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  • Sobre o Autor

Guilherme Müller

  • A despedida de um país sem futuro

    fevereiro 13th, 2025

    Ágata pela manhã tinha ido aos bancos encerrar as suas contas. Falou com a gerente e disse que ia para Portugal, morar no Porto, por algum tempo.

    – Estou tão feliz Cristiane!… – se empolga de excitação Ágata, imediatamente percebendo que aquilo não tinha pegado bem naquela conversa sobre os seus pais – Eu sei!… Eu devia estar triste e toda chorosa pelos cantos, mas isso não é a minha essência… compreeende?

    Ágata sai do banco com aquele montante de dinheiro em sua bolsa, se sentindo muito mais aliviada, por ter escolhido uma bolsa de sua mãe que era bem maior do que à que ela habitualmente usava.

    Com esse dinheiro e com a venda de minhas moradias acho que conseguirei comprar um espaçoso apartamento no Porto, com dois quartos e um escritório para que eu possa escrever bem à vontade.

    No dia da viagem, Ágata tinha se deparado com um pensamento bem inusitado:

    Como as Pessoas acumulam coisas em sua vida sem qualquer tipo de necessidade imediata aparente. Tenho que escolher só o necessário, então vou escolher:

    dois pijamas, um chinelo, dois tênis, algumas calcinhas, duas calças jeans e muitas camisetas sem que eu me esqueça é claro, dos meus dois casacos de pelos favoritos, além de meu iPhone e MacBook também.

    Com as malas prontas e lacradas com os respectivos cadeados, Ágata pede um Uber já no elevador do prédio e fica totalmente perplexa com a velocidade que a motorista do aplicativo lhe responde dizendo que só irá demorar um minuto à espera.

    – Adeus Romualdo! – Diz Ágata toda atrapalhada com a sua mala ao sair pela recepção de seu antigo prédio.

    – Você está esquecendo das chaves senhorita Ágata! – avisa Romualdo, pegando-as no ar, ao mesmo tempo em que tenta ajudá-la da maneira que dava enquanto o telefone da recepção não parava de tocar um instante sequer.

    E Assim, Ágata sabia que era o fim de sua história no Brasil ao olhar por uma última vez para o seu antigo prédio onde tinha vivido tudo com os seus pais. Mas por outro lado, um novo caminho se abria na ida até o aeroporto Antônio Carlos Jobim.

  • Uma notícia para a liberdade

    fevereiro 12th, 2025

    A temida ligação finalmente tinha chegado em seu celular pela manhã. Ágata se levantou já com ele em punho e começou a ler a mensagem enviada diretamente do hospital local:

    Informamos o falecimento da senhora Wilma e do senhor Felipe em decorrência de causas naturais, devido ao estado avançado de suas respectivas idades. Venha o quanto antes reconhecer o corpo de seus entes queridos para que possamos dar andamento ao valor final das respectivas estadias.

    Ágata por um instante ficou perplexa com aquela nota do hospital, pois um dia antes, ela tinha ido ao encontro de seus pais para jogarem conversa fora – porque ela acreditava que eles iriam ter alta o quanto antes – mas pelo visto isso não era a mais pura verdade vinda das enfermeiras do hospital.

    E agora?… O que vou fazer sem eles por perto?… – pensava Ágata enquanto escovava os seus dentes de uma maneira muito desleixada – Vou ter que enterrá-los e depois terei que ser forte para seguir com a minha própria vida. Sempre sonhei com esse dia, mas nunca pensei que esse dia chegaria tão cedo. Mas pelo visto chegou.

    Ágata se sentou em sua cama calmamente – como se quisesse tranquilizar a dor que estava sentindo em seu peito – para calçar os seus tênis e logo veio em sua mente a possibilidade de finalmente morar em um outro lugar.

    Meus pais sempre me incentivaram a desbravar o mundo, mas por outro lado, sempre me quiseram ao lado deles o tempo todo, então… eu sempre fiquei numa situação muito dificil. Mas agora vejo que não é hora de chorar e sim, tentar abrir a minha alma com novas possibilidades e aventuras que só o destino irá me libertar.

    E assim, Ágata decidi tomar coragem para ir ao hospital fazer o reconhecimento dos corpos de seus pais, ao mesmo tempo em que tenta se imaginar em um outro lugar para se amar e ser feliz novamente.

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