• Sobre o Autor

Guilherme Müller

  • A poesia encontrada nas ruas

    abril 9th, 2025

    Ágata tinha virado uma lenda urbana. Uns diziam que em seus momentos finais ela estava lá para consolá-los até o juízo final; outros, diziam que ela tinha lhes protegido de algum perigo iminente como saqueamentos e roubos.

    Na redação do jornal português a decepção era gigantesca. A grande maioria não acreditava que a redatora chefe tinha pedido demissão para se tornar uma singela peregrina das estradas. Não entendiam o por quê dela ter escolhido aquele caminho incerto sem dinheiro para se alimentar muita das vezes.

    Enquanto isso, nas Universidades – onde Ágata deu as suas aulas e palestras sobre a geopolítica mundial – o sentimento era mais profundo e intenso. Seus colegas de ofício preferiam não falar sobre o assunto, mas nas aulas a maioria dos aprendizes insistiam no assunto, lendo cada vez mais os seus livros e artigos que ela tinha deixado para estudo. Ágata tinha virado uma espécie de celebridade intelectual.

    Já na Livraria Lello – onde por muito tempo tinha sido auxilixar e gerente – seus amigos entenderam perfeitamente aquela atitude bem pensada e planejada. Enquanto seus livros esgotavam na mesma velocidade que entravam no sistema.

    Os paparazzi agora tinham uma nova missão dificílima: encontrá-la custe o que custar; e qualquer foto que lembrasse seus feitos ou sua aparência, ela colocada nos jornais do dia seguinte trazendo um enorme lucro bancário para os empresários de plantão. Alguns até conseguiram tirar fotos de pessoas que até pareciam com ela no tamanho e no peso. Mas logo em seguida, muitos pensavam que não era ela naquela fotografia embaçada.

    Mas quem mais lucrou com aquele sumiço foram as editoras, que se degladiavam-se para ver quem iria sair na frente daquelas publicações que reuniam todo o seu trabalho em vários volumes. Mas por fim, tivemos uma editora campeã, que acabou ganhando da Bíblia, como o livro mais importante já escrito no universo.

    As pessoas à liam como se os seus textos fossem uma espécie de religião à ser proliferada em todo o planeta. Liam-na de manhã, tarde e noite. Antes e depois dos trabalhos de casa.

    É claro que as igrejas ficaram apavoradas com aquilo. Pois quase mais ninguém ia aos seus cultos semanais, alegando que não iam mais sustentar aquele pastor ou padre que fingia guiar suas ovelhas pelo caminho do nosso senhor.

    Ágata foi condenada por desvirtuar à ordem pública. Mas à essa hora já não mais importava, pois ninguém sabia aonde ela andava. Porém, para a grande maioria, ela tinha se tornado onipresente.

    Sua onipresença era vista nos jornais ao redor do mundo. Pois diversas publicações diziam que ela estava na Ucrânia guerrando ou na Palestina defendendo os injustiçados.

    Alguns diziam que tinham sonhado com ela. Que ela trazia boas novas para um mundo mais humano e justo. Livre de guerras e tarifas comerciais. Dizia que todos teriam livre acesso em qualquer país do mundo. Mas muitos duvidavam daquilo. Pensavam que estavam ficando malucos. Procuravam psiquiatras forenses que acabavam lhes dizendo a mesmo coisa que Ágata também acreditava em seus textos e livros. E assim, aceitavam o veredicto de uma intelectual das ruas, ao qual, ninguém sabia o seu nome e de onde teria tirado aquelas ideias revolucionárias que mudaram o mundo, prestes à entrar em extinção.

    Seu nome tinha virado sinônimo de revoluções sociais.

  • Na estrada de uma literatura

    abril 8th, 2025

    Ágata enfim tinha chegado ao topo. Aquele lugar onde todos almejam mas que pouquíssimos conseguem estar em permanente êxtase. Tinha conseguido bons empregos sendo uma mera estrangeira em terras lusas, mesmo ela tendo dupla cidadania.

    Afinal, ela sempre seria uma forasteira. Não importava se ela introduzisse algumas palavras em seu vocabulário, que só eram ditas em Portugal. Seu sotaque à entregava. Ela afirmava em querer esquecer o seu passado. Mas isso era impossível de se fazer. Pois sua trajetória estava impreganada de memórias sensíveis.

    A grande questão que permanecia em sua cabeça era: O que ela iria fazer com a sua vida dali para a frente?

    Será que teria para onde ir?…

    Tinha se tornado uma grande escritora, jornalista e professora.

    Sua vida pessoal não importava. Não tinha paciência para namoricos de beira de estrada. Estava muito ocupada tentando ser artista circense com suas palavras sempre em malabarismos.

    Tinha conseguido mudar um pouco o mundo. As pessoas já não eram mais guiadas por redes sociais. Preferiam redescobrir algum livro mofado nas estantes das bibliotecas do estado, que ninguém tinha tido à coragem de folheá-lo, ainda.

    Assim, parecia que a sua tarefa na terra já estava cumprida.

    Os países se repeitavam mutuamente, sem que ninguém se atrevesse a entrar em guerras comerciais, com tarifas altas de exportação e importação, como era o desejo do então ex-presidente dos Estados Unidos: Donald Trump.

    Outra política que Ágata acompanhou bem de perto foi a criação de um passaporte único. Onde todos poderiam circular livremente por qualquer país que quisessem, sem que com isso, pudessem sofrer as consequências de uma alfândega sempre maldosa e desconfiada de tudo e de todos.

    Agora, todos eram cidadãos do mundo. Usando uma mesma nacionalidade para poderem circular livremente. E assim, alguns começaram a ter sentimentos patrióticos pela mãe terra, dizendo que pertenciam à ela e à ela tudo deviam.

    Todos eram donos da terra. E isso causou como consequência um uso muito mais responsável de tudo que era público. Desde escolas até praças da vizinhança.

    O trabalho obrigatório passou a ser três vezes por semana apenas. Pois a nova sociedade alegava que tanto o homem como a mulher tinham que passar mais tempo com suas adoradas famílias. E assim, o capitalismo desenfreado foi sendo minado até a sua extinção completa. Levando os mais ricos a perderem todas as suas fortunas aplicadas em bancos e imediatamente convertidas para as instituições de caridade mundo afora.

    Ágata adorava encontrar alguns viajantes pela estrada – quando ia reabastecer seu veículo com algum frentista de plantão – Que levava consigo apenas o necessário para sobreviver às suas próprias intempéries ocasionais. Sobreviviam com o que tinham em suas pequenas mochilas. E lhe diziam que estavam fazendo aquilo por causa de seus textos elucidativos. E assim, Ágata foi levada à agir também.

    Se despediu de seus colegas na redação do jornal; nas Universidades em que dava aulas e palestras; e como gerente daquela querida livraria que fazia parte de sua vida, chamada apenas de Lello, para os mais íntimos.

    É claro que alguns já estavam suspeitando daquilo faz tempo. Mas em seu último dia de trabalho, sua estagiária pessoal já sabia que não à veria mais por ali. Pois Ágata olhava para aquele lugar como se estivesse se despedindo de todos, ao escutar aquele barulho gostoso de vozes pedindo novos furos jornalísticos para as suas fontes sempre anônimas.

    Nas Universidades e na livraria Lello foram a mesma coisa. Ágata nunca se despedia de ninguém alegando não suportar aquilo rotineiramente. Mas naquele dia em específico, fez questão de cumprimentar seus mentores, colegas e aprendizes de capa preta. E logo, mais alguns acharam aquilo muito estranho, mas decidiriam seguir com suas vidas sem pensar muito naquilo.

    No dia seguinte, para a surpresa da maioria, Ágata havia desaparecido sem deixar rastros em Portugal. Alguns diziam que à tinham visto na Espanha, Alemanha, outros na Itália e na França. E assim, o seu mito foi sendo criado a posteriori. Alguns também diziam que à tinham visto na estrada com uma mochila verde militar enorme, carregando apenas alguns suprimentos e se juntando fielmente ao seu séquito de seguidores nômades e ainda um pouco digitais.

  • Os nômades

    abril 7th, 2025

    As revoltas começaram a se instaurar em todos os países. E não demorou muito até que o povo decidisse transformar as suas políticas em um Anarquismo. Ágata achava tudo aquilo fabuloso, pois muitos estavam seguindo suas ideias de reformas parlamentares ao redor do globo. E assim, o poder estava enfim, voltando para as mãos do povo novamente.

    Muitos políticos começaram renunciaram aos seus cargos sem motivos aparentes. Abandonavam seus partidos políticos e iam curtir sua férias intermináveis nas Bahamas, alegando que estavam perdidos no meio de toda aquelas pessoas cultas e extrovertidas também.

    Ninguém gostava mais de enganar as pessoas com suas promessas econômicas sem sentido. Diziam que estavam fartos disso. Alegando que brigavam muito em casa. Era só alguém dizer que seria político que automaticamente todos iam contra aquela ideia sem fundamento.

    As universidades começaram a sofrer com isso também. Muitos desistiram dos cursos preparatórios sem nenhum motivo aparente e imediatamente iam para as artes ou para a temida filosofia do grego e latim.

    Os partidos foram fechando as portas também, alegando que ninguém mais queria se filiar às suas ideias. Explicavam que preferiam pensar por conta própria, sem que tivesse nenhuma cartilha para isso.

    Do que adiantava ser de direita, de esquerda ou de centro?…

    Se a sociedade era uma só!

    Ágata não estava sozinha nessa. Existiam outros pensadores que ajudavam a guiar a sociedade por caminhos ainda pouco explorados pela civilização. Então… Por que ficar se baseando em ideias advindas de partidos políticos que nunca tinham ido até onde os mapas terminavam?

    Logo na sequência, víamos o início da falência dos bancos também. O povo agora preferia guardar o seu dinheiro em casa ou na caçamba de algum furgão antigo e pouco rodado. Porém, alguns resolveram contruir casas sob quatro rodas e saiam para descobrir e desbravar o mundo. Parando em pontos de abastecimento e perguntando para onde ficava tal estrada ou lugar, ao qual, nunca tiveram a oportunidade de visitar.

    Na opinião de alguns conservadores, eram tempos muito sombrios e estranhos. Pois como assim, ninguém mais queria ser governado?…

    A segurança também tinha sido extinta. Pois não havia mais os departamentos de polícia. O povo afirmava que ninguém mais precisava de armas para se defender. Qualquer um podia entrar em sua casa e pegar o que quisesse para sobreviver. Contanto, que não violasse ninguém. Essa era a nova lei para os forasteiros.

    As casas que ficaram abandonadas foram logo ocupadas. Mas depois de algumas semanas os novos moradores se cansavam do lugar e da paisagem e voltavam para a estrada. Afirmando que não existia lugar melhor no mundo do que desbravar o desconhecido.

    A maioria sobrevivia com piqueniques. Paravam nos acostamentos de estradas e dividiam o que tinham com estranhos ou trocavam mercadorias com muita educação e bom senso.

    Ágata acreditava que aquele mundo era muito mais cortês e inclusivo. Pois todos estavam indo para algum lugar em específico. Levando consigo suas mulheres, maridos, filhos e cachorros.

    Parecia que todo aquele explendor da década de 60 tinha finalmente voltado. Ou quem sabe estava prestes a acontecer novamente, como diria Paul McCartney, em sua autobriografia autorizada, intitulada: Many Years from Now.

    O mundo novo estava clamando por Arte. Os artistas se sentiam representantes do povo e faziam suas produções artísticas baseados em diversas atrocidades que se depararavam ocasionalmente. Fazendo com que a sociedade viesse a refletir sobre aquilo de uma maneira muito mais profunda.

    A sociedade por sí só se autorregulava. E aqueles que não sentiam a necessidade de viajar, mantinham as suas casas em constante arrumação para receber andarilhos que precisavam de conforto, comida e descanso.

    Ágata tinha feito amizade com alguns ciganos que se estabeleciam em Lisboa provisoriamente. Os portugueses olhavam embasbacados para aquela nova cultura. Ficavam todos admirados com o desapego que eles tinham as coisas e ao dinheiro. Mas em compensação, eram extremamente eruditos no mundo das artes. Expondo suas fotografias e pinturas em diversos museus do mundo, sem que recebessem os royalties devidos por aquilo.

    E assim, aos poucos, as crianças se projetavam em um futuro onde também queriam ser artistas reconhecidos pelo seu trabalho em prol de uma sociedade mais justa e sustentável também. Com comida na mesa e tendo o que vestir para os dias mais frios e tristes que poderiam vir à enfrentar.

  • Aprecie, observe e sempre redija

    abril 6th, 2025

    Ágata chegou a conhecer pessoalmente o presidente de Portugal. Acabou ganhando uma medalha de honra como se fosse uma cavaleira solitária igual a Joana d’Arc tinha sido na idade média. Mas pelo menos, não tinha sido queimada viva pelo povo em constante revolução na França.

    Por um lado, até que tinha sido bom todo aquele reconhecimento em rede nacional. O Presidente lhe aconselhou a continuar o seu trabalho como ativista e escritora. Pois em sua visão, ainda tinha muitos jovens perdidos na sociedade sem saber o que fariam da vida. E ela era um exemplo a ser seguido dali para a frente.

    Ágata concordou com aquilo tentando disfaçar, mas ainda se achava tão ou mais perdida que os seus séquito fiéis de fãs ao redor do mundo. Pois o que ela tinha a dizer à eles?… Por onde teriam que começar suas vidas sem sentido?… Para onde iriam depois de uma revolução banhada à sangue e desilusões?… E por fim… Onde aquelas estradas lhe levariam depois de um dia de trabalho árduo, mas muito produtivo artísticamente?…

    O que ela faria ao final da estrada?…

    Tinha trocado de nome e em várias entrevistas mundo afora, quase não dizia quem tinha sido suas influências no ramo artístico. E afinal… o que isso importava?

    O importante era influenciar pessoas a conseguirem a proeza de realizar os seus sonhos de maneira que a Arte pudesse falar por si só. E ao fim e ao caso… o que realmente importava era a eternidade de já ter percorrido diversas estradas que muitas das vezes poderiam levar a abismos intransponíveis, mas que por outro lado, poderiam levar a descobertas de outros modos de vida, que antes era impensáveis de se planejar.

    E era exatamente isso que Ágata estava fazendo com a sua vida. Pois seus ídolos já estavam todos mortos e ela ainda permanecia a mesma criança de sempre. Desertora, arisca e bastarda. Sendo dona do mundo e o mundo pertencente à um outro alguém. Que muitos diziam ser de Deus ou de algum guru budista com um nome esquisito, mas que estava cheio de sabedoria filosófica, que no final, não servia de nada, se você fosse aquele alguém que simplesmente não agia.

    Ninguém poderia lhe mostrar o caminho. Pois cada um tinha que percorrer o seu sem a ajuda de nenhum pedinte. E assim, Ágata se tornou um simbolo de resistência feminina e um exemplo a ser seguido. Mas nem todos tinham os seus talentos para a escrita e a reflexão. Pois aquilo era só dela! E ela não podia se dar ao gosto de sair por aí distribuindo seus panfletos com histórias que eram achadas nas ruas por caminhoneiros que sorriam ao lerem aquilo.

    Levavam para as suas esposas em casa como se tivessem encontrado diamentes no meio da rua. E muitos colocavam em murais e em quadros com muito valor de mercado. E assim, Ágata ia vivendo e escrevendo o que lhe vinha pela cabeça, como se ela tivesse o poder de mudar o mundo com suas reflexões sobre um possível mundo melhor. E no final… talvez tivesse esse poder mesmo.

    Suas lembranças daquele país do futuro logo vieram à sua cabeça. Mas ela não teve a coragem de voltar para o Brasil. Nem para visitá-lo por um instante sequer. Pois acreditava naquela profecia que dizia que ninguém poderia voltar para a sua terra natal, pois muita das vezes, a pessoa poderia encontrar o local totalmente modificado e isso por si só, não valia a pena de ser visto, para logo em seguida, se tornar um ambiente decepcionável.

    E assim, Ágata decidiu seguir em frente, angariando experiências, decepções e amarguras que se transformaram em ótimas histórias que terminavam em algum livro ou postal de boas vindas à nova terra portuguesa. Que tinha sido descoberta por um enxame de brasileiros bem capacitados e comprometidos por um mundo melhor que não fosse aquele em que conheciam, onde o governo roubava o povo e o povo roubava à sí mesmo no meio da rua, não importando se fosse no período diurno ou noturno.

  • O mundo dos paparazzi

    abril 5th, 2025

    A maioria das pessoas seguiam os seus caminhos até encontrarem o sucesso em suas vidas, mas depois que encontravam, fugiam do assédio como se não quisessem aquilo naquela determinada proporção em suas singelas existências. Era assim que sempre funcionava no famoso showbiz do entretenimento.

    Ágata agora se via numa encruzilhada sendo porta voz de uma geração que tinha passado pelo terremoto das redes sociais e que agora caminhava sem ajuda desses aplicativos inúteis. A tarefa era muito difícil, pois nem sempre Ágata sabia o que iria falar diante de novas câmeras de paparazzi, que sempre surgiam de forma muito inesperada, quando ela estava fazendo compras ou indo ao salão de beleza para ser mais uma mulher qualquer.

    Mas enfim… Ela acabou aceitando à responsabilidade daquilo. Tentando sempre tratá-los com muita gentileza, o que nem sempre era tarefa fácil.

    Agora todos queriam saber como era o seu dia a dia. Que tipo de comida ela gostava e até qual era a sua pasta de dente favorita. E isso tudo era muito inútil de alguém querer saber nos dias de hoje, mas enfim… era a sua vida a partir daquele instante.

    Ela estava sentindo o peso da fama. Pois absolutamente não tinha nascido para aquilo, mas seus ídolos tinham, então… era melhor segui-los de qualquer maneira se quisesse sair viva daquele furação.

    Ágata agora tinha virado patrimônio de Portugal. Pois agora todos sabiam aonde ela ia e com quem ia. É claro que os paparazzi se aproveitaram da situação e imediatamente à colocaram namorando diversas personalidades do mundo das artes cênicas. O que levava a crer que tudo era mentira de tablóides sem experiências naquilo.

    Sua vida tinha se transformado em um grande caos absoluto. E ela agora tinha se tornado uma influencer de renome internacional. Ela querendo ou não. Suas roupas eram imitadas e até o que ela lia se tornava um grande best-seller mundialmente reconhecido. E isso em sua visão de mundo era até bom. Pois que mal isso iria fazer para a humanidade?

    Ágata não perdeu a sua personalidade, mas a forma como os seus colegas à tratavam acabou mudando para pior. E logo, ela se viu impedida de fazer o seu trabalho na redação do jornal. Pois seu telefone não parava de tocar enquanto trabalhava em seus textos de maniera sempre muito primorosa. E assim, ela aceitou trabalhar uma temporada em Home Office para ver se aquela onda da fama passava rápido.

    Os Happy Hour’s também tiveram que ser interrompidos. Tanto na redação do jornal como nas Universidades em que dava aulas e palestras. Pois os tablóides logo começavam a conjecturar quem estava namorando quem, causando uma instabilidade nos relacionamentos individuais de todos os que estavam envolvidos. E dessa maneira, Ágata acabou se distanciando de seus colegas de trabalho por um certo período de tempo. Mas incrivelmente, isso tudo não afetou o seu trabalho. Sua explicação para isso?… Era o amor que mantinha pela escrita e pela leitura desde que era uma menininha.

    Porém, o pior cenário estava apenas começando, pois em suas férias na Grécia, foi o mesmo horror de sempre. Pessoas se jogando em cima dela para pedir mais alguns autógrafos – que valiam cada vez mais – e qualquer foto que era tirada dela, automaticamente era colocada nos jornais do dia seguinte com manchetes nada gentis.

    Ágata percebeu que nada mais adiantava. Pois ela agora era reconhecida em todo o globo. Porque sempre arrumavam novas maneiras de traduzi-la mundo afora. E assim, ela decidiu voltar do Home Office por conta própria, tentando manter a sua vida antes da fama. E por isso decidiu demitir todos os seus seguranças alegando que se um dia morresse, seria por descuido dela e de mais ninguém.

  • Me tornando uma imortal das letras

    abril 4th, 2025

    Para o grande deleite de Ágata, à sociedade tinha finalmente chegado em um estado de melhor consciência agora. Eles tinham sido purificados das redes sociais. E surgiram imediatamente grandes pensadores e pensadoras que queriam reorganizar as sociedades em que estavam.

    Alguns se transformaram em profetas das ruas, colocando sempre suas experiências em primeiro plano, para que pudessem ajudar seus semelhantes. E assim, o que antes era considerado um capitalismo competitivo e avassalador, se transformou em um humanismo filosófico.

    Parecia que a maldade deste século tinha ido embora para sempre, pois agora, todos estavam caminhando juntos na construção de uma nova estrutura social, que não fosse a busca desenfreada pelo dinheiro. Porém, é claro, todos ainda precisavam das cifras para se manter e sobreviver, mas agora, todos os países incentivavam seu povo com auxílios robustos, para a cultura e arte que antes era desviada para fins dos governantes.

    Ágata percebeu as primeiras mudanças quando diversos escritores e escritoras se tornaram Best-seller e simplesmente lotavam as livrarias mundo afora com filas para quem conseguisse pegar os seus autógrafos. Mas não era só isso! Qualquer livro que era lançado simplesmente esgotava em questão de segundos os estoques das livrarias. E isso gerava mais lucros para aquela cidade que era convertida com mais cultura para o povo, se tornando rapidamente um círculo muito vicioso e prazeroso de se estar.

    As pessoas pareciam mais cultas e inteligentes, pois todas exalavam uma criatividade impressionante com o seu tempo livre. Produzindo artes, poemas, romances, contos e crônicas que guardavam até em bancos como se aquilo fosse valer uma fortuna com o passar do tempo. E no fim, realmente valiam.

    Com o tarifaço dos produtos de outros países que agora entravam nos Estados Unidos com uma porcentagem muito alta – pois o presidente Donald Trump queria que as empresas norte americanas voltassem a produzir os seus produtos em território nacional – a moeda para investimento a longo prazo instantaneamente mudou para o Euro e a Libra; e assim, aos poucos, o dólar foi perdendo sua força de mercado até que chegou o momento em que quase nenhuma empresa queria abrir suas portas em solo americano.

    Isso foi muito bom para os outros países. Pois agora todos cresciam em pé de igualdade se comparados aos Estados Unidos – que tinham ficado muito isolados do resto do mundo – que não eram mais considerados a Terra Prometida, como Barack Obama tinha escrito em sua autobiografia de volume 1.

    Brasil acabou crescendo muito com essas mudanças americanas. Mas Ágata não gostava muito de pensar em sua terra natal, pois os seus pais tinham morrido nela e isso lhe trazia dolorosas recordações dos corredores de alguns hospitais que ela desejava nunca mais ter que visitar.

    Ela agora estava muito mais segura em um país europeu que tinha desboberto o dela. Seu português tinha melhorado muito e seu vocabulário agora era uma mistura de portunhol com a gíria brasileira. Mas ela sempre tentava esconder ao máximo a sua origem, pois ela acreditava que aquilo não definia ninguém. O que importava realmente, como diria Bob Dylan – que também não tinha mantido o seu nome de batismo – era o que a pessoa era capaz de produzir em arte para à sociedade. Isso sim, era o que definia todos em questão de criatividade artística.

    Todos na redação do jornal português ficaram chocados com aquela revelação de sua autora. E logo, se formaram alguns burburinhos pela cidade do Porto, para que alguém pudesse enfim, encontrar a sua verdadeira identidade com nome real e filiação também. Mas é claro… Não conseguiram desvendar aquilo daquela autora genial.

    Era melhor assim pensavam alguns… Pois quando se revelava todos os mistérios de uma pessoa, era sinal que esse ser já não tinha capacidade de viver mais entre os mortais. E assim, Ágata passou a fazer parte de um seleto grupo de escritores e cientistas portugueses que frequentavam a imortal academia das Ciências de Lisboa (ACL), que tinha sido fundada em 1779.

    Ágata ficou honradíssima com aquele convite. O que à fez relembrar de toda a sua trajetória, que tinha sido permeada com muitas inseguranças até que chegasse finalmente em Portugal. Mas agora era uma mulher feita. E o medo não fazia mais parte de suas palavras ditas e não ditas. Pois aquela palavra impedia qualquer um de perseguir os seus sonhos, mesmo que pudessem falhar mil vezes. Mas em algum momento, à perseverança ganharia espaço nas mentes mais criativas e loucas que pudessem acreditar que fazendo o impossível, estavam concretizando o possível.

  • O elixir para a vida eterna

    abril 3rd, 2025

    Aquela semana tinha sido muito corrida na redação do jornal onde Ágata trabalhava. Não era fácil conciliar a sua agenda de professora universitária com o cargo de jornalista e ativista política também. O Cansaço começou a mostrar o sinal de sua desgraça, e logo, veio o famoso burnout em sua sala compacta. A sorte foi que ninguém viu. Mas ela bem rapidamente indentificou os sintomas, pois já tinha lido muito sobre eles e imediatamente começou as suas consultas com uma psicóloga clínica, olho no olho.

    Esse novo mundo sem as redes sociais ainda era bem estranho para os iniciantes nessa escolha, mas a maioria estava firme em não voltar mais a usá-las tão cedo.

    Em sua primeira consulta, a psicóloga logo lhe aconselhou a reduzir o ritmo de trabalho, para que ela pudesse cuidar primeiramente de seu bem estar interior. No início foi bem difícil, pois Ágata não sabia lidar com o seu tempo livre, mas ela logo buscou orientações acadêmicas onde especialistas afirmavam que ter tempo livre era bom para o estado de espírito da pessoa. E assim, ela criou um Happy Hour na Redação do jornal uma vez na semana, para relaxar com os colegas de trabalho, onde era proibido falar de qualquer assunto relacionado ao trabalho em que faziam.

    Tudo ficou muito mais íntimo em sua vida a partir daquele momento. Uns traziam salgadinhos, outros bebidas e doces que eram degustados de maneira desenfreada como se todos descontassem suas iras internas na própria comida. Foi a melhor coisa que Ágata pode ter pensado em sua vida. Pois ela acabou aplicando isso nas Universidades em que dava aulas também. Sem contar que ela também aconselhou a gerente da Livraria Lello à fazer o mesmo em sua coordenação de equipa.

    Sua psicóloga adorou saber da ideia que sua paciente teve, por escolha própria, para aliviar o estresse de sua equipe de trabalho. E ela logo, era chamada para passar os natais na casa de seus colegas de redação também. É claro que ela sempre negava, mas com a frequência dos pedidos ela logo teve que aceitá-los. E isso também se prolongou ao ano novo e as férias do meio de ano também.

    Sua agenda passou a estar repleta de encontros sociais e isso aliviou muito a pressão que sentia em relação aos seus cargos. E ela assim, até passou a ter alguns namorados e namoradas, mas no final, nada era para valer pois ela resguardava muito a sua privacidade para criar textos que ela considerava a sua própria epopéia artística.

    Sua psicóloga passou a explorar isso em sua personalidade e Ágata logo abandonou as consultas semanais que fazia em uma frequência quase que religiosa. E assim, chegou a conclusão de que ninguém poderia saber de todos os seus segredos de vida, alegando que isso perdia a graça da sedução e da magia que é viver em um mundo repleto de literatura.

    Pois qual seria à graça de saber todo o roteiro de vida de uma pessoa com seus traumas e realizações pessoais?

    Isso não entrava de jeito nenhum em sua cabeça.

    Passou a exagerar em bebedeiras e sexo com proteção, pois tinha pavor de colocar um filho no mundo, alegando que não saberia lidar com outra vida sob o mesmo teto que o dela. Mas isso logo passou, sendo considerado uma má fase.

    Ágata estava vivendo! E sempre que podia escrevia tudo o que vinha pela cabeça, rotulando os seus textos como crônicas e contos que um dia poderia contar à quem quer que fosse. Mas preferia manter o profissionalismo colocando em seu jornal apenas histórias de sua confiança política.

    Mas depois ela pensou melhor e decidiu colocar tudo o que escrevia nos jornais. E assim, utilizava-o como um confidente. Muitos acharam um erro crasso, outros, a maior genialidade que tinha passado por aquela redação em séculos de existência.

    Alguns riam do que ela escrevia; outros refletiam sobre os seus textos tentando aplicá-los de forma secreta em suas vidas sem propósito ou perspectiva nenhuma. E assim, ela passou a ser conselheira por onde passava como se estivesse descoberto algum elixir para a vida eterna.

  • A sétima arte contemporânea

    abril 2nd, 2025

    Nada mais era como antes. As pessoas pareciam mais vivas do que nunca. Os CEO’S das Big Techs foram aos poucos perdendo toda a sua fortuna, construindo bunkers para um apocalipse que nunca chegava. Acabaram ficando loucos com as possíveis guerras que poderiam acontecer no mundo, mas que logo, ficou comprovado que não passava de teorias da conspiração sem fundamento científico e teórico algum.

    Ágata se dedicou com muito empenho ao novo mundo que estava ressurgindo. Dava suas aulas e palestras nas Universidades Lusas e ainda por cima, sempre escrevia nos jornais locais como uma ativista política.

    O mundo tinha ficado bem melhor sem as redes sociais e seus criadores que não sabiam o que faziam com suas somas sempre alarmantes de dinheiro. O único bilionário que se manteve em pé foi o senhor Bill Gates. Que acabou doando toda a sua fortuna para acabar com a fome no mundo. E assim, o planeta se livrou da escassez de comida para sempre.

    Também não existia mais a divisão de países que eram desenvolvidos daqueles que eram considerados sub-desenvolvidos. Pois todas as bandeiras começaram a se tratar de maneira muito harmônica e homogênea. Mas para deixar claro aqui, não víviamos em um comunismo ideológico também.

    As pessoas estavam muito mais cultas e inteligentes. E a grande maioria começou a acreditar que estava dormindo esse tempo todo, por causa da influência que as redes sociais exerciam em suas vidas. Controlando o que viam baseados nos gostos pessoais que cada um tinha sobre a cultura, política, econômia e arte. E assim, todos tiveram que saber respeitar opiniões diferentes das que tinham para que assim, pudessem viver todos em harmonia.

    As experiências pessoais voltaram a ter muito mais importância também. Pois antes, a grande maioria deixava se levar pela influência dos influencers que simplesmente perderam os seus empregos e tentavam recomeçar suas vidas em empregos normais novamente.

    Porém, para ser considerado um artista novamente, à pessoa tinha que começar a cantar em bares e pubs, deixando de lado as redes sociais e toda a comodidade de seus lares com wifi. Elas tinham que reaprender a conviver com o seu séquito de seguidores de maneira pré-histórica. Conversando, dialogando e trocando ideias sobre o mundo em que estavam, repleto de artes nos muros das cidades.

    As concessionárias também tiveram que se readaptar bem rapidamente, pois ninguém queria mais carros à gasolina. Mas felizmente, a Tesla do senhor Elon Musk acabou falindo, pois todos fizeram mutirões nas ruas protestando contra as políticas adotadas por ele à favor de seu eterno amigo Donald Trump. Em seguida, foi a vez da empresa META do senhor Mark Zuckerberg, que viu falir bem diante de seus olhos as suas queridas redes sociais: o Facebook, o Threads e o Whatsapp. Onde as pessoas de um dia para o outro, simplesmente deletaram suas contas sem qualquer aviso prévio.

    As bibliotecas voltaram a ficar abarrotadas de gente com filas nas portas e até reserva marcada, para que as pessoas pudessem desbravar aqueles livros que ainda não tinham sidos explorados adequadamente. E logo, as prefeituras locais tiveram que contratar mais pessoas para que pudessem atender à nova demanda exigida.

    E assim, num passe de mágica, viamos novos empresários investindo todas as suas economias na abertura de novas livrarias espalhadas pelo mundo afora, numa espécie de franquia de Mc’Donald’s. E agora, todos queriam ser escritores, poetas e compositores de bandas mais famosas que os Beatles algum dia foram.

    Todos sabiam que isso era impossível, mas cada pessoa voltou a acreditar em seu potencial criativo e artístico como algum dia os meninos de Liverpool acreditaram. E o que antes estava esquecido e adormecido, agora era lembrado novamente como à sétima arte contemporânea.

  • A abstinência digital

    abril 1st, 2025

    Era mais um dia habitual na cafeteria preferida de Ágata no Porto, em Portugal. Como de costume ela estava escrevendo diversas colunas informativas sobre a geopolítica mundial em seu site particular quando inesperadamente ela começou a prestar atenção ao noticiário local:

    Pela primeira vez em nosso mundo tecnológico ocorrerá um apagão em todos os nossos serviços digitais por tempo indeterminado. Os CEO’S das Big Techs não sabem ao certo o porquê disso estar acontecendo em pleno século XXI, mas admitem, que o pior ainda pode estar por vir. Então… alertamos aos nossos assinantes para se protegerem, seja lá do que for.

    Ágata quando voltou os seus olhos para o seu blog pessoal já estava indisponível. Sua sorte foi que ela guardava todos os seus textos no word da Microsoft.

    Os burburinhos pela cafeteria recomeçaram a todo o vapor, como se as pessoas soubessem que aquilo deveria ser apenas provisório, mas na realidade, depois de um certo tempo, acabou não sendo.

    Muitos começaram a passar por ela na rua e até perguntavam se ela tinha rede móvel em seu celular. O que ela respondia que não, já sabendo que aquilo poderia ser de propósito por causa das políticas globais.

    Alguns começaram a sofrer de abstinência tecnológica, não sabendo o que iriam fazer em seu tempo livre, já que à nova realidade exigia a leitura de algum livro ou até mesmo o contato com outro ser humano de maneira cara a cara. Ágata não reclamou com ninguém. Na redação do jornal só escutava os comentários e foi a mesma coisa nas Universidades de Portugal onde dava aulas e palestras.

    O mundo preferiu o retorno das cartas e os correios logo voltaram a todo o vapor quase que de maneira instantânea. A grande maioria teve que conter a sua ansiedade para receber respostas dos parentes que moravam longe das Terras Lusas; mas aos poucos, todos foram se adaptando a não precisar mais de suas redes sociais para sobreviver.

    Ninguém sabia ao certo o que tinha realmente acontecido com a revolução da Inteligência Artificial e suas redes sociais em contínua adaptação. Mas aos poucos as pessoas pararam de se preocupar com isso e o mundo voltou a ser mais natural e realista. Alguns aderiram com unhas e dentes aos jogos de videogame novamente pois os espcialista diziam que isso fazia muito bem ao cérebro em doses moderadas é claro.

    Na redação do jornal tudo ficou mais natural também. E logo, Ágata resolveu deletar todas as redes sociais que o jornal utilizava alegando que as pessoas agora só se preocupavam com as notícias do mundo escritas no jornal apenas. E assim, o mundo teve uma anscensão de novas assinaturas nos jornais mundiais que se responsabilizaram novamente em entreter e informar sua adorada população.

    É claro que ficou muito mais difícil saber o que tal celebridade estava fazendo com o seu tempo livre, já que as redes sociais respondiam quase que instantaneamente à isso. Mas os artistas até que gostaram da nova sociedade que estava se recriando e se readaptando à esse novo mundo sem o advento da tecnologia em seu encalço em tudo o que uma determindada pessoa fazia da sua vida.

    Ágata também ficou muito impressionada com à demanda de livros que começaram a ser vendidos na Livraria Lello, no Porto, em Portugal. Parecia que a maioria das pessoas estavam redescobrindo a arte da leitura novamente, como se fosse a primeira vez que tateavam um livro novo, recém saído da impressão para consumo. Via-se as pessoas nas ruas atentas à leitura novamente e isso era muito bom para as livrarias mundo afora, pois as ameaças recorrentes de falência foram extinguidas do vocabulário popular. E assim, quando o apagão do mundo tecnológico foi resolvido e as redes sociais foram reestabilizadas junto com as suas inteligências artificias, as pessoas por escolhas próprias, preferiram deletar as suas redes sociais, gerando uma crise sem precedentes no hoje, já extinto, Vale do Silício.

  • Um porto seguro sob as águas

    março 26th, 2025

    – Viu só!… Foi um ótimo plano ter vindo até aqui – Diz Gerson ao olhar para o cais do Porto com todos aqueles navios e iates atracados.

    – Agora só resta saber se dentro deles existe algum zumbi perdido… – prefetiza Maria Clara embanhando sua arma novamente.

    – Quem vem comigo?… – pergunta Gerson já sabendo a resposta para aquela pergunta – Foi o que eu pensei! – Maria Clara levanta sua arma como se estivesse em guerrilha.

    – Vamos ficar aqui na areia esperando vocês voltarem… – explica Fabiana entrando em modo alerta junto com o seu amigo Estevão.

    – Tomem cuidado com essas pragas! – alerta Gerson, sabendo que o seu melhor amigo poderia ser um pouco atrapalhado as vezes.

    – Nós já voltamos!… – comunica Maria Clara enquanto via se sua arma estava realmente bem carregada.

    Gerson e Maria Clara sobem pela escada de madeira que os levava diretamente para a sala de confraternizações do navio de cruzeiro. Chegando por lá, encontram as mesas cheias de comida ainda frescas com muito vinho a disposição também.

    – Parece que deixaram a festa só para a gente agora… – debocha Gerson soltando um sorriso malicioso ao olhar rapidamente para o corpo de sua parceira imaginando mil coisas na cabeça – Será que eles foram burros o suficiente para terem saido daqui?

    – Parece que sim!… – Maria Clara mira nos andares lá em cima procurando algum zumbi barulhento – Fique aqui e chame os outros!… Vou vasculhar todo esse navio para ver se tem alguém escondido por aqui ou quem sabe algum…

    – Pelo visto… Eles abandonaram o barco mesmo. Você não acha perigoso você ir sozinha não?

    – Não se preocupe comigo! Eu sei me cuidar muito bem sozinha, ao contrário de seu amigo.

    – Tudo bem!… Vou buscar os outros então e já já estou de volta.

    Maria Clara vasculha cada andar do navio sem encontrar ninguém. Ela passa pelos quartos, banheiros, cozinha e até a central de comando do navio sem se deparar com um zumbi sequer. O lugar estava realmente vazio. Mas a grande questão que permanecia em sua mente era o motivo daquela embarcação ter deixado aquele navio atracado ali sem ninguém para contar a história daquilo à eles.

    – Tudo certo!… Depois do que vi vai ser bem difícil me convencerem a abandonar esse lugar. Só saio daqui morta!… Temos alimentos para anos a fio. Depois mostro para vocês.

    – Finalmente posso chamar esse lugar de lar então… – diz Estevão se sentindo muito mais aliviado de ter um canto para morar até que essa epidemia seja controlada ou quem sabe extinguida em algum momento – Acho que todos nós precisamos de um bom banho. Não concordam?…

    – Gerson puxe as escadas de madeira do navio antes que algum zumbi possa entrar pela porta de frente e nos pegar totalmente desprevinidos. Ok?… – pede Maria Clara indo mostrar aonde é que era os banheiros para os seus companheiros.

    – Deixa comigo!… Vou ficar de vigia lá em cima até que vocês terminem. Tudo bem?… – Maria Clara assente com a cabeça em sinal de afirmativo.

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