanto isso acontecia, minha mãe foi chamada de lado, pela diretora da escola, e ela logo lhe disse que tinha uma escola muito boa no centro da cidade, em que estava aceitando novos prodígios em artes. E assim, Lisa, minha mãe, anotou o endereço da escola e quando chegou em casa, comunicou-o ao seu marido sobre a nova informação que tinha recebido na reunião de pais da escola. E assim, acho que foi a primeira e única vez que minha mãe apanhou de seu amado marido.

    Fabrício depois de ter dado aquela bofetada em minha mãe, imediatamente se ajoelhou na frente dela e disse que nunca mais aquilo iria acontecer na sua vida. E minha mãe imeditamente lhe desculpou. Só que à noite, ela me ordenou que eu fosse chamar meu irmão no quarto dele, pois íriamos morar em um albergue na zona norte da cidade. E assim nos despedimos daquele apartamento, deixando por lá muitas responsabilidades à serem negociadas.

    Mas é claro que meu pai tentou de tudo para reconquistar a confiança de nossa mãe. Mas acho que tudo isso foi meio em vão. Pois ela só foi morar junto com ele novamente na minha adolescência. Mas isso eu só contarei bem depois na história…

    Chegando nesse albergue, a proprietária, a dona Neide, nos acolheu super bem, e foi assim, que conheci somente por fotos, à irmã de minha mãe, a Elsa Leblanc. Que todo mês enviava dinheiro da França para que minha mãe pudesse pagar a estadia nesse lugar, onde só viviam imigrantes. Enquanto meu pai, ia nos visitar aos finais de semana, tentando lhe dar alguma quantia em dinheiro, que pudesse ajudar nas despesas. Mas minha mãe sempre negava qualquer tipo de ajuda. Pois ela sabia muito bem que agora, seus dois filhos estavam muito melhor ali do que em qualquer outro lugar do planeta.

    E eu sempre me lembro desses momentos em minha vida. Pois eu e Edgar, quando chegávamos da escola, doina Neide já tinha preparado nosso almoço e a janta também. E eu não precisava mais limpar nada no albergue pois os outros imigrantes daquela casa, diziam que isso não era coisa para criança alguma fazer. E assim, as nossas únicas preocupações na vida, naquele momento, era aguardar o regresso de nossa amada mãe do trabalho. Pois o resto, deixávamos o universo fazer à sua parte.

  • A Imigração em Alto Mar

    maio 15th, 2026
    Lisa e Fabrício se conhecendo na Europa do pós-guerra, antes de embarcar para o Brasil, o novo país do futuro. Imagem feita em parceria com o ChatGPT.

    Minha mãe Lisa é uma francesa fugida da Segunda Guerra Mundial; enquanto meu pai, Fabrício é um português que também veio no mesmo barco que ela para o Brasil. Antigamente era desse jeito que os imigrantes vinham para o chamado: país do futuro. Pois com a Europa em frangalhos, era de extrema importância, que os europeus conseguissem morar em lugares que lhes possibilitassem melhores condições de vida. E o Brasil era a porta de entrada para recebê-los bem. Por mais que fossem tratados como uma mão de obra substituta às dos escravos de então.

    Meus pais se conheceram por acaso dentro do barco, e foi amor à primeira vista. Fabrício, meu pai, dominava o francês como ninguém; e minha mãe Lisa, logo ficou aos seus pés por isso. Ele tratou de sempre alimentá-la bem para que não viesse à adoecer na terceira classe. Aquele lugar inóspito que nem um porco ficaria à salvo de doenças. Mas que por sorte do destino, os dois foram os únicos que não foram infectados, e assim, quando o navio atracou no porto do Rio de Janeiro, se viram diante daquele outro mundo com novas possibilidades de emprego.

    Lisa foi trabalhar em uma papelaria, enquanto Fabrício conseguiu um emprego de mecânico. Mas sempre que dava, os dois se viam nos cinemas e teatros locais, algo que dava muito prazer em ambos. Assistiam à diversos filmes estrangeiros e sabiam de cor todos os atores e atrizes que trabalhavam neles e nas peças semanais também.

    Com muito esforço, Fabrício se endividou para abrir a sua própria mecânica no Brasil, junto à um sócio que também era português como ele. Lisa ficou muito contente pois sabia que não precisaria mais viver em albergues. E assim, no outono, os namorados se mudaram para um pequeno apartamento na zona norte do Rio de Janeiro. Mobiliaram-no todo e no final do ano, casaram na Igreja de véu e grinalda. Fabrício logo comunicou à sua família em Portugal; enquanto sua agora mulher, Lisa, fez o mesmo diante de seus parentes na França.

    Eles até receberam diversos presentes de suas respectivas famílias, que estavam muito felizes de não terem se casado com os brasileiros. Que ainda era uma ameaçada à xenofobia que eles nutriam sem perceber.

    Lisa assim, comunicou ao marido que estava grávida de duas semanas. Fabrício ficou tão feliz com a notícia, que deu uma linda festa em sua mecânica para comemorar junto de seu sócio, que secretamente também já tinha casado e estava à espera de um filho homem, que num futuro não tão distante, talvez poderia gerir aquele negócio lucrativo junto com eles.

    No hospital, Lisa deu a luz à mim. Elisa Leblanc de Freitas, mas infelizmente meu pai, Fabrício, ficou muito descontente com aquela notícia. Pois ele tinha acabado de saber que o seu sócio, O Damião, tinha se tornado pai de um belo menino gorducho e cheio de saúde. 

    Lisa ficou extremamente chateada com a reação de seu marido, que queria ter um filho homem, que herdasse os negócios da família, e não uma mulher, que possivelmente se tornaria uma simples dona de casa, num futuro não tão distante. E assim, Fabrício obrigou-a a ter um novo filho, na esperança de que esse talves pudesse ser o tão aguardado filho homem. E assim se concretizou.

    No dia do parto, Lisa logo foi comunicada pelas enfermeiras, que tinha dado à luz a um belo menino, cheio de vida. Com quatro quilos e oitocentas gramas. Dois quilos à mais que eu. Ao nascer pelo menos.

    Fabrício quando soube da notícia, optou por até tirar o dia de folga. Bem diferente do dia em que eu nasci, por exemplo, em que ele preferiu continuar trabalhando para se esquecer do infortúnio de sua nova família.

    Meu irmão, Edgar Leblanc de Freitas, quando teve a idade adequada, minha mãe tratou logo de matriculá-lo em meu colégio. E íamos à pé até ele. E todos por lá, falavam à beça que ele não se parecia em nada comigo. Pois como eu sempre fui ruiva e ele moreno, o contraste deveria ser gritante mesmo. Mas por outro lado, eu estava sempre cuidando dele. Prestava muita atenção com quem ele ficava brincando no recreio, e assim, no regresso para a casa, ele me contava tudo o que tinha aprendido na escola.  

    Como os meus pais trabalhavam muito, era eu que ficava encarregada de cuidar de meu irmão em casa. E assim, minha mãe me ensinou desde muito cedo à cozinhar, passar, lavar e até mesmo à faxinar a casa. Pois naquela época, ainda não existia termos trabalhistas que nos impediam de fazer as coisas que tinham que ser feitas, com a idade adequada ou não para isso. E assim, eu fazia aquelas tarefas, com todo o profissionalismo possível. Pois não era justo que minha mãe ao chegar do trabalho, extremamente cansada, ainda tivesse que cozinhar e limpar toda à casa para a gente. 

    Por essa razão, eu fazia questão, de cozinhar para todos os integrantes daquela família. Mesmo sabendo que dificilmente agradaria o meu pai. Que sempre reclamava da comida que eu tinha feito com todo o amor para eles. Mas talvez, se o meu irmão tivesse a idade de fazer aquilo, talvez ele não viesse a reclamar tanto. Vai saber…

  • Sem Permissão à Arte!

    maio 14th, 2026
    Elisa roubando dinheiro do cofre de sua família, tendo como destino à Sorbonne Université. Imagem feita em parceria com o ChatGPT.

    Elisa estava terminando o ensino médio. Todas as suas amigas já tinham planos claros e bem definidos sobre as carreiras que iriam optar ao final de todos aqueles exames, menos Elisa. Seus pais tinham deixado de falar com ela. E assim, ao final do ano letivo, Elisa montou um plano bastante ousado.

    Seu irmão imediatamente passou à ser o queridinho da família. Pois tinha passado em medicina com louvor, saindo até nas notícias locais. Enquanto Elisa, ainda não tinha se definido na carreira profissional, alegando que queria curtir mais um pouco a vida, antes de enfim, ceder a sua força de trabalho para algum patrão exigente. E assim, o fez.

    Seu pai deu a mesma porcentagem de dinheiro para os seus dois filhos. Edgar optou logo em comprar os livros necessários para o início do ano letivo em medicina, temendo um pouco o famoso trote que iria ter que enfrentar. Enquanto Elisa, se matriculou em Artes na França, sem avisar ninguém.

    Passou-se logo o natal e o ano novo, e assim, o novo ano trouxe-lhes novas perspectivas para que pudessem sonhar. Edgar revia constantemente sua semana de estudos na nova grade curricular, que era posta no site da Universidade; enquanto Elisa, arrumava às escondidas, à sua mala rumo à cidade do amor e das artes.

    Os rumores em torno daquela família tinha tomado proporções inimagináveis, pois tanto Lisa como Fabrício, tinham um certo receio de tocar nesse assunto privado com os seus colegas de trabalho, pois todos tinham estruturado toda a carreira de seus filhos sem maiores problemas. Enquanto aquele casal, mal sabia o que seria do futuro de sua filha.

    No dia da viagem, Elisa aproveitou que ninguém estava em casa, e resolveu abrir o cofre de sua família e assim, decidiu roubá-los o quanto antes, porque iria precisar de todo o dinheiro que pudesse obter para sobreviver em um país estrangeiro onde a moeda era muito mais forte do que o real.

    Mas Edgar acabou vendo toda à cena, e optou em voltar para o seu quarto o quanto antes, como se não soubesse de nada. Pois ele sabia muito bem, que cada um deveria ser responsável por suas próprias escolhas, e não cabia à ele decidir se aquilo estava certo ou errado. Porque afinal de contas, Elisa era a sua irmã mais velha e se ela tinha decidiu fazer aquilo, ela tinha suas razões.

    Elisa assim, entra no quarto de seu irmão às lágrimas e lhe beija-o pela última vez. Edgar sabia que aquela despedida era para sempre. Estava convicto disso. Os dois se olham, e seu irmão lhe diz para se apressar logo com aquilo. E assim Elisa o faz.

    O Uber de Elisa estava lhe esperando na portaria do prédio e o porteiro nem percebe nada de anormal na cena que se desenrola bem na sua frente. Ela entra no carro e por uma última vez, olha para aquele edifício que tinha sido sua morada nos últimos dezoito anos.

    Chegando no aeroporto, pega seus documentos de cidadã européia, por causa de sua mãe que era francesa de nascença. E assim, resolve logo fazer o check in, para que pudesse despachar sua única mala.

    Ninguém no aeroporto desconfiou de nada, pois com aqueles cabelos ruivos, dificilmente alguem poderia lhe dizer que não era européia de nascença. E assim, Elisa tratou logo de jogar fora o seu sotaque carioca. Pois não queria dar o gostinho de ser identificada como uma mulher de terceiro mundo.

    Na alfândega, algumas policiais lhe fizeram diversas perguntas, mas Elisa logo lhes mostrou seus cartões de banco franceses, onde detinha seu nome em diversos deles. E assim, as policiais vendo que aquela garota possívelmente devia ser herdeira de alguma importante família, deixou-a passar sem maiores problemas.

    Elisa enfim embarcou. O avião decolou e ela logo começou a falar em sua língua materna, como se jamais tivesse aprendido o português em sua vida. Ao longo do voo, foi pensando em como vivia em uma sociedade hipócrita. Tendo em vista o sucesso imimente de seu irmão, em escolher logo o que iria fazer de sua vida. Enquanto ela, teria que começar do zero em um outro país, que possivelmente iria lhe tratar como apenas mais uma estrangeira.

    Elisa pegou no sono, e quando acordou já estava na terra de Luis XIV. Ela tratou logo de Pegar à sua única mala, e foi direto até aos dormitórios da Sorbonne Université, encontrar outras meninas que fariam com ela o curso de artes da universidade.

    Tarde da noite, chegaram as outras colegas de turma. Muitas francesas e somente duas italianas. Elisa logo se enturmou e ninguém desconfiou que ela fosse apenas mias uma estrangeira.

    Começando o período letivo em Paris, na França; uma de suas tias lhe avistou pela avenida da Champs-Élysées, e tratou logo de comunicar o ocorrido à sua irmã por telefone, que teve que comunicar a polícia local que não era mais necessário encontrá-la.

    Elsa, sua tia, foi ao seu encontro no outro dia, dizendo-lhe que seus pais estavam muito chateados com ela, pois ela tinha lhes roubado antes de se matricular na Sorbonne. Porém, Elisa não mostrou arrependimento nenhum. E disse-a que se pudesse voltar no tempo faria tudo novamente. Elsa logo percebeu que sua sobrinha estava fora de si, e assim, ficou encarregada de cuidar dela até o curso acabar.

    Mas Elisa optou em continuar morando nos alojamentos da universidade, e assim, quando o curso acabou, ela logo começou à trabalhar em sua área. Dando aulas em uma escola de Paris, sobre a História da Arte. Alugou um apê bem pequeno e tratou logo de se candidatar ao Mestrado, depois ao Doutorado até enfim, chegar no Pós-Doutorado.

    Seus pais à queriam o quanto antes de volta no Brasil. Mas jamais recebiam qualquer tipo de informação de onde ela pudesse estar na França. Pois a irmã de Lisa, Elsa, tinha se cansado dela. Dizendo-lhes que Elisa era muito desobiente e que so respondia aos seus próprios atos agora.

    Elisa enfim, se formou com louvor na Cátedra de Artes na Universidade francesa, e assim, foi chamada para dar aulas lá. Sua tia Elsa ficou sabendo da notícia pois saiu em todos em jornais franceses da época.

    Sua família no Brasil, quando soube da notícia, comemorou aquela vitória e imediatamente esqueceu dos feitos de Edgar no Hospital em que trabalhava à vida inteira. E assim, tanto o pai como a mãe de Elisa, estamparam aquela notícia dos jornais locais, em diversas molduras em seu apartamento, mostrando à quem quer que fosse os novos feitos da filha predileta.

    Mas Elisa nunca mais voltou ao seu país de origem. E conforme os anos foram se passando, resolveu logo em adotar duas crianças do orfanato local de Paris. Pois queria que elas também não tivessem pátria, língua ou qualquer tipo de pressão psicológica que às fizessem ser o que outros queriam ser em seu lugar. Porque bajular alguém quando se consegue feitos dignos de honra é facil, mas compreender alguém quando esse mesmo alguém, faz coisas tolas e sem sentido, talvez possa levar anos para se entender e mesmo assim, chegar a inconclusões precipitadas no final.

  • Entre o clássico e o romântico

    maio 9th, 2026
    Imagem feita em parceria com o ChatGPT.

    Dentro da História da Arte existe subdivisões onde vemos mais claramente onde um período começa e outro termina. Porém, na fase moderna da pintura, presenciamos a independência artística, onde o artista começa a se sentir muito mais livre, para poder criar o que quer que fosse. Sem depender de nenhum tipo de auxílio em seu ofício, vindo de famílias abastadas, reis, ou até mesmo Papas.

    Ou seja, depois do advento da Revolução Francesa (1789-1799) e todo o seu Iluminismo imperante (1685-1815), os artistas se viram livres para poder criar e tentar com isso, mexer nas estruturas mais profundas da sociedade. Pois a atual civilização que estava emergindo, susbtituía a mão de obra artesanal, pela industrial, abalando a Arte de maneiras inestimáveis.

    A partir de agora, os homens do iluminismo tentavam modificar a natureza, com os seus avanços científicos e tecnológicos também. Deixando completamente de lado, a fé e a religião que era o grande guia do povo, de uma maneira geral. Logo, o conhecimento estava nas mãos de toda a sociedade, desde a invenção da imprensa, realizada por Johannes Gutenberg (c. 1398-1468), que popularizou os livros por toda à Europa; o que antes, era praticamente impossível com o controle da Igreja, do Papa e do reis, que controlavam àqueles que detinham ou não o conhecimento.

    No período do Renascimento, onde Michelangelo, Leonardo da Vinci ou Rafael Sanzio trabalhavam mediante à diversas encomendas que recebiam de seus empregadores; agora, no período moderno, vemos a transição e a nova mudança de papel para os artistas, que agora eram pessoas que se consideravam fora das estruturas sociais de uma cidade ou país, porém, críticas ferrenhas à ela também.

    Em outras palavras, a cidade passou a ser de seus cidadãos, e não mais de famílias ricas, que normalmente controlavam-na. Levando-os a um novo ideal de progresso. Onde o povo passava a ter o poder, e não mais, apenas uma minoria dele.

    Com o advento do Iluminismo, agora os artistas estudavam em Academias de Arte, fazendo cópias de obras antigas, que iriam lhes trazer a devida independência artística que tanto almejavam. Pois todos sem exceção, desejavam mudar o meio em que viviam, querendo que os apreciadores da nova arte, refletissem também, sobre os seus papéis na nova estrutura que estava se criando para cada país.

    Sendo assim, o artista agora era aquele visionário, que não se encaixava mais na ética e na moralidade criada pela sociedade vigente. Pois o conceito de arte agora, se enquadrava em tentar interpretar a história. E essa mesma história, estava encharcada de ideologia socialista. Onde a classe operária lutava contra os detentores do capital, que nesse caso eram os novos patrões da sociedade moderna, que tinham o tão sonhado acumulo de riqueza, onde a moeda de troca era o seu tempo de trabalho.

    A partir desse período, os artistas terão suas vidas ameaçadas por fazerem à sociedade pensar em novas formas de existir. Diante daqueles que controlavam o capital. Pois os românticos irão totalmente na contramão do que estava sendo produzido no mundo da arte, desde então.

    Porque o que antes, os renascentistas exaltavam como o belo grego e românico, tendo em sua razão o centro de tudo; agora os Românticos irão exaltar o sentimento, a paixão e a liberdade como peça fundamental para a obtenção do tão sonhado conhecimento. E assim, vemos diversas obras de arte exaltando a “classe esquecida”, que erão os trabalhadores industriais que tinham sido alcançados pelo novo sistema capitalista, ao mesmo tempo em que os artistas, também abarcavam os camponeses que se mantiveram firmes em suas terras, não aderindo a carga horária extenuante das indústrias vigentes.

    A arte moderna passou com isso, a exaltar a terceira classe em suas obras, onde muitos apreciadores davam tudo o que tinham para conseguir aqueles quadros, que realçavam a diferença das classes, mas que ainda detinham o privilégio, de somente uma seleta parte da sociedade, em obtê-las. E era exatamente por isso, que alguns artistas eram considerados anarquistas ou socialistas, porque suas ideais privilegiavam os menos favorecidos. Que continuavam não tendo direito algum nas novas sociedades reinantes, mas que em muitas casas abastadas, aquelas obras eram penduradas como sinal de poder monetário, contra aqueles que jamais seriam lembrados fora daquelas pinturas, é claro.

  • A banalidade do mal na alma alemã

    maio 9th, 2026
    Cartaz do Filme, dirigido por Jonathan Glazer, em 2023; baseado na obra de Martin Amis de mesmo nome. Imagem garada em parceira com o ChatGPT.

    O filme retrata a vida do comandante de Auschwitz, Rudolf Höss e sua esposa, Hedwig, em uma bonita casa ao lado do campo de concentração. Onde seus filhos tem uma rotina aparentemente normal, onde o ir e vir da escola; ou o simples brincar na psicina da casa, lhes tornam seres felizes, diante da morte que está do outro lado dos muros.

    O diretor inglês, Jonathan Glazer, quis mostrar aos telespectadores, a banalidade do mal, onde o comandante Höss vai e vem de seu trabalho no campo ao lado de sua casa, como se o ato de comanadar pessoas para as câmaras de gás, fosse algo extremamente comum entre os alemães daquela época.

    Ao longo do filme, sua esposa, Hedwig, acaba chamando a sua mãe para passar uma temporada em sua casa, para mostrar-lhe como estão bem instalados naquele ambiente “harmonioso”. Levando a sua mãe, à lhe dizer que ela estava muito bem instalada naquele lugar e que ainda por cima, tinha tirado a sorte grande.

    Porém, passados apenas alguns dias, sua mãe acaba vendo de madrugada, uma das chaminés do campo de concentração, saindo fumaça dos possíveis corpos que estavam sendo queimados naquele instante, e assim, decidi ir embora daquele lugar o quanto antes. No outro dia, todos à procuram pela casa, mas já era tarde demais. Sua mãe tinha ido embora daquele lugar inóspito, ao qual sua filha, netos, e seu próprio genro, conseguiam viver normalmente, na mais perfeita harmonia, independente do número de mortos que crescia do outro lado dos muros.

    O diretor Glaze, não mostra em nenhum momento, as atrocidades que se faziam nos campos, preferindo sempre mostrar a normalidade daqueles que faziam o mal contra à humanidade. E assim, há cenas onde outros generais do Reich — mais precisamente falando, possíveis engenheiros do Holocausto —adentravam por aquela bela casa, para falar de câmaras de gás cada vez mais potentes. Tendo como meta, sempre, o aumento da capacidade do número de pessoas, dentro desses novos ambientes que seriam projetados muito em breve, pelo partido, por exemplo.

    E assim, notamos ao longo do filme, que as mulheres do Reich, tinham tudo. Comida em abundância, roupa lavada e casa arrumada também. Tudo feito por mulheres judias que eram tratadas como escravas do partido. Enquanto no outro lado dos muros, existia racionamento de comida, onde apenas um pão, era dividido em várias porções, para os judeus, que tinham que trabalhar para o Reich até a exaustão física e mental.

    Outra cena bem marcante do filme, foi quando Rudolf Höss, levou seus filhos para nadar em um lago próximo ao campo, onde inesperadamente, o comandante acabou encontrando um dedo na água, e assim, vemos ele ordenar aos filhos, para que saíssem daquele lugar, o quanto antes. Pois todos podiam se infectar com o sangue dos judeus. Na sequência, todos se banham em casa, para tirar aquele possível malefício idológico do partido. Onde apenas o toque em outra raça, poderia muito bem infectá-los.

    A pergunta que fica é a seguinte:

    Como a maioria dos alemães conseguiam alcançar a sanidade mental, fazendo as atrocidades que eles faziam diariamente?

    Para responder à isso, teremos que nos utilizar da teoria da filósofa alemã, Hannah Arendt (1906-1975), onde ela em seu livro — As Origens do Totalitarismo: Antissemetismo, Imperialismo, Totalitarismo — Descreve que a normalidade em fazer o mal repetidamente, gera como consequência, sua banalidade, onde o indivíduo, acaba perdendo completamente a sua capacidade de refletir sobre os seus próprios atos, levando-os a algo banal e até mesmo normal de se fazer.

    A filósofa, cita como exemplo, um alemão que era orientado a colocar todos os judeus em vagões de trens, com destino final, aos campos de concentração que estavam espalhados pela Europa; e que ele não tinha mais a capacidade de refletir sobre o por quê, que aqueles vagões voltavam vazios para a estação inicial, muito menos se preocupava com o que era feito com todas aquelas pessoas. Alegando que aquele era somente o seu trabalho, e nada mais além do que isso.

    Portanto, vemos no filme, que Hedwig, esposa do comandante Höss, só se preocupava em cuidar de seus filhos e do marido. Que estava prestes a ser transferido, para outro lugar. Mas ela não queria sair dali, pois lá tinha tudo o que ela sempre tinha almejado em sua vida. Uma casa grande, confortável e que ainda por cima, tinha uma piscina, para que seus filhos pudessem brincar e trazer seus amigos da escola também. Porém, Höss não sabia ao certo se conseguiria deixá-los naquele lugar e somente ele, ser transferido. Por isso, pediu aos seus superiores que avaliassem com carinho aquela contra proposta. Ao qual não sabemos à resposta no final do filme.

    Com o som sempre presente de tiros e gritos, que dava para se escutar na ídilica casa do comandante, vemos a angustiante normalidade de sua esposa, que sabia o que era feito naqueles lugares e mesmo assim, agia como se nada estivesse acontecendo. Preferindo mostrar aos seus filhos os avanços que tinha feito em seus jardins, com a ajuda de uma judia, é claro, que se responsabilizava por guardar os mantimentos de comida no estoque da dispensa e até mesmo, passava as roupas de todos os integrantes da casa, sem fazer barulho nenhum, pois o seu coração, também tinha sido arrancado dela em vida.

    Cenas finais, mostram diversos funcionários cuidando do que é hoje o Museu do Holocausto, onde nos deparamos com as roupas e sapatos de milhares de judeus que foram brutalmente mortos nas câmaras de gás. Como se isso fosse algo para ser colocado em Museu. Lugar onde entramos para apreciar a arte e usufruir um pouco sobre o que cada artista imaginou pra a sua história, ao qual, nenhum teve a capacidade de adivinhar o que a Europa, o berço da civilização, iria se tornar no pós-guerra. Um lugar de falência ideológica e moral, onde a felicidade não estava mais presente em nenhum lugar.

  • A luz sempre apagará à escuridão

    maio 7th, 2026
    Imagem da série da Netflix, meramente ilustrativa, feita em parceria com o ChatGPT.

    A série da Netflix — baseada no livro de Anthony Doerr, vencedor do Prêmio Pulitzer de 2015, na categoria de ficção histórica — Retrata a vida de uma garota francesa cega, chamada Marie-Laure LeBlanc e um alemão à serviço do Reich, chamado Werner Pfennig.

    Marie-Laure LeBlanc é filha de um funcionário do Museu natural de Paris, chamado Daniel LeBlanc, que cuida de algumas pedras precisosas no local, que inclusive, também inclui uma chamada, Mar de Chamas, que alguns acreditam, ter o secreto elixir da vida eterna, para aquele que à detém.

    Mediante à isso, também acompanhamos a vida de Werner Pfennig, um órfão alemão, que por sua genialidade em mexer e desvendar todas as engrenagens do rádio, e logo chamado pelo Reich, para integrar a escola politécnica de Berlim, onde os jovens mais bem dotados do país se encontram.

    Porém, ao chegar na escola, ele logo percebe que o ódio impera em todos os ambientes daquele lugar inóspito, onde a crença institucional, é baseada na ideologia nazista, onde a raça ariana deve superar suas próprias adversidades, para se tornarem verdadeiros Super Humanos, porque o que não te mata te fortalece.

    E assim, logo nos primeiros dias de treinamento, Werner consegue mostrar o seu valor, conseguindo montar um rádio do zero em apenas 53 segundos. Chamando a atenção de seu professor, que começa a orientá-lo para que pudesse trabalhar exclusivamente para o partido nazista desde então.

    Werner com isso, se encarrega de localizar todas as frequências de rádio clandestinas da Alemanha e depois da Europa inteira também; e assim, apontar onde aquelas pessoas — da chamada: Resistência — moravam.

    Enquanto isso, Marie, ficava em seu sotão em Saint-Malo, em Bretanha, na França, lendo para quem quisesse sintonizar em sua estação de rádio, algumas obras do escritor francês Júlio Verner (1828-1905), enquanto seu pai, conhecia algumas pessoas da Resistência francesa, que se opunham as ideologias nazistas, e se arricavam à todo instante, para tentar trazer qualquer informação que fosse, dos ingleses ou americanos, para a França ocupada pelos Nazistas de outrora.

    Enquanto isso, Werner tentava esconder aquela estação das garras de seus superiores da Gestapo — espécie de polícia alemã da época — que queriam a qualquer custo, qualquer informação que pudesse lhes fazer ganhar a guerra contra os americanos.

    Mas o importante fato que ligava Marie e Werner, era que eles desde pequenos, tinham o hábito de escutar a mesma estação de rádio, na frequência 13.10, onde um famoso Professor, falava coisas ligadas à ciência e à humanidade, que os fazia refletirem sobre a vida em questão. Ato totalmente reprovável para os alemães — no caso de Werner — porque o Reich de Adolf Hitler (1889-1945), não deixava as suas crianças se corromperem com coisas vindas de outras nacionalidades, que não fosse à alemã de Beethoven, Mozart, Bach e Wagner. Pois tudo aquilo que vinha de fora, para os alemãs historicamente, não tinham o mesmo valor na história, do que a música e os mitos nórdicos de Thor e Odin, por exemplo.

    Assim, quando os americanos enfim, conseguiram chegar na França, para libertá-los do mal Nazista; os dois, tanto Marie, como Werner, conseguem finalmente conhecer o famoso Professor do Rádio. Aquele homem barbudo chamado Etienne LeBlanc. Que fazia transmissões para quem quer que estivesse ouvindo. Sobre os maiores saberes filosóficos que alguém poderia passar adiante, mediante aos tantos livros que lia em sua vida; porém, que ainda estava repleto de muito dor e angústia, em decorrência das suas próprias experiências pessoais, que tinha presenciado na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), junto de seus amigos, que não retornaram do conflito para contar a história como ele, por exemplo.

    No fim da série, sentimos a devida alegria, e ao mesmo tempo, à tristeza de ser quem escolhemos ser. Pois de um lado, estava Werner Pfennig, um ex-soldado do nazismo, que tinha cometido coisas horrendas, mas que tinha sido capaz de salvar Marie-Laure LeBlanc, de um oficial nazista — seu superior — dando-lhe um tiro na cabeça, na frente do Professor do Rádio, que o protegeu até onde lhe coube.

    Porém, quando os americanos finalmente passam pela cidade de Saint-Malo, em Bretanha, na França, Werner sabe muito bem que não poderá, se dar o privilégio, muito menos o devido luxo, de amar uma garota de outra nacionalidade, que é a francesa Marie. Pois seu destino, estará marcado para sempre em sua veias, por ter sido um soldado do Reich alemão.

    Porém, antes que ele pudesse ser preso pelas tropas americanas, Marie deixa-o passar sua última mensagem através de seu rádio, à sua irmã, que ainda estava vivendo naquele orfanato — onde ele tinha vivido também — esperando qualquer tipo de notícias sobre o seu irmão genial, à partir da mesma estação, que ele gostava de sintonizar, para aprender com aquela amado professor desconhecido. E assim, ele o faz com maestria, ao som de Clair de Lune, de Claude Debussy (1862-1918), dizendo-lha que ele estava à salvo e que tinha sobrevivido ao horror do Holocausto, e que não tinha mudado quem realmente era — como ela lhe aconselhou, desde o início, antes dos nazistas levarem a sua única família para a guerra — mantendo-se firme na mesma frequência que sintonizada, para apreender os conhecimentos daquele professor que escutava na França, de maneira clandestina e inapropriada.

    Sua irmã, assim, ao ouvir à sua voz, tratou logo de se ajoelhar perto do rádio, para escutá-la melhor. Pois ela agora tinha a absoluta certeza, que não importava o mal que lhe acometesse à partir daquele momento, por ser uma eterna alemã junto com o seu irmão. Ela sabia que a luz por mais fraca que fosse, poderia iluminar a escuridão de toda uma nação.

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