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  • Sobre o Autor

Guilherme Müller

  • A abstinência digital

    abril 1st, 2025

    Era mais um dia habitual na cafeteria preferida de Ágata no Porto, em Portugal. Como de costume ela estava escrevendo diversas colunas informativas sobre a geopolítica mundial em seu site particular quando inesperadamente ela começou a prestar atenção ao noticiário local:

    Pela primeira vez em nosso mundo tecnológico ocorrerá um apagão em todos os nossos serviços digitais por tempo indeterminado. Os CEO’S das Big Techs não sabem ao certo o porquê disso estar acontecendo em pleno século XXI, mas admitem, que o pior ainda pode estar por vir. Então… alertamos aos nossos assinantes para se protegerem, seja lá do que for.

    Ágata quando voltou os seus olhos para o seu blog pessoal já estava indisponível. Sua sorte foi que ela guardava todos os seus textos no word da Microsoft.

    Os burburinhos pela cafeteria recomeçaram a todo o vapor, como se as pessoas soubessem que aquilo deveria ser apenas provisório, mas na realidade, depois de um certo tempo, acabou não sendo.

    Muitos começaram a passar por ela na rua e até perguntavam se ela tinha rede móvel em seu celular. O que ela respondia que não, já sabendo que aquilo poderia ser de propósito por causa das políticas globais.

    Alguns começaram a sofrer de abstinência tecnológica, não sabendo o que iriam fazer em seu tempo livre, já que à nova realidade exigia a leitura de algum livro ou até mesmo o contato com outro ser humano de maneira cara a cara. Ágata não reclamou com ninguém. Na redação do jornal só escutava os comentários e foi a mesma coisa nas Universidades de Portugal onde dava aulas e palestras.

    O mundo preferiu o retorno das cartas e os correios logo voltaram a todo o vapor quase que de maneira instantânea. A grande maioria teve que conter a sua ansiedade para receber respostas dos parentes que moravam longe das Terras Lusas; mas aos poucos, todos foram se adaptando a não precisar mais de suas redes sociais para sobreviver.

    Ninguém sabia ao certo o que tinha realmente acontecido com a revolução da Inteligência Artificial e suas redes sociais em contínua adaptação. Mas aos poucos as pessoas pararam de se preocupar com isso e o mundo voltou a ser mais natural e realista. Alguns aderiram com unhas e dentes aos jogos de videogame novamente pois os espcialista diziam que isso fazia muito bem ao cérebro em doses moderadas é claro.

    Na redação do jornal tudo ficou mais natural também. E logo, Ágata resolveu deletar todas as redes sociais que o jornal utilizava alegando que as pessoas agora só se preocupavam com as notícias do mundo escritas no jornal apenas. E assim, o mundo teve uma anscensão de novas assinaturas nos jornais mundiais que se responsabilizaram novamente em entreter e informar sua adorada população.

    É claro que ficou muito mais difícil saber o que tal celebridade estava fazendo com o seu tempo livre, já que as redes sociais respondiam quase que instantaneamente à isso. Mas os artistas até que gostaram da nova sociedade que estava se recriando e se readaptando à esse novo mundo sem o advento da tecnologia em seu encalço em tudo o que uma determindada pessoa fazia da sua vida.

    Ágata também ficou muito impressionada com à demanda de livros que começaram a ser vendidos na Livraria Lello, no Porto, em Portugal. Parecia que a maioria das pessoas estavam redescobrindo a arte da leitura novamente, como se fosse a primeira vez que tateavam um livro novo, recém saído da impressão para consumo. Via-se as pessoas nas ruas atentas à leitura novamente e isso era muito bom para as livrarias mundo afora, pois as ameaças recorrentes de falência foram extinguidas do vocabulário popular. E assim, quando o apagão do mundo tecnológico foi resolvido e as redes sociais foram reestabilizadas junto com as suas inteligências artificias, as pessoas por escolhas próprias, preferiram deletar as suas redes sociais, gerando uma crise sem precedentes no hoje, já extinto, Vale do Silício.

  • Um porto seguro sob as águas

    março 26th, 2025

    – Viu só!… Foi um ótimo plano ter vindo até aqui – Diz Gerson ao olhar para o cais do Porto com todos aqueles navios e iates atracados.

    – Agora só resta saber se dentro deles existe algum zumbi perdido… – prefetiza Maria Clara embanhando sua arma novamente.

    – Quem vem comigo?… – pergunta Gerson já sabendo a resposta para aquela pergunta – Foi o que eu pensei! – Maria Clara levanta sua arma como se estivesse em guerrilha.

    – Vamos ficar aqui na areia esperando vocês voltarem… – explica Fabiana entrando em modo alerta junto com o seu amigo Estevão.

    – Tomem cuidado com essas pragas! – alerta Gerson, sabendo que o seu melhor amigo poderia ser um pouco atrapalhado as vezes.

    – Nós já voltamos!… – comunica Maria Clara enquanto via se sua arma estava realmente bem carregada.

    Gerson e Maria Clara sobem pela escada de madeira que os levava diretamente para a sala de confraternizações do navio de cruzeiro. Chegando por lá, encontram as mesas cheias de comida ainda frescas com muito vinho a disposição também.

    – Parece que deixaram a festa só para a gente agora… – debocha Gerson soltando um sorriso malicioso ao olhar rapidamente para o corpo de sua parceira imaginando mil coisas na cabeça – Será que eles foram burros o suficiente para terem saido daqui?

    – Parece que sim!… – Maria Clara mira nos andares lá em cima procurando algum zumbi barulhento – Fique aqui e chame os outros!… Vou vasculhar todo esse navio para ver se tem alguém escondido por aqui ou quem sabe algum…

    – Pelo visto… Eles abandonaram o barco mesmo. Você não acha perigoso você ir sozinha não?

    – Não se preocupe comigo! Eu sei me cuidar muito bem sozinha, ao contrário de seu amigo.

    – Tudo bem!… Vou buscar os outros então e já já estou de volta.

    Maria Clara vasculha cada andar do navio sem encontrar ninguém. Ela passa pelos quartos, banheiros, cozinha e até a central de comando do navio sem se deparar com um zumbi sequer. O lugar estava realmente vazio. Mas a grande questão que permanecia em sua mente era o motivo daquela embarcação ter deixado aquele navio atracado ali sem ninguém para contar a história daquilo à eles.

    – Tudo certo!… Depois do que vi vai ser bem difícil me convencerem a abandonar esse lugar. Só saio daqui morta!… Temos alimentos para anos a fio. Depois mostro para vocês.

    – Finalmente posso chamar esse lugar de lar então… – diz Estevão se sentindo muito mais aliviado de ter um canto para morar até que essa epidemia seja controlada ou quem sabe extinguida em algum momento – Acho que todos nós precisamos de um bom banho. Não concordam?…

    – Gerson puxe as escadas de madeira do navio antes que algum zumbi possa entrar pela porta de frente e nos pegar totalmente desprevinidos. Ok?… – pede Maria Clara indo mostrar aonde é que era os banheiros para os seus companheiros.

    – Deixa comigo!… Vou ficar de vigia lá em cima até que vocês terminem. Tudo bem?… – Maria Clara assente com a cabeça em sinal de afirmativo.

  • Buscando um refúgio entre os zumbis

    março 25th, 2025

    – Há quanto tempo estamos aqui?… – pergunta Gerson muito preocupado com os outros – Será que já podemos sair desse bunker?

    – Acho que sim… mas e quanto aos zumbis que provavelmente estão rondando lá em cima?

    – Vamos ter que ter coragem se quisermos sobreviver a este novo inferno – argumenta Gerson, ao comer um pedço de carne em seu prato.

    – Ainda bem que aqui embaixo está lotado de armas e munições… – rebate Maria Clara já pensando nos próximos passos daquela comitiva – Pois não quero ficar aqui embaixo para sempre, por mais que tenhamos muita comida.

    – Ela está certa!… Precisamos pegar o que for preciso para que possamos ir adiante – Diz Gerson recarregando algumas armas.

    – Como assim ir adiante?… – pergunta Fabiana, sem entender nada daquilo – Pensei que aqui estávamos seguros.

    – Mas não é possível!… Você acha que realmente ficaríamos aqui até quando?… Ou será que você se esqueceu que o governo do mundo todo foi extinto. Agora é cada um por si e Deus por todos. Se ainda existir fé nesse mundo de desolação, é claro.

    – Mas iremos para onde?… – torna a perguntar Fabiana – Aqui temos tudo o que precisamos até que chegue algum reforço do estado.

    – Você está surda ou o quê?… Já falei que o estado não quer mais saber de sua população. É só olhar para os noticiários de TV… Eles falam para nos mantermos em casa protegidos mas não demonstram nenhum tipo de plano para a evacuação em massa. Não tem como!… É mais gente do que qualquer governo é capaz de recolher.

    – Ele tem razão!… – Diz Estevão, começando à colocar alguns suprimentos em sua mochila para os próximos dias – Eu também não quero ficar aqui para sempre, então… é melhor nos apressarmos até que possamos encontrar uma outra fortaleza no nível do mar, pelo menos.

    – Alguém já deve ter tido esse plano!… – Gerson diz em um tom mais alto do que o normal – Pois afinal, o vírus não deve ter corroído à todos que estiveram na superfície no momento da catástrofe, então… Se sobreviveram pessoas como a gente, com toda a certeza deve existir outros lá em cima.

    – Mas e se nós nos infectarmos pelo ar? – pergunta Fabiana, ainda um pouco receosa de ter que sair daquele lugar tão acolhedor.

    – Não seja uma imbecil!… À essa hora todos nós já fomos infectados – responde Gerson sem nenhum tipo de paciência para ficar mais tempo preso naquele bunker fétido.

    – Isso quer dizer então que quem for o próximo a morrer de formas naturais se transformará em zumbi instantanemante, não é isso?… – Pergunta Estevão, tendo uma certa intuição da resposta que seu amigo irá lhe dar.

    – Exato!… Há uma hora dessas toda a população que sobreviveu já está infectada também.

    – Que horror! – Fabiana mal consegue acreditar naquilo em que escuta.

    – Pois vá se acostumando!… – Gerson olha em volta daquele bunker por uma última vez, como se estivesse esquecido de alguma coisa antes de ir – Acho que está tudo certo!… Quem vem comigo?… Fabiana? Estevão? Maria Clara?… Foi o que eu pensei!

    E assim, a nova comitiva se transforma numa espécie de família na superfície. Se defendendo de alguns zumbis chatos e logo encontrando um carro onde podem atravessar aquela estrada rumo ao litoral mais próximo.

    – Não acha que é melhor irmos para uma cidade maior que essa?… – Sei lá… As vezes podemos encontrar alguma fortaleza bem protegida por outros grupos – Estevão tenta pensar em algumas possibilidades, vendo a cara de poucos amigos daquele que está ao volante.

    – Não seja um idiota!… Você acha realmente que alguém vai nos receber de braços abertos nesse inferno que se transformou o mundo?… Caia na real Estevão! – esbraveja Gerson ao cerrar os seus dentes – Nós precisamos ir até a costa para ver se tem algum navio atracado nele. Pois assim, podemos sair desse país assombrado.

    – Excelente ideia!… – Diz Maria Clara – Ainda mais se conseguirmos um navio de cruzeiro. Pois ele com toda a certeza irá ter tudo aquilo que precisamos. E acho que nenhum zumbi irá nos perturbar quando tomarmos um e fizermos dele uma fortaleza sob a água.

    – Estou pegando um atalho para que possamos chegar no Porto mais rápido… – comunica Gerson, torcendo para que a sua ideia dê certo.

  • O apocalipse zumbi

    março 24th, 2025

    – Isso não está acontecendo!… – esbraveja o médico especialista do laboratório – A bacteria está começando a se propagar para fora daqui.

    – Mas como isso aconteceu?… – pergunta a sua assistente de trabalho.

    – Eu não sei!… A inteligência artificial que controla esses computadores parece que enguiçou – diz o médico ao olhar para todas aquelas funções no computador.

    – E não tem como reverter esse processo antes que a população sofra as consequências? – pergunta a sua assistente, transparecendo toda a sua preocupação em seu rosto.

    – Infelizmente não!… Quem me dera que eu pudesse controlar essa inteligência artificial.

    – Mas o que pode acontecer com a humanidade?

    – Nos casos mais extremos pode transformá-la em zumbis… – responde de forma direta o médico, refletindo por um segundo sobre aquela possibilidade – ainda mais para quem não tem a imunidade muito alta.

    – Zumbis?… Mas como pode?… Esses anos todos eu estava trabalhando para o senhor e você só me diz que esse virus é capaz disso só agora?

    – Me perdoe por isso, mas nós estávamos trabalhando para a cura de diversos tipos de vírus, e esse era um deles, caso acontecesse um apocalipse, por exemplo. E além do mais eu nunca poderia imaginar que a inteligência artificial fosse querer algo como isso para a humanidade.

    – E o que fazemos agora?… – pergunta a sua assistente.

    – Estou tentando ligar para a minha superiora para informá-la sobre esse caso… – explica o médico – mas no seu caso acho melhor você informar a sua família sobre o ocorrido para que eles possam se preparar para o pior cenário possível dentro de horas.

    – E em quanto tempo até esse vírus chegar em todo o planeta?

    – Acredito que dentro de 24 horas apenas! – informa o médico deixando transparecer toda a sua precoupação ao segurar com muita firmeza aquele celular.

    – O que vamos fazer depois da ligação?

    – Informar o prédio todo antes que possamos voltar para as nossas famílias… – informa o médico – E lhe aconselho que você vá para algum bunker também, caso tenha conhecimento de quem tenha, é claro.

    No momento em que o médico diz aquelas palavras, o prédio todo sofre uma grande explosão radiotiva, onde quase ninguém sobrevive para contar aquela história. O mundo agora estava para ser tomado por esse vírus devastador de células vivas dentro de apenas 24 horas.

    Porém, algumas pessoas que conseguiram sair à tempo do prédio, logo foram para o bunker que ficava bem próximo dali e aproveitaram a oportunidade para que pudessem avisar aos seus familiares que um vírus muito potente estava para assolar o mundo em um apocalipse zumbi devastador.

    Muito poucos acreditaram naquilo. Mas os que aceitaram aquilo como verdade e se refugiaram em bunkers, foram salvos de inalar aquele vírus que destruia qualquer vida que encontrasse pela frente, transformando-os em mortos vivos para todo o sempre.

  • Como o mundo seria depois da 3ª Guerra Mundial?

    março 1st, 2025

    Ágata ainda se lembra aonde estava quando tinha finalizado o último capítulo de seu romance. O restaurante estava atulhado de pessoas conversando alto, enquanto ela escrevia aquele fabuloso enredo sem parar para tomar um pequeno gole de café sequer.

    Tinha passado meses naquele enredo repleto de personagens profundos e agora era muito difícil se desvencilhar de todos eles e seguir com a sua própria vida. Mas aos poucos ela foi se esquecendo da história, do enredo e da trama principal que envolvia à todos, e assim, voltou a se focar inteiramente na Livraria Lello.

    Ágata estava muito nervosa e ansiosa por ter que começar em uma nova carreira sendo uma escritora. Tinha enviado o seu original para diversas editoras ao redor do globo e ficava esperando a resposta de algumas delas em seus momentos vagos, checando os seus emails de hora em hora.

    E logo no seu dia mais atarefado na Livraria, Ágata foi informada que alguns editores gostariam muito de falar com ela à respeito de sua obra. E assim, ela se despiu de seu avental com muito cuidado e foi a diversos restaurantes falar com eles à respeito de seu original.

    Chegando por lá, ela descobriu que todos os editores queriam publicar o seu livro em seus países de origem, e assim, ela acabou vendendo os direitos autorais de sua obra, por uma soma exorbitante de dinheiro, que ela poderia muito bem parar de trabalhar na Livraria Lello se quisesse.

    Mas ela não fez isso. Pois ela imediatamente também recebeu propostas de adaptação cinematográfica de seu obra, o que lhe deixou bastante empolgada que até começou a imaginar os atores certos para cada papel em específico.

    Mandava centenas de convites de emprego para diversos atores e atrizes que eram capazes de interpretar com elegância seus personagens. E logo, marcou uma data no calendário para o lançamento mundial de sua obra na Livraria Lello, que imediatamente fez milhares de convites que lotou o ambiente de uma maneira bem inesperada.

    Ágata tinha ficado maravilhada com a sua força. Pois tinha perdido o emprego no jornal e nas Universidades e mesmo assim, conseguiu se tornar uma escritora de muito sucesso. Era convidada por diversos países para falar sobre o autoritarismo da extrema direita.

    Aos poucos os jornais foram voltando a chamá-la para fazer matérias e colunas sobre a Terceira Guerra Mundial, ao passo que as universidades do mundo todo à convidavam para fazer palestras também. Porém, ela não queria mais escrever romances, dizia que aquilo não era para ela, pois o seu hobby era mesmo escrever sobre a história e sua contemporaneidade. E assim, enquanto os países do mundo todo iam se reconstruindo, aos poucos, seus líderes foram encarando uma nova realidade que precisava ser enfrentada por seus cidadãos. À de estudar as origens e consequências daquele conflito.

    Sendo assim, Ágata reuniu tudo o que tinha escrito naquela época e encaminhou diretamente para que a sua editora pudesse fazer um livro que imediatamente virou um best seller no mundo todo.

    Ágata agora sabia que toda a sociedade tinha um certo tempo para poder digerir o conflito, por isso que os livros de poemas e romances foram bastante vendidos naquela época nefasta; as pessoas não queriam ou não tinham coragem para encarar os fatos, mas agora estava na hora de mostrar-lhes que no mundo não se vive só de ilusão e fantasia, pois enquanto uns se voltam para a ficção, Ágata e seus colegas de trabalho estavam voltados para a dura realidade de ter presenciado uma nova guerra mundial, com consequências inimagináveis para a civilização daqui para a frente.

  • A literatura do pós-guerra

    fevereiro 28th, 2025

    Ágata estava passando por um momento péssimo em sua vida profissional. Tinha sido demitida das Universidades de Portugal onde dava aulas e palestras sobre a geopolítica mundial; e também não era mais requisitada para escrever novas matérias e colunas nos jornais locais. E assim, decidiu por conta própria, voltar a trabalhar na Livraria Lello, atendendo as pessoas como se a sua vida antiga pudesse ser completamente apagada.

    As pessoas entravam na livraria e tomavam um choque por ver uma correspondente de guerra ali, trabalhando como se nada tivesse acontecido.

    Ágata sempre era solicita com todos e mais uma vez chegou ao cargo de gerente da livraria, mas mesmo assim, insistia em organizar os livros por assuntos, colocando na vitrine os mais vendidos do pós guerra.

    Mas ela sabia que tinha algo de estranho naquele novo mundo. Pois a grande maioria não queria saber mais de história, muito menos de jornalismo investigativo. E assim, a Livraria Lello passou a encomendar somente livros de poesias e romances, que saiam como água; enquanto outros assuntos, encalhavam nas prateleiras e acabavam acumulando uma poeira enorme.

    Ágata ficava muito chateada com aquilo tudo, pois ela sempre tinha preservado em sua vida, a liberdade de pensamento e a reflexão profunda sobre temas existenciais, que afligiam diretamente a sociedade. Mas parecia que agora, as pessoas não queriam pensar sobre o que tinha acontecido no mundo. Se desviando para poesias e romances que não levavam à lugar nenhum.

    Ela até tentava conversar com alguns amigos que restaram no pós guerra, mas eles logo desconversavam alegando que a sociedade estava muito ocupada tentando reconstruir tudo o que tinha sido destruído no conflito. E assim, mais uma vez, ela foi silenciada.

    Ágata então retomou o seu serviço na Livraria Lello com muito afinco. Mas insistia em Passar o seu tempo livre entre livros velhos de história. Resolveu cortar o sinal de sua antena de televisão também, alegando para os provedores que o jornalismo tinha acabado.

    E assim, ela foi obrigada a dar sequência à sua vida, mas nos momentos vagos tornava à escrever romances históricos com uma assiduidade incrível. Pois ela sabia que muito em breve seria publicada por alguma grande editora e que o lançamento de seu próximo livro seria na Livraria Lello. E ninguém poderia silenciá-la com o que ela tinha visto e escrito sobre o conflito que tinha mudado a consciência de uma nova geração do pós guerra.

  • A ilusão momentânea da contemporaneidade

    fevereiro 27th, 2025

    Ninguém poderia prever o fim daquele conflito. Mas em um dia frio de dezembro, ele chegou ao fim, trazendo consigo todas as marcas da derrota. Nenhum país saiu com as glórias da vitória, como aconteceu com as duas grandes guerras anteriores. E assim, os esforços envolvidos para a reconstrução de cada país foram enormes.

    Muitos países pediram empréstimos, inclusive os Estados Unidos, a Rússia e a China. Abrindo assim, as portas para que as potências menores fizessem a mesma coisa. Colapsando de vez os bancos internacionais.

    Ágata ficou bem assustada com aquela situação, pois a maioria dos jornalistas de guerra que sobreviveram, como ela ao conflito, não tinham como prever o que iria acontecer dali para a frente. E muitos foram para o campo da poesia e da literatura como tentativa de externalizar o que estavam sentindo com aquilo tudo que tinha restado da civilização humana.

    Das livrarias que ficaram de pé a única que restou foi a Livraria Lello, no Porto, em Portugal. Então a maioria dos livros que eram lançados no pós guerra eram obras de jornalistas que experienciaram de frente o conflito como protagonistas. Via-se muitos livros sobre poesia. E até parecia que alguns escritores não queriam escrever sobre o conflito, e assim, faziam-se alusões ao conflito de maneira muito romanceada.

    Mas a escrita de Ágata era bem diferente. Sua produção se dava no que ela tinha escutado, visto e presenciado sobre o conflito com exclusividade. Porém, tinha um problema. Ela não conseguia indicar quem tinha saído vitorioso com aquela guerra daqueles que tinham saído derrotados. E assim, seus textos foram perdendo credibilidade jornalística também, junto com os seus colegas de trabalho que optavam por não querer escrever sobre o que tinha acontecido.

    As editoras queriam poesia e romances fictícios, alegando que a população precisava ser amada novamente, e assim, tudo que era produzido sobre o conflito vindo de historiadores e jornalistas, era imediatamente rejeitado pelas editoras e jornais locais.

    Ágata ficou extremamente decepcionada com aquela medida. E assim, tentou os primeiros esboços de um novo romance que nunca viu a luz do dia entre leitores, escritores, editores e livrarias ao redor do mundo.

    Ela descartou logo a ideia daquilo e teve a ideia de criar um site para que pudesse mostrar o que tinha acontecido na guerra com as pessoas que viviam em Portugal, pelo menos. Mas ela logo observou que o seu site não estava tendo tráfego algum com novos leitores, pois as pessoas teimavam em usar a leitura como forma de entreterimento apenas, e não mais como arma para se informar, como acontecida antigamente com a sua reputação.

    Mas Ágata era muito teimosa e continuou a escrever em seu site, mesmo sabendo que ninguém nunca leria as suas matérias e colunas jornalísticas como antigamente.

    A maioria dos jornais fecharam as portas e os que ainda estavam em pé só publicavam crônicas do dia a dia como forma de entreterimento. Ao qual eram vendidos milhares de exemplares junto com as editoras de livros que faziam o mesmo com os novos romances históricos repletos de amor e paixão.

    Ágata se viu totalmente perdida no mercado editorial. Pois o que antes era publicado aos milhões agora tudo passava pelo crivo da autoridade do estado que lia suas colunas e matérias com muito afinco e depois recusavam o seu trabalho alegando que as pessoas iriam ficar depressivas com as fotos que poderiam ser impressas nos jornais sobre a guerra em questão.

    E assim, os jornais e editoras pareciam ignorar o que era escrito sobre a guerra, dando sempre preferência à ilusão momentânea da contemporâneidade.

  • As consequências do Apocalipse

    fevereiro 26th, 2025

    Ágata começou a ver vários cartazes nas ruas anunciando o tão esperado Apocalipse. Pois o anti-cristo todos já sabiam que era o presidente dos Estados Unidos, ainda mais depois dele fazer todos aqueles pronunciamentos diante dos jornalistas de Washington, que previam a morte do papa Francisco para março daquele ano.

    Muitos acabaram abandonando seus lares com a chaleira ainda a zunir pela cozinha. Escapavam dos escombros e dos drones que pairavam no ar com seus alvos bem localizados. Viamos carros no meio da rua e crianças gritando sem saber para onde iriam seus melhores amigos daqui para a frente.

    Ágata se manteve firme. Foi uma das poucas pessoas que ficaram em Portugal para cobrir melhor a guerra pela Europa. A cidade do Porto se esvaziou como o Coliseu em Roma de antigamente. E assim, ela resolveu retornar para o seu trabalho fotográfico tirando várias fotos daquele conflito previsto por ela a alguns anos atrás, com o início da guerra na Ucrânia e na Palestina também.

    Ela nunca se imaginou em cobrir o Apocalipse para o mundo, ainda mais, fazendo matérias jornalísticas exclusivas do conflito. Tirava fotos de famílias que ficaram totalmente carbonizadas pelo fogo das bombas jogadas por drones militares, além de crianças que muita das vezes, perdiam todos os seus familiares no conflito; e que andavam no meio das ruas procurando algum amigo ou desconhecido que pudesse lhe dar abrigo e comida.

    Era tudo muito assustador. Ágata acabava pensando muito nos seus avós, que fugiram da 2ª Guerra Mundial para se livrarem de uma Europa muito enfraquecida economicamente, e agora, parecia que tudo estava voltando ao que era. Com conflitos sem sentido e o mundo todo participando do conflito sem que alguns países pudessem ter condições de se manter em estado de guerra.

    Os estrondos eram sentidos na sacada de seu apartamento no Porto. E até algumas fotos foram tiradas desse local. Mas o que deixava os seus leitores mais impactados eram as fotos dos corpos de guerra. Via-se muitas mutilações espalhados pelas ruas de Portugal. E o que era antes uma cidade bela para se visitar, rapidamente se tornou um lugar devastado pelo conflito. Com igrejas, universidades e museus totalmente destruídos. Levando para o fundo do poço séculos de história medieval.

    Tudo agora era uma questão de tempo até que as grandes potências mundiais tivessem coragem de testar suas bombas nucleares. Rússia estava esperando ataques vindos dos Estados Unidos e da Europa, mas parecia que ninguém queria gravar o seu nome na história despejando suas primeiras armas nucleares no vizinho. Mas logo, a China decidiu iniciar o conflito mirando na Casa Branca em Washington, matando milhares de civis, jornalistas e políticos de ambos os partidos do congresso americano.

    Ágata leu a matéria no jornal enquanto Portugal estava sendo atacado à noite por forças ocultas de drones sem identificação, mas os políticos europeus logo preferiram colocar a culpa na Rússia e na China, porque era muito mais cômodo.

    Portugal não tinha bunkers! Somente cidades muradas, onde as pessoas começaram a se abrigar e logo os pequenos vilarejos ficaram totalmente abarrotados de gente. Ágata aproveitou a oportunidade para ajudar na entrega de cestas básicas para famílias que perderam tudo nos grandes centros, como Lisboa, por exemplo.

    O que mais à deixava assustada era o estado emocional das crianças que não sabiam o motivo de estarem abandonando suas casas e amigos de escola. Diziam que essa guerra não tinha vencedor e só perdedores. O que iriam fazer daqui para a frente?…

    Ágata não tinha a resposta para aquela pergunta. Mas o que mais lhe intrigava, era o fato de que ela tinha avisado sobre um possível novo conflito anos atrás; e parecia que os países tampavam os seus ouvidos com acordos políticos que só beneficiavam seus próprios interesses econômicos.

    E assim, aos poucos, ela foi perdendo seus colegas de trabalho, que eram citados em rádios, como grandes personalidades, que tinham feito algo para a sociedade. Levando-os a pensarem de forma diferente e mais consciente do que os políticos queriam.

    Suas fotos apareciam nos jornais, levando-a às lágrimas. Ela se lembrava das histórias de cada um e do duro que tiveram que dar para chegar aonde chegaram. Mas infelizmente, suas vidas tinham sido interrompidas por causa do luxo político de se governar para líderar. Mas a grande pergunta que pairava em sua cabeça era:

    Por que um país tinha que competir para ser uma potência?

  • As sirenes tocam para a 3ª Guerra Mundial?

    fevereiro 25th, 2025

    Ágata se lembrava de maneira muito recorrente sobre os campos de batalha na Ucrânia e na Rússia, ao qual esteve como correspondente internacional. Entrevistou diversos soldados dos dois lados da guerra. E alguns relatos ela acabou publicando nos jornais internacionais, para que o mundo pudesse tomar coragem para agir de alguma maneira. Mas infelizmente, ninguém queria se comprometer com aquilo ou pelo menos, tomar partido.

    Na mesma medida também acontecia a guerra entre Israel e Palestina, ao qual, ninguém se mexia para acabar com aquele conflito desnecessário.

    Nesses países o serviço militar tinha se tornado obrigatório novamente. E Ágata via o desespero dos jovens que muitas das vezes mal sabiam pegar em armas. Mas pelo menos, tinham um sentimento patriótico em defender suas terras com todo o seu coração e isso era de um heroismo extremo e ao mesmo tempo muito admirável também.

    Alguns simplesmente viviam nessas regiões de guerra como se estivessem em paz consigo mesmas, saindo com os amigos ou marcando algum jantar romântico com o seu parceiro, enquanto as bombas caiam ao longe, devastando sonhos e planos de vida.

    Os países da europa se reuniam para tentar fazer novos acordos para um cessar fogo aparente, mas a guerra continuava a todo o vapor; só que os noticiários acabaram se cansando daqueles conflitos que não geravam mais likes e curtidas em suas redes sociais e assim, decicidiram não cobrir mais os eventos com os seus correspondentes de guerra.

    Ágata ficou bastante decepcionada e decidiu resistir à tudo aquilo recolhendo o máximo de material que conseguiria com as pessoas que moravam em zonas de guerra. E assim, tirou diversas fotos sobre o conflito. Corpos putrefados nas ruas, destruições históricas de prédios importantes que eram tombados e até de alguns soldados que expressavam suas insatisfações para ela, como se ela fosse alguma psicóloga que estava ali para curá-los de todo o mal que viam e ouviam à noite.

    Mas quando o conflito começou a ficar mais perigoso, Ágata decidiu retornar para Portugal, visando uma outra matéria sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Levou consigo fotos e relatos muito importantes sobre o conflito e publicou no jornal local do Porto, que automaticamente saiu em diversos outros veículos na imprensa internacional também.

    Outros países também entraram em contato com as suas matérias sobre o conflito e ficaram atônitos com o que poderiam fazer para salvar todas aquelas pessoas. Alguns países da Europa resolveram enviar alguns suprimentos e armas que imediatamente foram desviados pelo governo russo; outros, ofereceram asilo político à quem quisesse. O que gerou a maior imigração da história. Onde a maior parte dos ucranianos foram se dispersando ao longo da Europa.

    Pela primeira vez em séculos, vimos a direita política comungar com a esquerda, ajudando no processo de fronteiras até a Ucrânia não ter mais ninguém que ficasse por lá para contar a história aos seus filhos netos e bisnetos.

    A Rússia continuou a bombardear a Ucrânia até não deixar mais nada em pé de igualdade. E assim, o que antes era chamado de território ucraniano, foi indevidamente anexado à Rússia como sinal de poder e soberania. E o mesmo ocorreu com a Palestina. Tendo Israel tomado o território para si, deixando os palestinos sem casa e um lugar para sossegar o coração em paz.

    Ágata ainda se lembra, como se fosse ontem, aonde estava quando escutou pela primeira vez as sirenes que a levaram diretamente para a terceira guerra mundial. Ela estava descansando a mente dentro da Livraria Lello, no Porto, folheando alguns livros sobre fotografias de guerra, quando uma atendente veio até ela lhe mostrar os noticiários em seu celular.

    Imediatamente todos que estavam na livraria foram evacuados do local sem entender nada, pois todos alegavam que tinham pagado uma boa quantia para entrar ali, sem que pudessem sair sem nenhum livro sequer para registrar a lembrança em seus corações. Mas a gerente da livraria foi insistente e todos respeitaram a decisão com uma certa indignação nos olhares.

    Ágata entrou num restaurante qualquer depois do ocorrido e observou que todos estavam olhando para a televisão estupefatos, deixando em seus rastros o silêncio absoluto. Pois o presidente dos Estados Unidos acabava de informar à todos – no salão oval da Casa Branca – que a Terceira Guerra Mundial, enfim, tinha começado com um pesar enorme em seu coração, por mais que eles tenham tentado de tudo para sanar o conflito entre o Oriente Médio – Israel e Palestina – e entre a Rússia e a Ucrânia também.

    As sirenes foram tocadas novamente, para anunciar à população do mundo todo que novas guerras estavam por vir. E assim, Ágata se lembrou dos tempos de seus avós portugueses, que tinham fugido da Europa, para buscar asilo no País que nunca saia do futuro como promessa.

  • O jogo de xadrez da política

    fevereiro 24th, 2025

    Ágata tinha ficado extrememanete chocada com o aumento dos casos de xenofobia na Alemanha, no período em que ela esteve por lá. Ela até teve tempo de reunir relatos de alguns brasileiros que diziam nunca terem se sentido bem vindos em terras germânicas.

    Umas das ocorrências que mais impactaram-na foi à de uma jovem brasileira que estava se divertindo em uma festa e um alemão chegou até ela para lhe perguntar se ela iria de cipó para a escola quando era mais nova. Outro relatou que estava entregando encomendas em Frankfurt e um carro passou pela estrada em alta velocidade e jogou uma garrafa de água em suas costas, pois por lá quem fazia esse tipo de trabalho costumava ser exclusivamente os imigrantes, e com o aumento da extrema direita no país, isso acontecia com cada vez mais frequência.

    Ágata resolveu fazer uma matéria no jornal denunciando esses tipos de comportamento na Alemanha e logo os partidos políticos tiveram que se defender das acusações graves vindas dos brasileiros. Até a embaixada do Brasil na Alemanha se meteu nos casos e imediatamente os responsáveis por aquilo tiveram que pagar um alto preço para a justiça, que providenciou imediatemente as prisões necessárias antes que mais manifestações pudessem atrapalhar a circulação nas grandes capitais.

    A situação foi ficando cada vez mais insuportável em toda a Europa, mas Ágata se manteve firme como cidadã do mundo e resolveu voltar para Portugal à trabalho, pois já tinha recolhido material demais para suas colunas jornalísticas. Ia para as Universidades dar aulas e palestras sobre o que estava acontecendo na Europa e no mundo, ao mesmo tempo em que, continuava a escrever suas matérias ácidas no jornal local do Porto.

    Ela também tinha achado um absurdo os emails que Elon Musk estava enviando para os funcionários federais americanos para que explicassem em poucas linhas sobre o trabalho que realizavam nos orgãos correspondentes. Se não respondessem aos emails poderiam ser demitidos em justa causa, mas se respondessem também poderiam ser. E logo isso acabou gerando uma crise enorme nos Estados Unidos, pois além deles estarem fechando as suas fronterias para os imigrantes, também alegavam estar reduzindo gastos públicos infundáveis.

    Os Estados Unidos acabou entrando numa crise sem precedentes. Sua economia não era vista mais como a potencia líder à ser batida; e enquanto isso, tanto a China como a Rússia ganhavam cada vez mais espaço na geopolítica mundial.

    Trump ainda queria os minérios das chamadas “terras raras” da Ucrânia em troca da tão sonhada paz que o país tanto queria advindas da Rússia também. Mas logo, Volodymyr Zelensky disse que isso seria negado com unhas e dentes; mas por outro lado, disse que poderia renunciar ao cargo de presidente da Ucrânia, caso a Rússia, os Estados Unidos e a Europa, sentassem em uma mesa de reuniões para celar a paz.

    O fato que intrigava Ágata era esse interesse todo dos Estados Unidos de querer buscar minérios na Ucrânia agora. Mas depois de tanto estudar a questão, entendeu que os Estados Unidos dependiam demais dos minérios raros da china, e isso poderia ser visto como uma fraqueza para a sua economia mundial, que competia diretamente com a China, a Rússia e a Europa também. E assim, seria uma boa oportunidade dos Estados Unidos conseguirem esses matérias das “terras raras” da Ucrânia, caso quisessem ser líderes na fabricação de carros elétricos, smartphones e inteligência artificial por exemplo.

    Enquanto isso tudo era debatido nos restaurantes e cafés da cidade do Porto, Ágata se mantinha empenhada em seus serviços políticos no partido de esquerda. Fazendo seu ativismo político à partir de sua escrita, que tentava entregar para o povo o alerta de algum apocalipse imprevisto.

    Outra informação que Ágata escreveu em suas matérias no jornal foi a decaída das redes sociais em todo o mundo, desde que a extrema direita começou a angariar cada vez mais adeptos. Pois o partido alegava que todas essas redes eram prejudiciais para o ser humano de uma maneira geral. E assim, os novos eleitores começaram a escrever cartas novamente, comos se esse retrocesso fosse benéfico para a humanidade.

    Dessa vez Ágata não pode ir contra à essas políticas, o que a deixava cada vez mais intrigada, pois essa ideia pautada em estudos científicos não tinha sido ideia da sua tão adorada esquerda política. E foi assim, que ela foi deixando de ser uma esquerdista para se tornar uma mulher mais ao centro parlamentar do congresso europeu.

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