• Sobre o Autor

Guilherme Müller

  • O que seria refletido no fim da sua vida?

    julho 20th, 2025

    Pamela já morava há bastante tempo em Edimburgo, capital da Escócia. Seus pais insistiam em lhes dizer para morar em um outro lugar onde o mundo acontecia, mas ela preferia a sua qualidade de vida, onde ela ia trabalhar às dez horas da manhã e voltava às cinco da tarde. Em qual outro lugar isso aconteceria? Era exatamente essa a questão.

    Herdeira do banco mundial, Pamela alegava que não queria viver igual aos americanos, que se pudessem, com toda a certeza, iriam trabalhar até em dias santos para louvar o seu imbatível capitalismo. Já na europa, isso era inteiramente diferente, pois por aqui, a estrutura governamental priorizava o lazer e o tempo passado em família. Muito diferente de Nova York por exemplo, que ensinava aos estudiosos da bolsa de valores que o lucro e a perda não tinham hora para acontecer.

    Pamela gostava de ter hobbies. Ela pintava, desenhava e escrevia suas poesias em diversas línguas e acabava colocando-as em seu site pessoal que quase ninguém no mundo se sentia motivado à lê-las. Mas mesmo assim, ela se mantinha motivada à nunca parar de ser criativa com a sua ociosidade que Edimburgo lhe proporcionava. Pois ela amava aquela cidade onde tudo começava cedo demais e terminava antes do previsto.

    Em Edimburgo quase todos os dias estavam nublados e frios, mas mesmo assim, ela gostava de frequentar aqueles pubs aconchegantes com luzes amarelas que deixavam o ambiente mais quente e acolhedor também. As vezes era difícil entender o que algumas pessoas falavam, mas depois de algum esforço, você conseguia entender perfeitamente.

    Quase todos os dias, Pamela falava com o seus pais sobre a bolsa de valores, pois ela preferia trabalhar remotamente e dificilmente aparecia em Nova York ou em Washington D.C. para vê-los. Mas quando saia de férias ela passava alguns dias no apartamento deles em Manhattan. Eles aproveitavam a grande oportunidade e diziam para o conselho do Banco Mundial, que ficava em Washington D.C. que Pamela iria herdar todas as responsabilidades deles, quando eles viessem a falecer. Mas Pamela não se sentia preparada para ser CEO do Banco Mundial, pois sempre achava que precisava acumular mais experiência. Por isso, sempre buscava especializações em sua área nas férias de trabalho. Mas nunca achava que eram o suficiente.

    Seus pais lhe diziam que com o tempo ela iria acabar pegando o jeito. E assim, ela resolveu repentinamente se mudar para Nova York de forma definitiva. Vendeu o seu apartamento em Edimburgo e se despediu de seus amigos que nunca mais veria novamente por causa de seu trabalho excruciante.

    Porém, já nas primeiras semanas em Nova York, Pamela já soube que não iria dar conta daquela carga de trabalho americanizada, onde seus superiores lhe pediam relatórios bem detalhados aos finais de semana, deixando-a à beira do colapso mental. Pois nos Estados Unidos, as pessoas estavam acostumadas a trabalhar sem parar; bem diferente dos padrões europeus de bem estar físicos e mentais.

    Pamela conseguiu encaixar em sua agenda já apertada, uma hora por semana com uma terapeuta que também trabalhava aos finais de semana – o que não era surpresa – e assim, aos poucos foi aumentando a sua carga de trabalho até que em alguns meses, já estava fazendo aquilo em modo automático, sem pensar e muito menos sentir as consequências daquilo em sua vida particular.

    Quando se adaptou a nova rotina de trabalho, dispensou os cuidados de sua terapeuta e assim, aos poucos, foi perdendo o prazer pelo lazer e os hobbies que tinha alegando que aquilo só servia para passar o tempo da ociosidade.

    Seus pais ficaram super felizes com o amadurecimento de sua única filha, e assim, resolveram se aposentar definitivamente, deixando-a no cargo deles. Pamela abraçou aquela oportunidade e passou a não tirar mais férias. Pois preferia estar sempre pronta à estudar os gráficos da bolsa de valores, para ver se algum país iria entrar em recessão econômica e assim, alertá-los quando a castástrofe pudesse aparecer de maneira inesperada.

    Pamela se mudou para Washington D.C. onde era a sede do Banco Mundial, e assim, a cada quatro anos via bem de perto a dança das cadeiras para ver quem iria comandar a nação mais poderosa do mundo. Fazia acordos às escondidas, sempre pensando no bem estar da bolsa de valores, que às vezes, diminuía os valores das ações de alguma determinada empresa de tecnologia que pudesse estar passando por alguma crise institucional.

    Mas a maior crise que Pamela presenciou foi a dela mesma, onde depois de ter ficado dez anos sem descansar acabou sendo diagnosticada com câncer no pâncreas, mesmo sendo vegetariana e não comendo nenhum tipo de gordura. Os médicos lhe disseram para seguir o tratamento à risca. Mas como sempre tinha sido muito rebelde, preferiu sair de férias com a sua única família.

    Seus pais passaram ótimos momentos com ela, mas o mais difícil foi vê-la perdendo os cabelos e o peso também. Suas últimas palavras foram de arrependimento, pois se ela não tivesse seguido o sonho dos pais, talvez ainda estivesse viva dedicando o seu tempo com os hobbies que inventava dentro de casa, mas por outro lado, deixaria de ter vivido ao extremo para alcançar o bem estar que somente aqueles que trabalham com o que gostam sentem e afirmam em dizer que preferiam ser lembrados como artistas e artífices de seu próprio tempo.

  • O país que nunca se inventou

    julho 19th, 2025

    Ítalo tinha cuidado dos pais até o obituário de ambos. Era essa a sua função? Perguntavam alguns nos bares da cidade. Pois ele sempre tinha se anulado a vida inteira. Mas agora era hora de cuidar de si. Por isso, resolveu empacotar a biblioteca dos seus pais em que rotineiramente vivia de cabeça baixa, se passando por aqueles montes de personagens sem sentido algum.

    A universidade local veio até a sua casa e levou tudo para que outros estudantes também pudessem beber naquela sabedoria empacotada e que momentaneamente, também estava sem uma estante que pudessem acolhe-los de uma melhor forma, como somente um lar era capaz de fazer.

    Assim, logo na sequência daqueles fatos, Ítalo decidiu ir até uma imobiliária com a intenção de colocar a sua única casa à venda. Ele estava planejando viajar com o dinheiro que ganharia com aquilo. E para a sua surpresa, vendeu-a rapidamente.

    Em seu closet, Ítalo decidiu colocar em sua mala somente coisas essenciais, como um par de tênis e roupas confortáveis, que poderiam ser usadas em casa ou nas ruas de Londres. Pois como seus pais eram britânicos, Ítalo tinha dupla nacionalidada, tanto brasileira como britânica.

    Chegando no aeroporto, Ítalo já se deparou com outras línguas, mas se sentia muito aliviado por ter sido educado na língua inglesa que era universal. Sua assessora Denise lhe orientou a ficar na sala Vip até que o seu avião pudesse chegar às oito em ponto, sem atrasos.

    Os noticiários não eram dos melhores para o Brasil. O país estava prestes a entrar numa taxação de 50% sobre os produtos brasileiros que entrassem em território americano. Além da maior parte dos juízes que trabalhavam no Supremo Tribunal Federal não poderem entrar em solo americano por tempo indeterminado também.

    Ítalo achava aquilo tudo muito injusto, mas por outro lado, se considerava um homem de sorte por sair daquele país no momento certo. Ele tinha conseguido uma boa quantia pela casa de seus pais e agora só queria saber de morar no apartamento deles em Londres.

    Chegando em Londres, rapidamente se adaptou à comida local. Leu rapidamente os noticiários para se atualizar como cidadão e em questão de semanas já era um britânico vitoriano.

    Sua assessora Denise cuidava muito bem de sua finanças e ele gostava muito de administrar a empresa de seus pais na Inglaterra. Os boatos diziam-lhe que ele não iria conseguir gerir o patrimônio dos pais e em questão de anos iria colocar a empresa em falência. Mas os boatos estavam totalmente errados.

    Ítalo conseguiu administrar tudo muito bem e até foi congratulado com a ordem dos cavaleiros pelo Príncipe da Inglaterra. E agora seus empregados tinham que lhe dirigir como Sir antes de iniciar qualquer conversa formal ou até mesmo informal.

    O herdeiro da tecnologia tinha passado no teste. Ítalo agora era um dos principais CEOs da área que eram respeitados mundialmente. Ele era chamado para qualquer tipo de evento, seja ele festas de casamento em Veneza ou até mesmo apresentações de novos presidentes que se elegiam nas principais potências mundiais. E as pessoas até ficavam surpresas quando descobriam que Ítalo era brasileiro. Como se naquele país só saíssem jogadores de futebol bem remunerados e nada mais além disso.

    Ítalo adorava passear por Londres e ver diversas nacionalidades andando pelas ruas vestindo o que bem entendessem como se o mundo fosse livre de preconceitos e amarras sociais. O tempo dificilmente ficava ensolarado, mas no verão, todos iam à parques ler e conversar embaixo daquele sol escaldante. Dava para ver que a maioria tinha a pele muito clara. Livre de qualquer insolação que pudesse ter pegado na infância.

    Ele nunca mais voltou para o Brasil. Porque de alguma maneira, não tinha criado laços afetivos com aquela cultura onde poucos liam e muitos se viam na obrigação de opinar sobre qualquer assunto, por terem lido apenas pequenas manchetes de jornais que tentavam controlar as cabeças de quem as liam.

    Na Inglaterra era tudo diferente. As conversas eram muito mais profundas e frias ao mesmo tempo. Pois por aqui o toque era só para os mais íntimos, ao contrário do Brasil, que se amava um amigo do mesmo jeito que se amava uma mulher e vice e versa. Mas algo ligava os dois países. E era paixão pelo futebol, onde todos cantavam enquanto os jogadores se digladiavam no campo para ver quem iria marcar o tão sonhado gol. Fazendo a torcida vibrar a plenos pulmões aquele gol que tinha acabado de ser anulado pelo bandeirinha de plantão ao lado do campo.

    Ítalo conseguiu formar uma família feliz onde o toque era essencial em qualquer conversa ou brincadeira. Mas seus filhos recebiam diversas advertências na escola, onde a diretora estranhava aqueles gestos de ternura que não poderiam ter saído da Inglaterra, mas ela nunca conseguiu descobrir a descendência daquela família que falava o inglês britânico perfeitamente.

    O importante era tratar todos iguais. Pensava Ítalo que jamais revelou que era brasileiro também. Mas o que isso importava? Para Ítalo, tudo, pois com o passar dos anos ele começou a comparar as atitudes que encontrava pela vida, sempre pensando, se no Brasil a pessoa iria agir da mesma maneira que os ingleses. E a resposta era sempre à mesma: Não! Em hipótese nenhuma.

    Pois o Brasil poderia ter diversas anomalias em sua estrutura social, mas existia algo de acolhimento entre aquelas pessoas que causava muito estranheza dos europeus, que sempre se sentiram superiores em raça e em etiqueta social também. Mas nunca foram capazes de amar e de aceitar outras culturas dentro da sua, como era o caso dos brasileiros, que sempre foram um povo multicultural e aberto a entrada de imigrantes em sua árvore geneálogica.

  • Edgar: o diplomata que renunciou ao Brasil

    julho 16th, 2025

    Edgar pela manhã não queria ligar o seu notebook para ver o resultado daquele concurso que tinha feito para a diplomacia do Brasil. Mas acabou sofrendo a pressão habitual de seus pais, e assim, resolveu ligá-lo e imediatamente, se deparou com a lista dos poucos aprovados no site do governo federal.

    Para a sua grande surpresa, daquela vez ele tinha conseguido passar para trabalhar na Inglaterra como diplomata. Ele fechou o seu MacBook e instantaneamente começou a pensar em quais roupas iria levar para viver naquele país frio, como se fosse a coisa mais natural do mundo passar naquela seletiva super desgastante em várias etapas.

    No café da manhã, sua irmã e seus pais queriam logo saber qual tinha sido o resultado final daquele concurso e ele logo contou que estava de mudança para a Inglaterra pois tinha passado em oitavo lugar. Sua família comemorou bastante aquele feito de seu primogênito e imediatamente eles se reuniram no quarto de Edgar para ajudá-lo a escolher as roupas mais adequadas para aquele novo cargo.

    Ternos, casacos, tênis, sapatos, pijamas e pantufas eram colocadas dentro daquelas sete malas que o governo brasileiro iria pagar como carga extra sem nenhum custo adicional para o novo integrante da diplomacia brasileira no Reino Unido. Edgar se sentia muito aliviado, pois era o último integrante da família a conseguir um bom emprego depois que sua irmã Jaqueline, já estava trabalhando há dois anos no hospital, como médica geral.

    Era como se estivesse se livrando de toda a pressão familiar. Pois agora se veria livre deles de uma vez por todas. Não que ele não gostasse de sua família. Mas seus pais lhe controlavam muito e isso era extremamente ruim quando um homem já tinha 35 anos.

    Ele nunca poderia imaginar, que todos aqueles quadros mostrando os pontos turísticos de Londres, que enfeitavam o seu quarto, pudessem fazer agora, parte de sua vida.

    Sua mãe aproveitou a oportunidade para falar com o prédio inteiro que o seu filho agora era diplomata. Suas amigas ficaram com uma inveja danada, mas Tânia não ligava. Pois ela também tinha sofrido muita pressão de suas supostas amigas, lhe dizendo como poderia criar um filho que não queria trabalhar.

    Estevão – o pai de Edgar – sofria a mesma pressão no trabalho, vendo seus colegas dizerem para ele que seus filhos eram grandes empreeendedores e influencers da bolsa de valores de Nova York, enquanto o seu próprio filho, só se preocupava em estudar outros idiomas, para dizer que queria ser um poliglota e nada mais além disso.

    Nas últimas semanas antes daquela grande mudança de vida, Edgar era cumprimentado por todos na rua. Pois somente agora ele era notado. Porque antes da aprovação todos diziam que ele era um encostado e que só sabia viver as custas de sua família endinheirada.

    Mas agora tudo tinha mudado. Todos passaram a tratá-lo com muito mais respeito e admiração. Mas Edgar mal via a hora de se mudar para a Europa. Pois ele não gostava da maneira que as pessoas tratavam ao seu semelhante mediante ao cargo em que ele ou ela ocupavam na hierarquia social.

    O dia da partida tinha chegado e Edgar resolveu só ir apenas com uma mala e uma mochila, dizendo à todos que iria comprar novas roupas quando chegasse a Londres. Ele de despediu de seus pais e de sua irmã e logo entrou no táxi sem olhar para trás.

    Chegando no aeroporto, embarcou em um jatinho particular do governo brasileiro, sem passar por filas intermináveis no aeroporto. No jatinho tinha tudo o que se possa imaginar de comida e de bebida, porém, ninguém mais falava em português.

    Aos poucos Edgar foi se esquecendo de sua língua materna e o inglês passou a ser a sua língua oficial. Chegando em Londres, viu o apartamento que iria ficar e imeditamente começou a trabalhar.

    Passaram-se vários anos e Edgar já estava irreconhecível como pessoa. Já falava com o sotaque londrino habitual. Enquanto sua família nunca mais teve contato com ele.

    Edgar se casou com uma britânica chamada Emily e teve quatro filhas com ela; Brigite, Eleonor, Sally e Lily. Sua nova família tinha acabado de se mudar para uma nova casa Tudor enorme. Com 10 quartos e 10 banheiros.

    Edgar foi chamado para compor o parlamento britânico depois de ter passado com mérito pelo prova de cidadania britânica antes de ter casado com uma inglesa puro sangue. E ele agora estava pensando em aceitar o cargo por um partido de direita ao qual também tinha sido membro o Sir Winston Churchill.

    No dia seguinte, Edgar pediu demissão do seu emprego de diplomata e entrou para o Parlamento Inglês em Londres. Aproveitando a oportunidade, disse para a embaixada do Brasil em Londres que iria renunciar a sua cidadania brasileira e que agora só queria ser inglês. Alegou também que estava farto de acompanhar os esquemas de corrupção da política brasileira, onde ninguém renunciava ao cargo, mesmo que a mídia social indicasse os culpados pelos atos.

    Suas filhas tinham muita curiosidade de saber da origem tropical de seu pai, mas ele nunca dizia nada sobre ela. Sua esposa, Emily insistia com elas também, mas ele imeditamente desconversava dizendo que o Brasil jamais iria para frente e que a maioria das pessoas que moravam por lá, se por um acaso, tivessem condições financeiras de se mudar para um país mais desenvolvido economicamente, fariam isso sem pensar duas vezes. E por isso, não via razão de falar sobre os seus pais e muito menos de sua irmã.

    O tempo passou e infelizmente a família de Edgar acabou morrendo em um acidente de carro no Brasil. Edgar foi notificado no Parlamento Britânico, mas ele preferiu continuar trabalhando. Ele acreditava que eles nunca tinham lhe dado o devido valor, e assim, preferiu não contar à sua nova família sobre o ocorrido. E assim, um novo dia acabou amanhecendo em Londres, onde aquele menino que queria ser apenas um poliglota, se transformou num bem sucedido político britânico. Que fez a proeza de reintroduzir o Reino Unido de volta à União Europeia, pois sabia que o isolamento não era o caminho para que um País fosse de fato independente.

  • Ícaro: o professor de capoeira

    julho 2nd, 2025

    Ícaro vivia na Bahia com a sua mãe apenas. Filho único, nunca teve o privilégio de conhecer o seu pai, que tinha origem desconhecida. Muitos diziam que era estrangeiro e que por uma infelicidade do destino tinha engravidado uma linda mulata em Porto Seguro, mas depois do carnaval, teria voltado ao seu país de origem e nunca mais voltado para vê-lo crescer no meio dos terreiros do candomblé e da capoeira.

    A mãe de Ícaro, Luana, nunca lhe contou a verdade sobre aquele caso que ela teve com aquele gringo em pleno carnaval e ano novo também. Pois a grande maioria das pessoas que viviam na Bahia, sabiam muito bem, que nessa época, dificilmente alguém tomaria conhecimento daquele caso com mais responsabilidade do que era de costume em dias festivos.

    Luana tinha orgulho de dizer para quem quisesse escutá-la que tinha criado o seu filho sozinha e sem o apoio de ninguém. O avós de Ícaro já tinham morrido a bastante tempo. Então os dois estavam completamente sozinhos na Bahia. Mas por outro lado, em bairros menos favorecidos todos eram considerados parte de uma família onde uns ajudavam os outros e vice e versa. E assim, Ícaro tinha o hábito de chamar uma vizinha de Tia e outro de tio. Talvez fosse para compensar sua perda paterna. E assim, todos o chamavam de filho e outros de irmão ou maninho se fosse uma menina com a mesma idade que a dele.

    Ícaro dava aulas de capoeira em uma ONG em Salvador, enquanto sua mãe era dona de um terreiro de Candomblé onde muitas pessoas seguiam com afinco, e assim, eles conseguiam sobreviver em uma casa bem modesta onde não faltava nada para ninguém.

    Os dois não respeitavam muito os finais de semana, onde as aulas de capoeira se amontovam de crianças que queriam aprender a se movimentar como os escravos faziam antigamente para se defenderem da cólera de seus senhores. Enquanto que no terrero de Luana, muitos turistas apareciam para fotografar aquela nova cultura onde os batuques faziam parte daquelas vestimentas brancas como se fossem parte de um só corpo e alma.

    Ícaro era um excelente professor de capoeira. Sempre estava disposto a mostrar novos movimentos que as crianças queriam aprender logo para mostrarem em casa, ou quem sabe, para se defenderem de algum bullying que pudesse ocorrer em suas escolas.

    Luana também administrava com muito maestria o seu terrero. Ela sempre estava disposta a explicar a história do candomblé para quem quer que fosse. E até tinha conseguido entrar em uma aula de inglês para falar com mais facilidade aos turistas que vinham dos quatro lados do mundo.

    O tempo passou, e enquanto Ícaro estava terminando de dar a sua aula de capoeria como fazia rotineiramente, apareceu um homem em sua sala querendo falar com ele sobre um assunto muito serio que necessitava da presença de sua mãe também.

    Ícaro desconfiou que aquele poderia ser o seu pai e quando sua mãe chegou no recinto não restaram mais dúvidas sobre aquilo. Pois o seu olhar já lhe entregava. E assim, Luana acabou desabando em lágrimas.

    Aquele homem desconhecido se chamava Breno. Ele era dos países baixos, mais precisamente da Holanda, pai de Ícaro. E isso acabou explicando muito coisa na mente de Ícaro, pois ele era um dos únicos professores de capoeria da Bahia com a pele mais clara do que seus colegas de profissão, que acabavam brincando com ele, dizendo que sua mãe tinha-o adotado na infância, porque ele ainda por cima, tinha olhos claros.

    Breno era holandês de olhos verdes. E Ícaro tinha puxado o pai nesse quesito também. Mas ainda restavam mais algumas perguntas para que o seu pai biológico respondesse.

    Por que ele tinha os abandonado na Bahia sem nunca dar uma notícia sequer de seu paradeiro?

    E por que ele só estava retornando agora, quando seu filho já estava um homem?

    Como eles iriam se reconectar como uma família unida se já tinham se passado anos desde o ocorrido?

    Breno não soube responder aqueles perguntas. Ficou atônito olhando para o seu filho e na maneira que ele era parecido com ele. E acredito que todos que estavam naquela sala pensavam na mesma coisa que ele, inclusive Ícaro. Até parecia que Ícaro estava olhando para um reflexo seu só que com mais idade e experiência.

    Luana não soube o que fazer também e acabou levando seu antigo amante para casa. Mas quando ela começou a andar pelo bairro as pessoas olhavam-nos com muita curiosidade, pois parecia que aquele homem era o irmão mais velho de Ícaro.

    Chegando em casa, o bairro todo já desconfiava que aquele poderia ser o pai de Ícaro pela semelhança no corpo e no olhar. Pois agora, todos já sabiam que ninguém mais poderia chamar-lhe de filho ou maninho, pois o pai tinha finalmente voltado da europa para assumir suas responsabilidades como pai e marido de Luana. O tempo tinha se esgotado, pensavam alguns. Enquanto outros, acabaram ficando felizes que aquela família estava reunida novamente.

    Mas onde Breno se encaixaria naquela rotina, se os sobreviventes daquele abandono já tinham conseguido sobreviver por tantas intempéries da vida?

    Passaram-se os dias.

    Ícaro e Luana continuavam dando sequência as suas vidas de resistência. O primeiro, transformava as rodas de capoeira em sistemas de educação, enquanto a segunda, levava a religião à quem quer que fosse. Deixando Breno maravilhado e atônito com aquilo tudo. Pois parecia que sua vida tinha simplesmente se estagnado desde a sua partida, enquanto que os que ficaram para contar à prosa, conseguiram virar à página daquele livro mofado e mal gasto, que um dia teve a coragem de ser algo bem melhor do que uma simples história de abandono.

  • As mulheres do Congresso e do Senado

    junho 30th, 2025

    Ágata estava passando por um drama em Portugal. Pois desde a chegada da extrema direita no país, os imigrantes tiveram o seu visto de permanência cassados. E assim, o governo português acabou enviando cartas para que eles pudessem sair do país num prazo de apenas 24 horas.

    Mas as medidas não paravam por aí, pois até aqueles que tinham conseguido a nacionalidade portuguesa, agora não teriam mais esse benefício. E assim, o governo português optou por cancelar a cidadania daqueles que não tinham nascido no país, gerando uma onda de protestos sem precendentes na história portuguesa.

    Ágata pela manhã, tinha recebido a sua carta do governo informando-a que ela agora só era uma brasileira, e assim, seu parentesco de ter avós portugueses já não valiam mais para que a pessoa tivesse o direito de obter uma nacionalidade européia. Ela não pensou duas vezes, tinha chegado a hora de ela finalmente voltar para a sua terra natal, o Brasil. E assim, no outro dia já estava no aeroporto do Porto, com a sua passagem em mãos tendo como destino final o Rio de Janeiro.

    Mas antes disso, ela resolveu doar tudo o que tinha, inclusive o seu apartamento para as suas amigas portuguesas como um ato de profunda amizade. No banco, conseguiu pegar tudo o que tinha também e assim estava feito. Ela agora era somente mais uma brasileira tentando sobreviver diante de todas as intempéries que a vida era capaz de proporcionar.

    Nos noticiários do aeroporto, Ágata viu uma nova ativista na Amazônia fazendo coisas grandiosas para defender a terra dos índigenas, e assim, resolveu trocar a sua passagem para lá, pois queria muito conhecer aquele fabulosa mulher que poderia reanimar o seu espírito diante de todo aquele conservadorismo europeu.

    Chegando na Amazônia, Ágata finalmente conheceu Alexandra e sua tribo. Alexandra por sua vez, disse que sempre tinha lido os seus artigos e livros que ela espalhou ao longo do mundo. Ágata ficou muito agradecida por aquele gesto e logo quis ajudá-la com o que fosse preciso para que as queimadas na região acabassem de vez.

    As duas uniram suas forças e conseguiram implementar várias leis para que os indígenas fossem reconhecidos como os verdadeiros proprietários daquelas terras; além é claro, de colocar elevadas multas para aqueles que tentassem colocar fogo nas matas. Como consequência por aquele trabalho, as duas foram colocadas na capa da revista TIME dos Estados Unidos como as personalidades do ano à serem batidas.

    Tanto Alexandra como Ágata, receberam diversas propostas para o cargo de presidência do Brasil, onde uma seria chefe do executivo e a outra vice. E é claro que as duas aceitaram o desafio, mesmo sabendo que a oposição iria fazer uma frente bem sólida contra as duas, alegando que elas não teriam a experiência suficiente para tais cargos. Mas mesmo assim, elas enfrentaram o desafio de peito aberto e acabaram ganhando as eleições presidênciais pelo país em primeiro turno.

    Como primeiras medidas à serem implementadas no país, elas declararam guerra contra Israel, que estava aniquilando o Irã, e assim, enviaram todas as suas tropas para a terra santa, mesmo sabendo que poderiam perder, mas no fim, acabaram ganhando de Israel, que se viu ridicularizado pelos países europeus.

    Com o retorno das tropas para o Brasil, o povo os tratou como hérois de guerra, e assim, começou um longo mandato de quatro anos, onde as duas diminuíram o desemprego para quase 0%, criando diversos cursos profissionalizantes nas universidades federais, onde o aluno já saia com uma profissão garantida ao final de 3 anos de estudos, onde o capacitado, já saia sabendo resolver diversos problemas que iria enfrentar no mercado de trabalho.

    Também implementaram a igualdade salarial entre as mulheres e os homens em todos os setores sociais, deixando a sociedade muito mais justa diante daqueles que produziam a mesma força bruta de trabalho.

    O ensino passou a ser inteiramente gratuito tendo em vista que o conhecimento tinha que ser acessado por todas as faixas econômicas do país, e assim, extinguiram de vez o ensino particular, obrigando os professores a duelarem por suas vagas no país. Isso acabou elevando a consciência da sociedade que passou a ler e a se informar muito mais, antes de opinar sobre qualquer assunto.

    Ao final do primeiro mandato, tanto Alexandra como Ágata mudaram de posições executivas e ganharam um segundo mandato onde poderiam colocar o Brasil como potência econômica a ser batida diante dos olhos europeus. E assim, as duas finalmente conseguiram assinar o acordo Mercosul e União européia, trazendo muito mais investimentos para os produtos produzidos em terras nacionais. Deixando os produtores europeus numa situação muito mais difícil, diante de toda aquela qualidade dos produtos nacionais.

    Mas o mais importante tinha sido feito, pois elas finalmente conseguiram terminar com toda a corrupção que estava acontecendo no país ao enxugar ao máximo, a máquina pública, expulsando de vez aqueles políticos que não estavam fazendo um bom governo e no seu lugar, optaram por escolher mais mulheres que queriam fazer parte de um congresso e de um senado onde a participação de mulheres seria essencial para criar uma sociedade mais igualitária e ciente de que os autistas e pessoas da comunidade LGBTQIA+ pudessem ter as suas vozes escutadas num país onde tentavam calá-los onde quer que fossem, minando os seus direitos constitucionais.

  • O Pulmão do Mundo: Amazônia e sua descendência índigena

    junho 29th, 2025

    Pela manhã, tanto Alexandra como Mohamed olhavam por suas vidraças para aquela enorme multidão que começava a se formar nos portões reais. A multidão se alastrava até a igreja com as bandeiras dos dois países que iriam juntar forças para governar com sabedoria.

    Os assessores reais estavam muito preocupados com o sistema de segurança, tendo em vista que, as regiões de Dakar e Mali ainda eram considerados lugares bem perigosos para viver e se desenvolver. Mas Alexandra estava disposta a resolver todos aqueles problemas de criminalidade o quanto antes.

    Por sua vez, Mohamed teve que esperar perto do altar da igreja, para que a sua esposa chegasse de véu e grinalda. Mas Alexandra tinha outros planos. Pois ela preferiu caminhar até o seu casamento para testar aqueles altos índices de criminalidade que Dakar possuía, mas que ninguém se atrevia a tentar algo contra a vida de sua monarca.

    Chegado a hora, Alexandra prometeu ser fiel ao seu marido na saúde e na doença e logo quis ir para a festa real onde iria se encontrar com os seus assessores para discutirem como poderiam diminuir os índices de criminalidade de seu país.

    Mohamed estava de mudança para Dakar, mas ao escutar todos aqueles planos de sua nova esposa, preferiu voltar logo para Mali e fazer melhorias em sua sociedade para que a criminalidade diminuísse por lá também. Assim, promoveu novos empregos com salários mais dignos e viu bem de perto os índices de criminalidade diminuírem.

    Alexandra promoveu as mesmas mudanças sociais em Dakar e assim, eles viram a extinção da pobreza por completo. E o mais impressionante foi que os dois países passaram a integrar o tão sonhado bem estar social, onde o governo financiava os desempregados até que eles conseguissem empregos mais dignos.

    Os dois construíram escolas públicas de muita qualidade e até melhoraram as universidades com mais cursos profissionalizantes onde o aluno já saia com o seu emprego garantido ao final da graduação.

    Como consequência, tanto Dakar como Mali, viraram pontos de referências mundiais em ensino de qualidade e na extinção por completa da pobreza.

    Mohamed percebeu instantaneamente que Alexandra seria uma governanta bem melhor que ele e assim redigiu uma carta onde ele abdicaria de seu trono em Mali, concedendo-lhe à sua esposa. E assim, a Rainha Alexandra I se tornou governanta dos dois países que agora eram considerados desenvolvidos graças ao seu esforço hercúleo de anos.

    Alexandra por sua vez achou a ideia brilhante e fez o mesmo com o seu reino, pois ela percebeu que ajudaria muito mais o seu país se o transformasse em um sistema parlamentar e não mas em monárquico.

    O povo fez diversos protestos nas ruas, mas ao fim, não adiantou nada. Alexandra estava decidida a entregar o seu poder para a nação, pois ela alegava que ela e seu marido não precisavam de tanto dinheiro para viver dignamente. E assim, como atitude extrema ela pediu até para o Papa anular o seu casamento, alegando que não conseguia ficar presa em um homem só por décadas a fio.

    O Papa fez suas vontades por interesses econômicos e assim, meses após o casamento real, Alexandra estava livre do papel de ser Rainha interina dos reinos de Dakar e Mali. Seus pais que estavam exilados na Suíça, não gostaram nada daquela ideia de acabar com uma dinastia que tinha sido construída com muito suor por séculos, mas no fim, não poderam fazer nada com aquela informação grotesca e preferiram seguir com suas vidas na europa sem serem incomodados pela antiga rainha de Dakar.

    Alexandra aproveitou a oportunidade para fazer uma harmonização facial para que outras pessoas não à reconhecessem nas ruas e assim, pegou o primeiro avião para o Brasil, tendo a intenção de entrar para a política daquele país que estava afundado em corrupção como sempre.

    A antiga rainha se filiou à um partido de esquerda que era democrático e humanista por natureza e começou a trabalhar em ONG’S na Amazônia. Mas quando chegou ao pulmão do mundo, ela viu diversas irregularidades como queimadas em massa, por exemplo. Onde fazendeiros queriam de todas as maneiras, tomar as terras dos índigenas, alegando que eles não tinham direito algum sobre aquilo.

    Mas Alexandra sabia que eles estavam errados e assim, passou a defender a floresta amazônica junto com os índios que moravam por ali. Aprendeu as línguas originárias como o Tupi e o Yanomami e logo se transformou em um índia da tribo, tendo diversos filhos que cresceram e se tornaram defensores da Amazônia também.

    Suas políticas advindas de ONG’S em que fazia parte logo transformaram a Amazônia e os noticiários com isso, acabaram demonstrando estudos em que comprovavam a diminuição de queimadas naquelas regiões para quase 0%. Pois agora tanto o congresso nacional como o Sistema Tribunal Federal tinham decretado altas penas contra as queimadas, além é claro, de também terem providenciado diversos documentos onde comprovavam que os índios originários daquelas regiões é que eram os verdadeiros proprietários daquele lugar, tendo em vista que suas descêndencias reais é que tinham chegado por lá primeiro e não mais os portugueses, como era estudado em escolas e em diversos cursos superiores que não tinham consciência da importância dos índios para a cultura e folclore locais do país.

  • Compartilhando as riquezas no Reino de Dakar

    junho 28th, 2025

    Alexandra estava muito preocupada com a pobreza em Dakar. Pois seus pais enquanto estavam governando o Reino, tinham colocado altos impostos para o povo pagar em troca deles ficarem cultivando os seus alimentos nos vastos terrenos da coroa. Vindo a observar aquele problema, Alexandra mudou a constituição de seu país e decretou que a partir de seu reinado, seu povo não precisaria mais pagar impostos para que pudessem usufruir de suas terras.

    Como consequência, o seu povo celebrou aquele dia histórico com uma festa enorme onde a família real participou, apertando a mão daqueles que se aproximavam para tocar nas vestes daqueles que tinham as bençãos dos Deuses para governar. O povo acreditava que a família real tinha poderes divinos e as pessoas acabavam se amontoando entre aquelas aglomerações para que pudessem tocar em suas vestes que uns diziam terem poderes milagrosos.

    Depois que o povo se viu livre da cobrança de impostos que o antigo rei empunhou, o Reinado de Dakar passou a produzir mais e mais e logo veio a exportação de seus produtos para os mais diversos países do globo. Assim, Alexandra teve que comprar muitos navios para dar conta de toda aquela exportação. Seus pais iam contra aquilo tudo, alegando sempre que mais cedo ou mais tarde, sua família iria ficar sem dinheiro em caixa para se manter pelas gerações vindouras. Mas a Rainha Alexandra I não ligava para aquilo, pois como resposta ela dizia que uma governanta tinha que governar para o povo.

    Passados alguns meses apenas, o Reinado de Dakar passou a ser o principal exportador do mundo. E como consequência, a Família Real de Dakar acabou recebendo quantias de dinheiro que dava para sustentar dinastias inteiras por séculos a fio.

    E claro que a Rainha Alexandra I não pensou duas vezes e resolveu disponibilizar parte de seus lucros com o seu amado povo. Que recebeu aquela gratificação com muito entusiasmo.

    Os pais da rainha não entenderam aquela atitude de sua filha e tentaram logo destitui-la do cargo de rainha de Dakar. Mas o povo fez diversos protestos em praça pública e assim, os antigos monarcas tiveram que deixar o palácio real da família para que pudessem se exilar em um outro país.

    Alexandra nas primeiras semanas sentiu muita falta de sua única família mais ela tinha que continuar com o seu trabalho de rainha, se quisesse que Dakar continuasse prosperando. Ela até tentou intervir naquela mosntruosa manifestação política, mas no fim, sua família teve que ser exilada.

    Depois de um certo tempo, Alexandra compreendeu que aquilo tinha que ser feito, pois quanto mais pessoas reais estivessem perto dela, mais dinheiro ela precisaria para mantê-los por perto.

    Com a atual administração real, uma nova dinastia estava se criando a partir da linhagem de sua Alteza Real, e assim, o povo pedia em diversos comícios pelo país de Dakar, que a Rainha Alexandra I, precisaria se casar o quanto antes, caso ela quisesse dar continuidade aquela linhagem que tinha proporcionado tantas alegrias ao seu povo. E assim, Alexandra conheceu o Rei Mohamed de Mali e se apaixonou perdidamente por ele.

  • Alexandra I: O reino de Dakar

    junho 27th, 2025

    Alexandra tinha se preparado desde criança para assumir o reino de Dakar. Seu pai, Francisco I e sua mãe Catarina, tinham deixado tudo planejado para quando sua única filha completasse à maioridade. Ela tinha os melhores professores do mundo e desde criança já era considerada uma poliglota ambulante. Falava inglês pela manhã, espanhol à tarde, à noite discursava em Francês e sempre xingava em português. Mas como era de costume, seus pais preferiam educa-la na língua portuguesa para manter os hábitos da corte da família.

    Suas amigas da corte ficavam sempre muito impressionadas com a sua desenvoltura em querer aprender sempre mais e mais; e quase nunca ligava para os garotos que à rodeavam nos almoços reais. Dizia que era assexual e assim, suas amigas entendiam perfeitamente que ela não nutria nenhuma atração carnal por outra pessoa.

    Seus pais achavam aquele comportamento muito estranho, pois eles já sofriam uma pressão da corte para que a sua única filha escolhesse logo seu ou sua pretendente, para que assim, pudessem logo se casar e assim, virar a nova Rainha do Reino. Mas Alexandra insistia em ficar solteira, ocasionando com isso, sua anscenção direta à coroa, tendo em vista, que a corte, o parlamento e a primeira ministra não podiam mais esperar pela escolha tão difícil da imperatriz.

    Alexandra foi coroada em uma igreja simples pelo Papa. A imprensa fez toda a cobertura e sua foto com a coroa do império, foi parar em todas as capas de jornais pelo mundo afora. O povo adorou a celebração, pois era a primeira vez que uma rainha não estava acompanhada com laços matrimonais. E assim, ela saiu da igreja como Alexandra I de Dakar.

    Sua casa era simples e sem qualquer tipo de luxo, pois preferia ser louvada e admirada por sua coleção particular de livros em sua biblioteca, que sempre consultava com muita adoração. As vezes dava sorte e pegava um livro que gostava tanto, que acabava relendo-o inúmeras vezes, alegando que aquilo lhe fazia muito bem ao seu estado de espírito de governanta.

    Todos que coversavam com ela diziam que ela era muito inteligente e compreensível e gostava de dar sempre muita atenção ao seu povo. Pois sempre estava disposta a ajudá-los em qualquer coisa. Desde plantar alguma espécie rara nos jardins reais até dar aulas de graça para alguns povoados que careciam de professores dispostos à enfrentar algumas imtempéries até chegar naqueles locais de difícil acesso. Sabendo da precariedade daqueles lugares, resolveu logo construir barcos que pudessem levar os professores até lá. Mas depois de prontos, quase nenhum professor se abilitou a dar aulas nos povoados mais afastados do reino. Sendo assim, Alexandra I se prontificou a contruir pontes, estradas e ferrovias que davam acesso direto aos povoados. Transformando-os em novos celeiros da educação contemporânea. Pois com isso, o Reino de Dakar passou a se desenvolver muito atraindo professores das regiões mais remotas do mundo que queriam dar aulas para aquelas crianças que tinham fome de educação.

  • O ódio a miscigenação das raças

    junho 15th, 2025

    Ágata ficou simplesmente aterrorizada com os casos de xenofobia que estavam acontecendo em Portugal. Pois com a chegada da extrema direita no país, os portugueses mais conservadores acabavam queimando moradias onde viviam os imigrantes, gerando um verdadeiro caos para a sociedade portuguesa que começava a sentir toda a sua instabilidade diante daqueles pensamentos preconceituosos.

    Os imigrantes não conseguiam mais andar pelas ruas com tranquilidade. Pois muitos portugueses cuspiam neles e diziam muitas palavras que não é aconselhável dizer por aqui. Até mesmo aqueles que tinham conseguido a tão almejada nacionalidade portuguesa, com o passaporte português e tudo eram interrogados nas alfândegas dos aeroportos pois a polícia portuguesa logo descobria pela escuta aqueles diversos sotaques que vinham do Brasil.

    Ágata também passou a ser hostilizada nas ruas em que caminhava. As portuguesas lhe diziam para ela voltar para o Brasil o quanto antes, pois o seu sangue estava corrompendo a linhagem européia. Ágata ria muito com aquilo, pois ela sabia que se todos os imigrantes fossem embora daquela terra tão querida a economia do país ia se estagnar novamente, gerando assim, altos índices de velhice novamente.

    Ou seja, o que fazia a economia do país funcionar era os altos índices de turismo e empregabilidade estrangeira. Então, Ágata sabia que os próprios governantes portugueses estavam encurralados, pois eles tinham que abrir o mercado para uma faixa etária que fosse muito mais nova para que assim, o país voltasse a crescer novamente, sem que dependesse somente dos aposentados que não faziam a economia girar como os mais jovens faziam, indo aos cinemas, comprando livros e respirando o ambiente cultural dos museus também.

    Muitas manifestações ocorreram no país apoiando os discursos de ódio contra os imigrantes, mas Ágata preferiu não dar importância sobre aquilo. Pois o seu grupo estava empenhado em lutar contra isso, fazendo a mesma coisa. Indo para as ruas e gritando à plenos pulmões que os imigrantes iriam permanecer no país nem que fosse à força. O que acabou gerando uma onda de repressão muito grande vindo da polícia portuguesa. Mas mesmo assim, Ágata e seu grupo de intelectuais e artistas começaram a esconder muitos imigrantes em suas casas, alegando que qualquer pessoa poderia ir e vir de qualquer país que sentisse vontade de estar e trabalhar.

    E assim, começou um antigo tempo onde o Salazar começou a ganhar vida novamente no coração de alguns portugueses xenófobos que acreditavam ser de uma linhagem européia mais pura do que aqueles que atrevessavam os ares e mares em busca de uma nova vida que era simplesmente negada em suas terras cheias de guerras e corrupção.

    Não demorou muito até que os policias portugueses começaram a entrar nas casas das pessoas à procura de algum imigrante que poderia estar se escondendo das autoridades. Mas ninguém nunca os encontrou pois o partidos comunistas portugueses estavam financiando-os. Davam casa e trabalho. E até mesmo os padres começaram a escondê-los em suas próprias igrejas também, oferecendo a mesma dignidade.

    Ainda demorou um tempo até que a extrema direita fosse vencida nas eleições regulares em Portugal. Pois o povo foi se conscientizando aos poucos de que precisava da miscigenação das raças, se quisessem sobreviver a era da contemporaneidade, onde a terra era de todos e o mundo era de poucos.

  • As potências mundiais não se importam com guerras regionais

    junho 13th, 2025

    Naquela manhã fria em Portugal, Ágata leu no jornal que o Irã atacou Israel com mísseis, deixando pelo menos 40 feridos. E por coincidência, também era o dia do aniversário do escritor português Fernando Pessoa. Mas ninguém teve a coragem de comemorar aquela data tão especial para Lisboa. Porque o mundo estava sendo destruído aos poucos.

    A guerras não tinham prazo para ter fim. Ou o ataque se rendia ou a defesa vencia. O mundo não se importava com aquilo. Pois os políticos e governantes só sabiam fazer reuniões com chefes de estado protestando ou ficando de um lado da guerra, como se aquilo fosse trazer o seu fim em segundos. Mas o caso não era esse. Pois na sociedade contemporânea, nenhum país se importava com o bem estar do outro. Muito pelo contrário. No máximo que víamos nas redes sociais era alguma postagem dizendo que um político era contra o estado de guerra que seu colega de ofício estava fazendo, mas você não via ninguém querendo resolver a solução de maneira definitiva. E sim, víamos a união européia ajudando a Ucrânia com armamentos pesados para se defender da potência da Rússia, enquanto que o governante Russo se divertia em aniquilar um país mais fraco sem que os ucranianos tivessem um número suficiente de soldados para atacar e se defender.

    A função de um político na era moderna, era subir em palanques e dizer coisas que a população gostaria de ouvir para solucionar problemas sociais, como por exemplo, a desigualdade social e nada mais. Já em caso de sítio de guerra, víamos que a sociedade internacional não tinha nada à contribuir também. Pois todos ficavam somente nas palavras com medo de que pudessem vir à enfrentar uma 3° Guerra Mundial. E logo, preferiam apoiar um país mas sem que fosse preciso contribuir com a sua força militar para defendê-lo.

    E assim, se dava a era da contemporaneidade. Tínhamos duas grandes guerras acontecendendo paralelamente. Uma entre Israel e a Palestina e a outra entre a Rússia e a Ucrânia. Mais ninguém queria realmente contribuir com a força de seus exércitos sedentos por ação. Pois preferiam profetizar diante de seus palanques palavras que de nada serviam para a Paz.

    Já Imaginou se a guerra fosse na Europa ou nos Estados Unidos?

    Aí teríamos a tão aguardada 3° Guerra Mundial, pois as potências do mundo estariam nela. Mas como essas guerras acontecem em países mais fracos e com poder economicamente inferior aos das famosas potências do mundo, então era o mesmo que dizer que não era problema de ninguém.

    De que adianta enviar milhares de armamentos e munições para a Palestina e para a Ucrânia, se esses países não tinham nem um número suficiente de soldados para enfrentar uma poderosa Rússia-Israel muito mais qualificados?

    É como deixar alguém para morrer sozinho, em um campo de guerra, com todo o equipamento necessário para sobreviver, enquanto você está sendo atacado por várias pessoas ao mesmo tempo. Nenhum país do mundo consegue sobreviver em estado de guerra, sem que outros países ajudem com a sua força também.

    De que adianta munições?

    O mundo precisa de uma proteção universal. Onde o país mais fraco teria o apoio militar daqueles países mais fortes. Gerando como consequências, retaliações econômicas graves para aqueles que se atrevessem a iniciar uma guerra com os mais fracos.

    Mas como sempre, muitos preferem fechar os seus olhos como se essas guerras não estivessem acontecendo. Da mesma maneira que muitos duvidavam, na 2° Guerra Mundial, que existissem realmente campos de concentração onde os alemães se encarregavam de matar raças ditas inferiores. Pois se me lembro bem, os Estados Unidos não queriam entrar naquela guerra. Mas daquela vez tínhamos Winston Churchill para nos salvar e renegociar novos termos para o mundo. Porém dessa vez, não vemos nenhum político do mesmo calibre, que compre a briga dos países mais fracos e faça questão de se sentar em uma mesa de negociações com Israel e Rússia para enfim, encerrar uma guerra sem fim.

    Donald Trump até tentou resolver o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia por sí. Ligando para o presidente russo Vladimir Putin, mas logo em seguida, houve reclamações do bloco europeu dizendo que se chegassem ao fim da guerra, teriam que estar na mesma mesa de negociações que eles também.

    Ou seja, no mundo de hoje, todos querem estar nos momentos centrais da história. Para receberem congratulações e elogios por serem quem nunca pensaram em ser. Estadistas que um dia salvaram a humanidade de uma completa destruição.

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